Quando o campo não sustenta: microagressões, adolescências LGBTQIA+ e ajustamentos criativos na clínica gestáltica
When the Field Fails to Support: Microaggressions, LGBTQIA+ Adolescences, and Creative Adjustments in Gestalt Therapy
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.22752820Palabras clave:
adolescência, violência simbólica, adolescência LGBTQIA , clínica da presença, microagressões, construção da identidadeResumen
Este estudo analisa experiências de microagressões dirigidas a adolescentes LGBTQIA+ e suas repercussões psicossociais, articulando achados da literatura aos conceitos gestálticos de campo, contato, ajustamento criativo, suporte e awareness, com o objetivo de discutir implicações para a relação psicoterapêutica. Trata-se de estudo qualitativo, de natureza teórico-clínica, desenvolvido por meio de revisão narrativa da literatura. A busca e a triagem foram auxiliadas pela plataforma Elicit e complementadas pela consulta e conferência de estudos em bases bibliográficas, com atenção ao PubMed/MEDLINE e aos periódicos de origem. Foram priorizadas pesquisas sobre microagressões, estigma, vitimização, ocultamento, desenvolvimento identitário e suporte entre adolescentes e jovens LGBTQIA+, articuladas a fontes fundamentais da Gestalt-terapia. A análise indica que microagressões e condições cisnormativas e heteronormativas participam de campos nos quais pertencimento, reconhecimento e segurança podem ser ameaçados. Nesse contexto, ocultamento, silêncio, hipervigilância e retraimento podem ser compreendidos, em uma leitura gestáltica, como possíveis ajustamentos criativos com funções protetivas, embora possam produzir custos e restringir possibilidades de contato quando perdem flexibilidade. Essa formulação constitui uma interpretação teórico-clínica, e não uma relação causal demonstrada pelos estudos revisados. Conclui-se que a prática gestáltica com adolescentes LGBTQIA+ deve investigar a função dessas respostas antes de buscar modificá-las, considerando riscos e suportes presentes no campo. Presença, diálogo e suporte podem favorecer awareness, discriminação entre contextos e ampliação das possibilidades de escolha, sem estabelecer a revelação identitária ou a visibilidade como objetivos terapêuticos universais.
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