ARTIGO
Solidão como condição existencial: uma leitura fenomenológico-existencial de Eu que nunca conheci os homens
Loneliness as an Existential Condition: A Phenomenological-Existential Reading of I Who Have Never Known Men
Jurema Dantas
Sara Maria Valentim Costa Lima
Universidade Federal do Ceará
Resumo
Este artigo propõe uma leitura fenomenológico-existencial da obra Eu que nunca conheci os homens, com o objetivo de compreender a solidão não como mero efeito do isolamento social, mas como dimensão originária do existir humano. Trata-se de um ensaio teórico-hermenêutico que toma a narrativa literária como campo de desvelamento de experiências-limite, nas quais emergem desamparo, liberdade, finitude e responsabilidade. A análise sustenta que a ausência concreta do outro não implica a supressão do ser-com, mas evidencia sua estrutura ontológica, revelando a tensão constitutiva entre coexistência e estar-só. Argumenta-se que a solidão pode constituir uma tonalidade afetiva fundamental, capaz de expor o sujeito à sua própria condição de possibilidade. Como contribuição, o estudo amplia a compreensão da solidão ao deslocá-la do registro psicopatológico para o horizonte ontológico, evidenciando implicações para a clínica ao compreendê-la como experiência de singularização e abertura ao sentido.
Palavras-chave: solidão; fenomenologia; existência; isolamento social.
Abstract
This article proposes a phenomenological-existential reading of I Who Have Never Known Men, aiming to understand loneliness not merely as an effect of social isolation, but as an originary dimension of human existence. It is a theoretical-hermeneutic essay that takes the literary narrative as a field for disclosing limit-experiences in which abandonment, freedom, finitude, and responsibility emerge. The analysis argues that the concrete absence of others does not suppress being-with, but rather reveals its ontological structure, exposing the constitutive tension between coexistence and being-alone. It is further argued that loneliness may constitute a fundamental attunement capable of confronting the subject with its own condition of possibility. As a contribution, the study expands the understanding of loneliness by shifting it from a psychopathological framework to an ontological horizon, highlighting implications for clinical practice by approaching it as an experience of singularization and openness to meaning.
Keywords: loneliness; phenomenology; existence; social isolation.
Introdução
A solidão afeta cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2025), configurando-se como um fenômeno amplamente reconhecido no campo da saúde pública e frequentemente associado a riscos psicossociais e ao adoecimento mental. Apesar de sua relevância epidemiológica, a solidão tem sido majoritariamente compreendida como problema psicológico ou social, frequentemente reduzida a déficit relacional, falha de integração comunitária ou sintoma clínico. Tal enquadramento, embora relevante em determinados contextos, tende a empobrecer a compreensão da experiência humana ao obscurecer sua dimensão estrutural. Como apontam Macedocouto e Soares Junior (2017), a solidão é frequentemente apropriada pelo discurso técnico como algo a ser mensurado, prevenido ou eliminado, o que contribui para sua patologização. Nesse sentido, estudos recentes têm problematizado essa redução, indicando que a solidão não se esgota na ausência de vínculos, podendo expressar dimensões constitutivas da existência (Dantas & Souza Filho, 2025; Mariotti et al., 2025).
No campo da psicologia contemporânea, observa-se a predominância de abordagens empírico-mensurativas, centradas na distinção entre solidão social e solidão emocional (Peplau & Perlman, 1981), bem como na análise de seus impactos sobre a saúde mental. Embora tais contribuições sejam relevantes, permanecem ancoradas em uma perspectiva que compreende a solidão como carência ou disfunção. Tal perspectiva tem sido tensionada por produções contemporâneas que evidenciam a necessidade de considerar a solidão para além de uma lógica deficitária, interrogando-a como experiência que pode revelar dimensões fundamentais do existir humano (Sales et al., 2025). Assim, impõe-se a necessidade de um deslocamento teórico que permita compreendê-la para além do registro psicopatológico.
Esse deslocamento torna-se ainda mais urgente em um contexto marcado por transformações contemporâneas nas formas de sociabilidade. A intensificação das redes digitais, os imperativos de desempenho e visibilidade e as novas configurações do laço social têm produzido formas paradoxais de convivência, nas quais a hiperconectividade coexiste com experiências crescentes de desconexão e vazio existencial. Tais fenômenos vêm sendo descritos como expressão de crises existenciais contemporâneas, nas quais o sujeito se vê confrontado com a fragilização dos referenciais de sentido e pertencimento (Holanda da Silva & Décio, 2020). Nessa direção, a solidão emerge não apenas como ausência de relações, mas como expressão de tensões mais profundas que atravessam os modos de ser-no-mundo.
Partindo dessa problemática, este artigo propõe deslocar a discussão da solidão do registro predominantemente sintomatológico para o horizonte da constituição do ser, interrogando-a como experiência que revela a própria estrutura do existir humano. Em vez de compreendê-la apenas como consequência da ausência do outro, busca-se pensá-la como modalidade possível de desvelamento da condição humana, marcada pela liberdade, pela finitude e pela responsabilidade de atribuir sentido à própria existência. Tal perspectiva encontra ressonância em abordagens fenomenológico-existenciais que compreendem as tonalidades afetivas como modos privilegiados de abertura do mundo, por meio dos quais o sujeito se vê afetado e convocado a posicionar-se diante de sua própria existência (Moreira & Santiago Almeida, 2025).
Para tal empreendimento, toma-se como campo privilegiado de análise o romance Eu que nunca conheci os homens (Harpman, 1995/2021), cuja narrativa distópica encena uma situação-limite de isolamento radical. A protagonista, uma mulher sem nome, confinada desde a infância com outras prisioneiras e posteriormente lançada a um mundo deserto, vivencia uma experiência extrema de rarefação das mediações simbólicas e intersubjetivas. Tal radicalidade narrativa oferece um terreno fecundo para investigação fenomenológica, na medida em que dramatiza um existir despojado de referências históricas, linguísticas e relacionais, expondo o sujeito à tarefa de sustentar-se em meio à ausência de garantias.
Objetiva-se, assim, compreender a solidão como condição existencial, articulando com a fenomenologia existencial. Metodologicamente, o estudo configura-se como ensaio teórico-crítico de orientação hermenêutica. A literatura é aqui tomada não como objeto de análise estética ou formal, mas como campo privilegiado de manifestação da existência, compreendida como espaço simbólico no qual estruturas ontológicas podem ser desveladas. A abordagem não pretende realizar crítica literária, mas explicitar, a partir da narrativa, dimensões constitutivas do existir humano. A narrativa é, portanto, assumida como via de acesso à compreensão fenomenológica da existência, permitindo explicitar, em situação-limite, aspectos fundamentais do modo de ser humano.
A contribuição deste estudo reside na articulação entre literatura e ontologia para compreender a solidão não como simples empobrecimento relacional, mas como experiência-limite que explicita a responsabilidade intransferível do sujeito por seu próprio poder-ser. Ao dramatizar o colapso das formas habituais de coexistência, a narrativa analisada permite evidenciar que a solidão pode operar como espaço de singularização e abertura ao sentido, ampliando sua compreensão no campo da psicologia contemporânea e indicando implicações relevantes para a clínica fenomenológico-existencial.
Notas sobre a obra e seu horizonte narrativo
Publicado originalmente em 1995, o romance Eu que nunca conheci os homens, de Jacqueline Harpman, inscreve-se no campo da ficção distópica com forte densidade existencial. A narrativa é conduzida em primeira pessoa por uma protagonista sem nome, confinada desde a infância, junto a outras mulheres, em um espaço subterrâneo vigiado por guardas silenciosos. Não há informações precisas sobre o mundo exterior, tampouco sobre as razões do encarceramento, o que instala, desde o início, uma atmosfera de suspensão histórica e ontológica.
A protagonista, mais jovem que as demais, não possui memória de um mundo anterior ao confinamento. Sua experiência é marcada por uma espécie de ignorância originária: ela não conhece homens, não conhece o amor, não conhece a vida social tal como as outras mulheres recordam. Sua existência começa já dentro do isolamento. Quando, de forma inesperada, as portas da prisão se abrem e o grupo alcança o exterior, o que encontram é um mundo devastado, deserto e silencioso. A narrativa, então, desloca-se do confinamento físico para uma errância em paisagens áridas, nas quais a sobrevivência material contrasta com o esvaziamento simbólico do mundo.
Ao longo da trama, as mulheres morrem gradativamente, até que a protagonista permanece completamente só. A partir desse ponto, a narrativa intensifica sua dimensão reflexiva: privada de interlocutores e de referências culturais compartilhadas, ela passa a sustentar sua existência na memória, na observação e na linguagem, registrando sua própria história como forma de não sucumbir ao nada. O romance encerra-se sem respostas definitivas sobre a origem da catástrofe, reforçando seu caráter alegórico.
Mais do que uma distopia convencional, a obra constrói uma situação-limite em que as mediações habituais do ser-com; linguagem compartilhada, tradição, reconhecimento mútuo; são progressivamente dissolvidas. O mundo apresentado por Harpman não é apenas devastado fisicamente, mas ontologicamente rarefeito. A protagonista não enfrenta apenas a ausência de companhia, mas a precariedade das condições que sustentam a constituição do si-mesmo.
Nesse sentido, o horizonte narrativo da obra radicaliza a experiência da solidão ao deslocá-la do campo psicológico para o plano estrutural da existência. A solidão ali não é apenas sofrimento decorrente da perda do outro, mas exposição do sujeito à nudez de seu próprio existir. A ausência de garantias, de explicações e de fundamentos históricos coloca a protagonista diante da tarefa de sustentar-se enquanto ser que precisa significar-se sem apoio externo. A narrativa, assim, encena uma experiência-limite que permite interrogar a solidão como condição ontológica e não apenas como estado afetivo.
É nesse cenário de suspensão e despojamento que a leitura fenomenológico-existencial encontra seu campo privilegiado de análise. A obra de Harpman oferece uma dramatização radical do Dasein lançado em um mundo que não responde, evidenciando que o estar-só pode revelar, de modo contundente, a estrutura do ser-no-mundo e a responsabilidade intransferível do ser humano por seu próprio poder-ser.
A análise que se segue parte dessa situação-limite para investigar de que maneira a solidão, tal como encenada na narrativa, explicita a tensão constitutiva entre ser-com e estar-só, entre pertencimento e desamparo. Ao articular os acontecimentos do romance com categorias centrais da fenomenologia hermenêutica, busca-se demonstrar que a experiência solitária da protagonista não configura mero isolamento circunstancial, mas desvela uma dimensão estrutural da existência humana. É a partir desse horizonte que se desenvolve, na próxima seção, a reflexão sobre solidão e existência humana.
Solidão e existência humana
A solidão é, no imaginário social e em grande parte da produção psicológica contemporânea, compreendida como experiência indesejável, associada à falta, ao isolamento e ao sofrimento. Derivada do latim solitatem, significando a qualidade de estar só (Veschi, 2019), a palavra é usualmente definida como o estado de quem vive sem companhia (Ferreira, 2011). Em abordagens psicológicas tradicionais, autores como Peplau e Perlman (1981) distinguem a solidão social, vinculada à ausência de redes de convivência, da solidão emocional, relacionada à carência de vínculos íntimos. Ainda que relevantes, tais definições tendem a circunscrever a solidão ao campo do déficit relacional, restringindo sua compreensão à lógica da falta e da insuficiência de vínculos.
No âmbito das pesquisas empíricas, a solidão aparece frequentemente associada a indicadores de risco, sofrimento psíquico e adoecimento (Moreira & Callou, 2006). Como observam Macedocouto e Junior (2017), ela é geralmente percebida como estado-sentimento negativo, apropriado pelo discurso técnico enquanto sintoma a ser mensurado e eliminado. Essa compreensão reforça uma tendência contemporânea de evitar a solidão a qualquer custo, convertendo-a em problema a ser prevenido ou tratado. Estudos mais recentes têm tensionado essa perspectiva ao indicar que a solidão, especialmente em contextos contemporâneos, não pode ser reduzida a um fenômeno exclusivamente negativo, mas deve ser compreendida em sua ambivalência constitutiva, na qual sofrimento e possibilidade coexistem (Mariotti et al., 2025).
Esse movimento torna-se ainda mais evidente na era da hiperconectividade. Vivemos em uma sociedade marcada pela intensificação das redes digitais e pela promessa constante de comunicação permanente. Paradoxalmente, a experiência subjetiva de desconexão parece ampliar-se. O sujeito, de acordo com Figueiredo e Zanetti (2024), se organiza sob imperativos de desempenho, visibilidade e produtividade, produzindo uma forma peculiar de solidão: cercado por interações, mas privado de experiências autênticas de pertencimento. Nesse contexto, a solidão não desaparece; ela se transforma, tornando-se mais silenciosa e, muitas vezes, mais difícil de reconhecer. Nessa direção, investigações recentes apontam que a solidão contemporânea pode assumir formas difusas e intensificadas, especialmente entre jovens e adolescentes, articulando-se a processos de isolamento subjetivo mesmo em contextos de alta conectividade social (Sales et al., 2025).
Dados recentes divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2025) indicam que bilhões de pessoas ao redor do mundo relatam experiências significativas de solidão. O fenômeno, assim, passa a figurar no campo das preocupações globais de saúde pública. Entretanto, a ênfase estatística e epidemiológica, embora relevante, pode reforçar uma leitura predominantemente patologizante, na qual a solidão é concebida apenas como risco ou disfunção. Tal enquadramento tende a obscurecer a complexidade da experiência, reduzindo-a a indicadores mensuráveis e desconsiderando sua dimensão existencial.
Essa tentativa contemporânea de medicar, neutralizar ou negar a solidão revela, em última instância, uma dificuldade mais profunda: a de sustentar experiências que confrontam o ser humano com sua própria finitude e vulnerabilidade. Como apontam Sá, Mattar e Rodrigues (2006), a sociedade técnica tende a afastar experiências que expõem a fragilidade do existir. Em consonância, Heidegger (1953/2007), ao analisar o pensamento técnico, demonstra como a modernidade orienta-se pelo cálculo, pelo controle e pela previsibilidade, reduzindo fenômenos existenciais à lógica da gestão. Pereira (2024) complementa que esse modo de pensar obscurece dimensões imprevisíveis da existência, como angústia, fracasso e morte. Pode-se acrescentar que tal movimento se articula a uma recusa mais ampla das tonalidades afetivas fundamentais, na medida em que estas desestabilizam a pretensão de domínio sobre a existência (Moreira & Santiago Almeida, 2025).
Entretanto, se a solidão é majoritariamente compreendida como algo a ser evitado, a fenomenologia hermenêutica propõe outro caminho. Em vez de tratá-la como mera condição psicológica ou déficit relacional, a fenomenologia interroga sua dimensão ontológica. Em Ser e tempo (1927/1989), Heidegger demonstra que a condição humana, o Dasein, é originariamente ser-no-mundo e ser-com (Mitsein). O mundo é sempre compartilhado; a coexistência constitui estrutura fundamental da existência. Contudo, o estar-só não nega o ser-com. Ao contrário, só é possível porque o Dasein já é estruturalmente coexistente. Tal compreensão permite deslocar a solidão do registro da ausência para o da possibilidade estrutural, evidenciando que o estar-só é uma modulação existencial do próprio ser-com.
Essa compreensão aprofunda-se em Conceitos Fundamentais da Metafísica (1929/2003), onde Heidegger explicita que a solidão não é mero estado psicológico, mas expressão da finitude constitutiva do existir. O ser humano é aquele que está lançado à tarefa singular de assumir sua própria existência. A finitude não é limitação acidental, mas condição estrutural. Nesse horizonte, a solidão pode revelar a singularização do Dasein diante da responsabilidade de ser. A solidão, portanto, não se reduz à ausência do outro, mas pode constituir-se como tonalidade afetiva fundamental. A partir da noção de disposição (Befindlichkeit), compreende-se que o ser humano está sempre já afetivamente situado. O humor abre o mundo e revela como o Dasein se encontra lançado (Heidegger, 1927/1989). Nesse sentido, as tonalidades afetivas não são estados internos, mas modos originários de abertura ao mundo, nos quais o existir se deixa afetar e compreender (Moreira & Santiago Almeida, 2025). Dialogando com Mariotti, Silva-Ferreira et al. (2025), pode-se afirmar que a solidão, enquanto afeto, não é simples conteúdo psíquico, mas modo de abertura à própria condição de existir. Ela expõe o sujeito à sua própria vulnerabilidade, mas também à possibilidade de apropriação de si. Nessa direção, a solidão pode ser compreendida como disposição que desvela a precariedade constitutiva do existir, ao mesmo tempo em que convoca o sujeito à assunção de seu próprio poder-ser.
Nessa perspectiva, a solidão pode constituir caminho de reflexão e singularização. Ao suspender as mediações habituais do convívio, ela reconduz o ser humano à responsabilidade intransferível por seu poder-ser. Como observa Dantas e Souza Filho, “ser só é ser a si mesmo, sem recurso” (2025, p. 14), indicando que a solidão não elimina o vínculo estrutural com os outros, mas evidencia que ninguém pode assumir por nós a tarefa de existir. Yalom (2007), ao tratar do isolamento existencial, reforça essa compreensão ao afirmar que há uma lacuna inevitável entre o eu e o outro, dimensão que persiste mesmo na presença de relações significativas. Tal formulação permite aproximar a ontologia heideggeriana da clínica existencial, evidenciando que a solidão não é apenas condição teórica, mas experiência vivida que atravessa o sofrimento humano.
Assim, a solidão pode ser compreendida não apenas como carência, mas como possibilidade: possibilidade de confrontar a finitude, de reconhecer a liberdade e de assumir a singularidade do próprio existir. Ela não suprime o ser-com, mas o revela em sua tensão constitutiva. Ao invés de patologia, pode constituir experiência de desvelamento ontológico. Essa perspectiva permite, ainda, compreender a solidão como experiência ambígua, na qual sofrimento e abertura coexistem, exigindo uma escuta clínica que não se reduza à eliminação do sintoma, mas que acolha sua dimensão existencial.
É nesse horizonte que se torna possível retornar à obra Eu que nunca conheci os homens, de Jacqueline Harpman. Se a solidão pode ser pensada como experiência de singularização e como tonalidade afetiva que revela a finitude e a responsabilidade do Dasein, então a situação-limite encenada pela protagonista deixa de ser mero isolamento físico para configurar dramatização radical da condição humana. A narrativa literária oferece, assim, um campo privilegiado para investigar como a solidão, quando levada ao extremo, expõe a estrutura ontológica do existir. Ao radicalizar a ausência de mediações sociais e simbólicas, a obra permite explicitar, de forma quase experimental, aquilo que na vida cotidiana permanece velado: a condição de um existir que, mesmo privado de referências compartilhadas, permanece convocado a sustentar-se e a atribuir sentido à própria existência.
A solidão como experiência radical em Eu que nunca conheci os homens
Eu que nunca conheci os homens (1995/2021), de Jacqueline Harpman, acompanha “A Quarenta”, mulher que passa a vida confinada em uma cela subterrânea com outras trinta e nove prisioneiras, vigiadas por guardas impessoais. Sem saber a razão do encarceramento nem o que ocorreu no mundo exterior, as mulheres vivem em um limbo existencial até que um acontecimento inexplicável as liberta.
Ao saírem, descobrem um planeta deserto, onde a maioria sucumbe ao desespero e à incapacidade de lidar com a liberdade, morrendo uma a uma. Quarenta, porém, sobrevive sozinha, enfrentando um vazio físico e simbólico, um anonimato ontológico no qual não há referência nem pertencimento. Isso se evidencia quando afirma: “Não sou capaz de lamentar aquilo que não conheci” (Harpman, 1995/2021, p. 115) e “Eu só conheço a planície pedregosa, a errância e a lenta perda da esperança, eu sou o rebento estéril de uma raça da qual nada sei, nem mesmo se desapareceu” (Harpman, 1995/2021, p. 114). A narradora reconhece-se sem origem e sem legado, em ruptura com a história, a linguagem e o outro. Tal condição pode ser compreendida, à luz de discussões contemporâneas, como expressão extrema de desenraizamento existencial, no qual a perda de referências simbólicas compromete não apenas o pertencimento social, mas a própria possibilidade de constituição de sentido (Holanda da Silva & Décio, 2020).
Na obra, a solidão não se reduz ao isolamento social, mas assume o estatuto de experiência estrutural do existir. Em termos heideggerianos, não se trata da supressão ontológica do Mitsein (ser-com), mas de sua forma deficiente: a coexistência permanece como estrutura do Dasein, porém esvaziada de concretude relacional. O Dasein não deixa de ser-com, mas encontra-se privado de alteridade efetiva, confrontado com o próprio existir. Tal condição, conforme discutido anteriormente, pode ser compreendida como tonalidade afetiva fundamental, na qual o estar-só não constitui mero estado psicológico, mas modo de abertura ao próprio ser. Nessa direção, pode-se afirmar que a solidão, enquanto disposição, revela o modo como o Dasein se encontra lançado, expondo-o à experiência de si mesmo sem mediações, o que intensifica sua dimensão existencial (Moreira & Santiago Almeida, 2025).
O desamparo da personagem torna-se ainda mais evidente quando, completamente só, ela clama: “Senhor, se você estiver em algum lugar aí em cima e não tiver muito o que fazer, venha conversar um pouco comigo, eu estou muito sozinha e isso me faria feliz” (Harpman, 1995/2021, p. 180). Diante do silêncio, conclui: “Nada aconteceu. Então só me resta pensar que a humanidade, da qual me pergunto se realmente faço parte, tinha de fato muita imaginação” (Harpman, 1995/2021, p. 180). Aqui se manifesta o estar-só em sua radicalidade: ser lançado no mundo sem garantias, confrontado com a finitude e com o vazio de sentido. À luz das reflexões desenvolvidas em Mundo, finitude e solidão, essa experiência explicita a singularização do Dasein diante da impossibilidade de delegar a outrem a tarefa de existir. Tal condição aproxima-se de experiências clínicas contemporâneas nas quais o sujeito relata não apenas isolamento, mas uma sensação de não pertencimento ao mundo compartilhado, evidenciando formas radicais de solidão existencial (Sales et al., 2025).
Esse desamparo se intensifica quando a protagonista questiona: “Não sei se ainda consigo falar” (Harpman, 1995/2021, p. 122), reconhecendo, logo em seguida, que isso pouco importa desde que está “num mundo onde não há ninguém com quem conversar” (Harpman, 1995/2021, p. 122). O silêncio adquire dimensão ontológica: não é apenas ausência de som, mas impossibilidade de relação, empobrecimento da linguagem diante da ausência concreta de alteridade. A solidão, enquanto disposição afetiva, expõe a personagem à experiência de um mundo que já não responde. Tal experiência aproxima-se de situações clínicas nas quais o sujeito relata sentir-se não apenas isolado, mas ontologicamente desenraizado, como se o mundo houvesse perdido sua capacidade de responder. Nesses casos, a escuta fenomenológico-existencial não se orienta imediatamente à supressão da solidão, mas à compreensão do modo como ela revela a estrutura singular do existir.
Dentre os diversos elementos que estruturam a narrativa, destaca-se a experiência da solidão radical como eixo organizador da obra. Assim como o Dasein está lançado no mundo (Heidegger, 1927/1989), a protagonista, ao fugir da cela, também se vê lançada a um mundo no qual deve construir seus próprios significados. A indagação “Será que o planeta onde eu vagava tinha mil outros semelhantes espalhados pelo céu estrelado?” (Harpman, 1995/2021, p. 155) expressa o impulso humano de buscar alteridade mesmo quando toda possibilidade concreta de encontro parece inexistente, indicando que o ser-com persiste como estrutura, ainda que apenas como possibilidade imaginada.
Se, por um lado, ela “sentia com força que estava sozinha” e que “esse fato nunca mudaria” (Harpman, 1995/2021, p. 160), por outro, a hipótese de outros mundos revela a oscilação entre aceitar a solidão como condição ontológica e desejar a existência de um outro que pudesse espelhar sua experiência. Essa ambivalência é constitutiva da experiência da solidão, que, conforme apontam Mariotti et al. (2025), não pode ser compreendida de modo unívoco, mas como campo de tensão entre sofrimento e possibilidade.
O confronto com a finitude aparece de modo explícito quando declara: “Eu só estarei realmente morta se ninguém vier, se passarem tantos séculos (…) Enquanto as folhas cobertas pela minha escrita permanecerem em cima desta mesa, eu poderei me tornar uma realidade em alguma mente” (Harpman, 1995/2021, p. 178).
A escrita emerge como tentativa de sustentar a continuidade do ser. A protagonista reconhece que sua existência depende da memória e da possibilidade de ser significada por outro, ainda que apenas imaginado. Essa constatação exprime a finitude, pois a permanência da escrita é provisória, assim como o próprio universo. Ao escrever, ela mantém aberta a possibilidade do ser-com, ainda que sob a forma de promessa, evidenciando que a estrutura relacional do existir não se extingue, mas se reinscreve simbolicamente.
A obra é atravessada pela consciência da morte iminente, “vamos morrer uma depois da outra” (Harpman, 1995/2021, p. 97), intensificando a dimensão trágica da existência. A passagem do confinamento para o mundo aberto simboliza também a liberdade que o contato com o “fora” proporciona. Em perspectiva fenomenológico-existencial, Medard Boss (1976) compreende a liberdade não como atributo psicológico ou escolha voluntarista, mas como abertura constitutiva do Dasein às suas próprias possibilidades de ser. A existência humana é sempre um poder-ser, lançado a um campo de possibilidades que não depende de garantias externas, mas da disposição de assumir-se enquanto projeto. Tal dimensão torna-se evidente quando a protagonista rompe com o enclausuramento e passa a sustentar, sozinha, a tarefa de significar sua própria existência em um mundo sem referências estáveis (Harpman, 1995/2021, p. 62).
Desse modo, sua solidão ultrapassa a ausência de companhia, constituindo condição estrutural de seu ser. Diferentemente das outras mulheres, sua existência ocorre em um espaço e tempo nos quais referências, vínculos e significados foram destruídos. Contudo, ao descobrir a solidão física, experiência banal à humanidade, mas inédita para ela, a protagonista “toma gosto por aquilo” (Harpman, 1995/2021, p. 73). Essa experiência ecoa o que Yalom (2007) define como isolamento existencial: uma lacuna inevitável entre o eu e os outros, dimensão ontológica que não se elimina com a simples presença física. Mesmo quando há convivência, permanece uma distância estrutural que impede a fusão plena entre consciências. No caso da protagonista, essa distância não é apenas estrutural, mas radicalizada pela ausência concreta de alteridade, o que intensifica a exposição do Dasein a si mesmo e favorece um processo de singularização.
Tal radicalização do isolamento não afeta apenas o campo relacional, mas alcança a própria constituição temporal da existência. Se, para Heidegger (1927/1989), o Dasein é essencialmente temporal, projetando-se para o futuro, reinterpretando o passado e habitando o presente como articulação dessas dimensões, a ruptura dos vínculos históricos e intersubjetivos compromete essa dinâmica. Não havendo continuidade narrativa compartilhada, o tempo tende a esvaziar-se de espessura existencial. Esse empobrecimento da temporalidade pode ser compreendido como efeito do rompimento das mediações simbólicas que sustentam a historicidade do existir.
Nessa direção, a afirmação “Eu vivia num presente perpétuo” (Harpman, 1995/2021, p. 10) ganha densidade ontológica. O presente deixa de ser abertura projetiva e transforma-se em repetição desprovida de horizonte. A ruptura da continuidade histórica fragiliza a estrutura temporal do Dasein (Heidegger, 1927/1989), cuja existência é sempre projetiva e lançada adiante de si.
Ainda assim, ao afirmar que sua história é tão importante quanto a do rei Lear ou do príncipe Hamlet, a protagonista realiza um gesto decisivo, pois reinscreve-se simbolicamente na tradição humana, reativando a dimensão histórica que lhe fora negada. Ao mencionar Lear e Hamlet, ela reinsere sua experiência no horizonte compartilhado da cultura, recusando a redução de sua existência ao anonimato absoluto. Se o isolamento ameaça reduzir o tempo a um presente estanque, a escrita torna-se tentativa de restituir ao existir sua espessura narrativa e sua abertura ao porvir.
Na cela, embora fisicamente reunidas, as mulheres experimentam uma forma peculiar de solidão: destituídas de nomes, histórias pessoais e diálogo autêntico, tornam-se números. A mera presença corporal não garante reconhecimento. A convivência não se converte em comunidade. Nessa condição, o Mitsein não desaparece pois permanece como estrutura constitutiva do Dasein (Heidegger, 1927/1989), mas apresenta-se em sua forma empobrecida, esvaziada de reciprocidade e de mundo compartilhado. Quando, posteriormente, são “libertas” para um espaço exterior deserto, essa rarefação torna-se ainda mais evidente na travessia por paisagens silenciosas, corpos mumificados e vestígios de uma humanidade já extinta.
Nesse horizonte de desolação a escrita assume um estatuto decisivo. Ela não se reduz a registro memorialístico, mas configura-se como gesto ontológico de reinscrição do ser-com no horizonte do possível. Ao escrever para ninguém, a protagonista mantém aberta a possibilidade de um leitor futuro, preservando, ainda que apenas como promessa, a estrutura relacional de sua existência.
Essa condição aproxima-se da compreensão de Boss (1976), para quem a solidão pode ser pensada como forma deficiente de comunidade. Não se trata da ausência absoluta de estrutura relacional, mas de sua precariedade concreta. Essa compreensão pode auxiliar o psicólogo fenomenológico a distinguir entre solidão enquanto sintoma relacional e solidão enquanto experiência estruturante, evitando reduzi-la automaticamente à categoria de déficit ou patologia. No estado liminar em que se encontra, a protagonista recria-se pela escrita, produzindo significados em meio ao nada. Sua afirmação de que só morrerá definitivamente quando tudo desaparecer (Harpman, 1995/2021, p. 178) expressa essa resistência ontológica: a existência persiste enquanto houver possibilidade de ser significada.
A solidão radical atravessa também a dimensão corporal. Ao afirmar que “os sentimentos continuam um mistério para mim” (Harpman, 1995/2021, p. 168), a protagonista evidencia um estranhamento que alcança o próprio corpo, tradicional mediador da intersubjetividade. A experiência aproxima-se da noção de solidão corporificada discutida por Chen et al (2022), na medida em que o isolamento não é apenas relacional, mas vivido na própria sensibilidade. Em diálogo com Merleau-Ponty (Furlan & Bocchi, 2003), compreende-se que o corpo não é objeto entre outros, mas o modo pelo qual o sujeito habita o mundo; mesmo no isolamento extremo, é por meio dele que a protagonista permanece em relação com a realidade.
Quando declara “eu sou o rebento estéril de uma raça da qual nada sei” (Harpman, 1995/2021, p. 114), explicita a impossibilidade de constituir-se historicamente a partir do outro. A ruptura da tradição compartilhada compromete a continuidade narrativa da existência. Sua solidão, portanto, não se reduz à falta de companhia, mas configura-se como impossibilidade de compartilhar uma história comum. Tal condição pode ser compreendida como forma radical de descontinuidade existencial, na qual a ausência de transmissão simbólica compromete a própria inteligibilidade do ser-no-mundo.
A leitura existencial de sua trajetória evidencia, assim, que a solidão não anula o ser; antes, expõe dimensões fundamentais da experiência humana. No silêncio, na ausência de reconhecimento e na dissolução da historicidade comum, emergem liberdade, responsabilidade e criação de sentido como tarefas inevitáveis do existir. A solidão radical da protagonista revela a tensão constitutiva entre ser-com e estar-só, tornando visível a estrutura relacional que sustenta a experiência humana, mesmo quando as formas concretas de convivência se desfazem. Desse modo, a narrativa evidencia como a solidão pode operar não apenas como sofrimento, mas como condição que convoca o sujeito à responsabilidade diante da própria existência.
Considerações finais
A leitura fenomenológico-existencial de Eu que nunca conheci os homens permite compreender a solidão não apenas como efeito do isolamento social, mas como condição originária do existir humano. Em um cenário contemporâneo no qual, segundo a OMS (2025), mais de 1,2 bilhão de pessoas vivenciam a solidão, o fenômeno tende a ser reduzido a problema psicológico ou déficit relacional. Este ensaio, ao contrário, propõe um deslocamento ontológico ao pensar a solidão não como falha da convivência, mas como dimensão constitutiva do ser-no-mundo, em consonância com perspectivas recentes que questionam sua redução ao campo do déficit (Dantas & Souza Filho, 2025).
O ser-com, enquanto estrutura ontológica do Dasein (Heidegger, 1927/1989), constitui-se como modo inevitável de existir. Mesmo na solidão radical, o humano permanece marcado pela abertura ao outro, ainda que apenas como possibilidade, memória ou expectativa. A protagonista de Harpman revela que o ser-com não se extingue na ausência concreta de companhia; ele se torna mais visível justamente quando as formas habituais de compartilhamento colapsam. Tal compreensão permite reconhecer que a solidão não é exterior à relação, mas uma de suas modulações possíveis.
A literatura, por sua natureza simbólica e sensível, oferece, nesse contexto, uma via privilegiada de compreensão fenomenológica do humano. A narrativa de Harpman funciona como campo fenomenológico no qual a existência se desvela em sua concretude, ambiguidade e desamparo. Ao expor a protagonista tanto no confinamento quanto na liberdade paradoxal do mundo deserto, a obra evidencia o que ocorre quando o ser humano é privado da possibilidade de constituir-se pelo reconhecimento mútuo, aproximando-se do que tem sido descrito como experiências contemporâneas de desenraizamento existencial (Holanda da Silva & Décio, 2020).
Dessa experiência emerge uma reflexão fecunda na qual a solidão, longe de ser apenas uma falta, mostra-se como campo de responsabilidade e liberdade. O ser-aí lançado, ao perceber-se só, não encontra propósitos dados nem garantias externas; precisa assumir a tarefa de construir significações para sua própria existência. A responsabilidade pelo existir não surge como escolha opcional, mas como consequência inevitável da condição de estar-só. Construir autenticidade em um mundo que não oferece respostas prontas implica enfrentar, individualmente, as consequências de suas escolhas, o que recoloca a solidão como experiência ética fundamental.
Assim, a solidão revela-se não como negação do humano, mas como experiência que expõe sua estrutura mais própria. O ser-com não elimina o estar-só; antes, torna-o consciente ao evidenciar a tensão constitutiva entre coexistência e responsabilidade individual. Mesmo isolado, o ser humano permanece aberto ao sentido, sustentando-se na linguagem, na imaginação e na liberdade de projetar-se. Tal abertura reafirma o caráter inacabado da existência, que não se encerra na ausência de vínculos, mas se reconfigura diante dela.
Este ensaio preocupou-se, portanto, em recolocar a solidão no horizonte ontológico da fenomenologia existencial, articulando literatura e filosofia para ampliar sua compreensão no campo psicológico. Ao invés de reforçar leituras patologizantes, buscou-se evidenciar que a solidão pode constituir um lugar de revelação do ser ou, mais precisamente, um espaço originário no qual emergem liberdade, finitude e criação de sentido. Em consonância com produções contemporâneas, compreende-se que a solidão pode operar como tonalidade afetiva fundamental, desvelando a condição do sujeito em sua relação com o mundo e consigo mesmo (Moreira & Santiago Almeida, 2025).
Para a prática clínica fenomenológico-existencial, essa compreensão implica sustentar a experiência da solidão sem reduzi-la apressadamente à lógica do déficit. A escuta clínica pode acolher o estar-só como experiência que convoca o sujeito à responsabilidade por seu poder-ser, reconhecendo que nem toda solidão demanda supressão imediata, mas, por vezes, elaboração e apropriação. Tal posicionamento contribui para resistir à medicalização da existência e reafirma a clínica como espaço de abertura ao sentido, em consonância com abordagens que compreendem a solidão como experiência ambígua e potencialmente transformadora (Mariotti et al., 2025).
Na solidão radical da protagonista, a existência se revela em sua dimensão mais própria: aquela em que o ser humano, privado de garantias ou certezas externas, precisa sustentar e inventar o sentido de ser. A obra de Harpman mostra que, mesmo quando todas as formas concretas de convivência se desfazem, o humano permanece como abertura e é justamente nessa abertura que a solidão se torna possibilidade de desvelamento ontológico.
Desse modo, a narrativa não apenas tematiza a solidão, mas a radicaliza enquanto experiência-limite que expõe a estrutura do existir. Ao deslocar o fenômeno do campo exclusivamente psicológico para o horizonte ontológico, este estudo reafirma que a solidão não deve ser compreendida apenas como carência a ser eliminada, mas como dimensão constitutiva da condição humana, muitas vezes ambígua, dolorosa, mas também, potencialmente reveladora. Tal deslocamento contribui para ampliar o campo de compreensão da psicologia contemporânea, ao reconhecer na solidão não apenas um problema a ser resolvido, mas uma experiência a ser compreendida em sua complexidade e potência existencial.
Referências
Boss, M. (1976). Solidão e comunidade. Revista da Associação Brasileira de Daseinsanalyse, n. 2, 25-45.
Chen, R., Liu, S., Lin, J. & Kan, M. K. (2022). Paul Auster and August Brill’s solitary rooms: the spatiality of solitude. Trans/Form/Ação, 45 (4), 183-204. https://doi.org/10.1590/0101-3173.2022.v45n4.p183
Dantas, J. & Souza Filho, J. A. (2025). Solidão em tempos de multidão: reflexões contemporâneas. Revista NUFEN: Phenomenology and Interdisciplinarity. 17, 01-13. https://submission-pepsic.scielo.br/index.php/nufen/article/view/26209/1663
Dantas, J. B., Sá, R. N., & Carreteiro, T. C. O. C. (2009). A patologização da angústia no mundo contemporâneo. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 61(2), 1-9. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672009000200010&lng=pt
Ferreira, A. (2011). Aurélio júnior. Editora Positivo.
Figueiredo, H. C. N., & Zanetti, F. M. (2023). Os modos de ser do homem na contemporaneidade: Uma análise fenomenológico-existencial. Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, 8(15), 180-197. https://doi.org/10.37067/rpfc.v13i1.1147
Furlan, R. & Bocchi J.C. (2003). O corpo como expressão e linguagem em Merleau-Ponty. Estudos de Psicologia, 8(3), 445-450. https://www.scielo.br/j/epsic/a/RmBNRmVhDydstrCX9wB6j3B/?format=pdf&lang=pt
Harpman, J. (2021). Eu que nunca conheci os homens. Dublinense.
Heidegger, M. (1989). Ser e tempo. Vozes.
Heidegger, M. (2003). Os conceitos fundamentais da metafísica: Mundo, finitude, solidão (M. A. Casanova, Trad.). Forense Universitária.
Heidegger, M. (2007). A questão da técnica (E. C. Leão, Trad., 2ª ed.). Scientia et Labor.
Holanda da Silva, R.., & Décio, R. (2020). Um Olhar Fenomenológico sobre as Crises Existenciais na Contemporaneidade. Revista De Filosofia Moderna E Contemporânea, 8(1), 285–305. https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.28914
Lima, P. (2012). Heidegger e a Fenomenologia da Solidão Humana (Tese de Doutoramento). Universidade Nova de Lisboa.
Macedocouto, G. S. & Junior, A. F. S. (2017). Solidão: do patológico ao ontológico. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 17(1), 07-24. https://pepsic.bvsalud.org/pdf/epp/v17n1/n17a02.pdf
Mariotti, L. C. C., Silva-Ferreira, T., Ogassavara, D., Ferreira-Costa, J., & Montiel, J. M. (2025). Solidão e afetos: concepções clínico-existenciais. Mental, 17(32), 24-32.https://doi.org/10.5935/1679-4427.v17n32.0004
Moreira, V. & Callou, V. (2006). Fenomenologia da solidão na depressão. Mental, 4(7), 67-83. https://pepsic.bvsalud.org/pdf/mental/v4n7/v4n7a05.pdf
Moreira, N. C., & Santiago Almeida, F. (2025). Páthos e disposições fundamentais: As Tonalidades Afetivas na Fenomenologia de Heidegger. Pensando - Revista De Filosofia, 16(37), 261–276. https://doi.org/10.26694/pensando.vol16i37.5768
Organização Mundial da Saúde. (2025). Da solidão à conexão social: Relatório da Comissão da OMS sobre Conexão Social. https://www.who.int/groups/commission-on-social-connection/report
Pereira, K. (2024). O behaviorismo como pensamento calculador: uma crítica norteada pela filosofia de Martin Heidegger (dissertação de mestrado). Universidade Estadual do Oeste do Paraná https://tede.unioeste.br/bitstream/tede/7643/2/Katieli_Pereira_2024.pdf
Perlman, D. & Peplau, L. (1982). Loneliness: A Sourcebook of Current Theory, Research and Therapy. In Peplau, L.; Miceli, M. & Morasch, B. Loneliness and Self-Evaluation. 135-151.Wiley.
Sá, R., Mattar, C. M. & Rodrigues, J. T. (2006). Solidão e relações afetivas na era da técnica. Revista do departamento de psicologia, 18(2), 111-124. https://www.scielo.br/j/rdpsi/a/dS87wJbfXRtSQHcQBF5qnPG/?format=pdf&lang=pt
Sales, T. P. G. de, Lima, M. C. da S., Costa, L. R. L., Nunes, R. de M., & Feitosa, L. W. B. (2025). Da solidão ao extremismo: análise fenomenológica existencial do isolamento social na adolescência. Revista JRG De Estudos Acadêmicos, 8(19), e082491. https://doi.org/10.55892/jrg.v8i19.2491
Veschi, B. (2019). Etimologia de solidão. Etimologia: Origem do Conceito. https://etimologia.com.br/solidao/
Yalom, I. D. (2007). Psicoterapia existencial. Editora Vozes.
Jurema Dantas
Universidade Federal do Ceará
Correspondência: juremabdantas@gmail.com
Sara Maria Valentim Costa Lima
Universidade Federal do Ceará
Correspondência: saravalentim410@gmail.com
Revista IGT na Rede, v. 23, nº 45, 2026, p.1-29 DOI 10.5281/zenodo.22286523
Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526