ARTIGO

Aspectos Éticos, Políticos e Antropológicos da Identidade do  Docente Hospitalar de Crianças Gravemente Doentes:  Abordagem Gestáltica.

Aspectos éticos, políticos y antropológicos de la identidad del profesor hospitalário de niños gravemente enfermos: el enfoque gestáltico.

Ethical, political and anthropological aspects of the teaching hospital  identity of children seriously ill: gestalt approach.

Hugo Ramón Barbosa Oddone

RESUMO

Este artigo apresenta os aspectos éticos, políticos e antropológicos da  identidade do docente hospitalar de crianças e adolescentes gravemente  doentes, e foi recortada de uma pesquisa realizada por um psicólogo na  Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP – Brasil, para a obtenção do  Mestrado em Educação e Saúde na Infância e Adolescência. Para estabelecer  um campo integrado da Educação e da Saúde, onde encontramos este  professor, definimos teórica e metodologicamente os conceitos do atendimento escolar hospitalar (AEH), área nova – com forte influência da racionalidade  técnica – com tendências de integração, de emancipação, com formação  reflexiva dos profissionais em serviço. Através duma metodologia construída  para a obtenção dos dados necessários analisamos a significação que a  literatura especializada brasileira entre os anos 2009/2014 atribui à identidade  do professor AEH, de crianças e adolescentes gravemente doentes hospitalizadas. Encontramos modelos de Educação, dedicados a estas  especificidades, determinados pelas limitações que o hospital e a situação do  aluno-paciente impõem. Vulnerabilidade e empoderamento ético, pelo cuidado  e proteção do aluno-paciente; político, pelas garantias de continuidade de sua  escolaridade; antropológico, pois estas perspectivas referenciam a formatos  únicos, a cuidado individualizado, a conteúdos curriculares específicos, ou seja,  a novos modelos antropológicos da docência. Na prática, a identidade deste  professor, arrancada da literatura, aparece como figura idealizada, solicitando  autorização para se empoderar dos espaços já conquistados. Em outras  palavras, um professor que abandona os aspectos políticos e antropológicos da  sua identidade na dependência das instâncias decisivas das Políticas Públicas.

Palavras-chave: 1. Identidade; 2. Professor hospitalar; 3. Educação e Saúde.  4. Teoria do Self; 5. Gestalt-terapia.

RESUMEN

Este artículo presenta los aspectos éticos, políticos y antropológicos de la  identidad del profesor de classes hospitalarias para niños y adolescentes  gravemente enfermos, y fue recortada de una investigación realizada en la  Universidade Federal de Sao Paulo– UNIFESP – Brasil, para la obtención del  grado magister en Educación y Salud en la Infancia y en la Adolescencia. Para  establecer un campo integrado de la Educación y de la Salud, donde  encontramos este profesor, definimos teórica y metodológicamente los  conceptos fundamentales de esta nueva área – con fuerte influencia de la  racionalidad técnica – con tendencias de integración, de emancipación, con  formación reflexiva de los profesionales en servicio. A través de una metodología construida para la obtención de los datos necesarios analizamos  la literatura especializada brasileña entre los años 2009/2014. Buscamos la  significación que esta literatura atribuye a la identidad del profesor hospitalario  de niños y adolescentes gravemente enfermos. Encontramos modelos de  Educación, dedicados a estas especificidades, determinados por las  limitaciones que el hospital y la situación del alumno-paciente imponen.  Vulnerabilidad e empoderamiento ético, por el cuidado y protección del alumno paciente. Político, por las garantías de continuidad de su escolaridad. Estas  perspectivas referencian a formatos únicos, a cuidado individualizado, a  contenidos curriculares específicos, o sea, nuevos modelos antropológicos de  la docencia. En la práctica, la identidad de este profesor, arrancada de la  literatura, aparece como figura idealizada, solicitando autorización para  empoderarse de los espacios ya conquistados. En otras palabras, un profesor  que abandona los aspectos políticos y antropológicos de su identidad en la  dependencia de las instancias decisivas de las Políticas Públicas.

Palabras-clave: 1. Identidad; 2. Professor hospitalario. 3. Educación y Salud.  4. Teoria del Self; 5. Terapia Guestáltica.

ABSTRACT

This article presents the ethical, political and anthropological aspects of the  identity of the teacher's hospital classes for children and teenagers seriously ill,  and it is cropped from a research conducted at the Universidade Federal de  São Paulo -UNIFESP -Brazil, for obtaining the degree of magister in education  and health in childhood and adolescence. To establish an integrated field of  education and health, where we find this teacher, we define theoretically and  methodologically the fundamentals of this new area - with a strong influence of  technical rationality - with trends of integration, emancipation, with reflexive  training professionals in service. Through a methodology built to obtain the data  necessary to analyze Brazilian literature between the years 2009 / 2014. We  are looking for the significance of this literature attributed to the identity of the  hospital teacher of severely ill children and adolescents. We find models of  education, dedicated to these specificities, determined by the limitations  imposed by the hospital and the situation of the student-pacient. Ethical, for the  care and protection of the student-pacient. Policy, by the continuity of its  schooling guarantees. These perspectives referenced to unique formats, to  individualized care, to specific curricular contents, i.e., new anthropological  models of teaching. In practice, the identity of this Professor, torn from the  literature, appears as idealized, requesting authorization to empower the  already conquered space. In other words, a professor who abandons political  and anthropological aspects of their identity in dependence of critical instances  of public policies.

Keywords: 1. Identity; 2. Hospital’s teacher; 3. Education and health. 4. Theory  of the Self; 5. Gestalt-therapy.

INTRODUÇÃO

O objetivo deste trabalho é compreender a identidade do docente atuante em  contexto hospitalar, o professor para o atendimento escolar hospitalar. Esta  tarefa, fenomenologicamente, só seria possível se focássemos um determinado  professor, em contextos e circunstâncias determinados, nas suas relações com  o aluno-paciente, com o hospital, etc.

Na busca de elementos para compor a fundamentação teórica, observamos  que a identidade docente esteve sempre na formação e na aprendizagem da  docência.

Mizukami (2005; 2006) expõe uma identidade que é construída lentamente  entre pares na medida em que se apreendem os conteúdos específicos da  docência. Outros autores relacionam teoria e prática como tema de formação;  já Silva (2013) observa que existe desde 1918, com os primeiros estudos de  Bobbit sobre currículo escolar, a prevalência de componentes ideológicos da  cultura dominante na construção dos currículos de formação dos professores.  Acrescenta que esse currículo forma aquilo que cada professor é: sua  identidade, sua subjetividade. Uma das vertentes curriculares apresentada pela  autora é aquela de agente de conexão entre identidade e poder, no qual a  atividade profissional é instrumental, ou seja: como e o que ensinar?  Associamos essa perspectiva à construção de uma identidade operacional,  executora de tarefas.

Pela vertente da Teoria Crítica, diferentemente do técnico e instrumental, Silva  (1999), coloca o olhar na ênfase de caminhos a serem percorridos, além de  focar a construção de uma identidade, traz elementos de resistência e de  libertação. A resistência vem carregada de teor freiriano, e com isso a proposta  de crítica à prática de um currículo oculto em prol de uma libertação das  relações sociais de dominação. A identidade docente pode ser observada  como liberadora de componentes rotineiros e impulsivos.

Schön (1983) associa a racionalidade técnica com a prática em si e a  caracteriza como uma herança do positivismo na qual a competência  profissional está diretamente relacionada com a aplicação na prática dos  conhecimentos teóricos advindos da academia, mas desta forma não há  espaço pessoal para a reflexão do desenvolvimento pessoal do professor e do  aluno.

Para Pimenta (2002), a proposta de Schön, para a formação de professores  valoriza a experiência e a reflexão na experiência, e remete a um  conhecimento tácito que é formado no cotidiano. No entanto, para ser  suficiente precisa retomar a sua própria mudança, que garanta intersubjetividade na reflexão. Neste contexto, é preciso inserir o aspecto  institucional da qual este professor faz parte.

Nestes autores, não verificamos espaços de aprendizagens complexas, com  estudos de casos problemas, resolvidos de forma colaborativa,  interdisciplinarmente, presentes na contemporaneidade, principalmente no  campo da saúde. Covic (2008), com foco na aprendizagem da docência em  espaços hospitalares, pressupõe que o local de prática situada pode se tornar  uma estratégia para o ensino-aprendizagem – nomeando essa condição de  formação em serviço da docência hospitalar. Assim, professores em ação no  hospital, mobilizados por processos formativos que envolvem a ação  comunicativa, ressignificam conhecimentos implícitos da docência para o  espaço institucional da Saúde e da Educação. Todo este processo de reflexão  é um mecanismo de constituição do “ser professor”, uma função para a  construção de identidade profissional com relação estreita com o ambiente de  formação.

O objeto deste estudo é apreender elementos significativos da identidade do  docente hospitalar, identidade esta refletida nos artigos científicos sobre a  atenção escolar hospitalar (AEH). Por meio dessa desconstrução na busca de  significação e posterior reconstrução pretende-se desvelar figuras  representativas da área da Educação e Saúde, bem como aspectos de  vulnerabilidades e empoderamentos éticos, políticos e antropológicos, assim  como outros aspectos que nos possibilitem alcançar a resposta central deste  estudo.

Assim, é propósito deste estudo preencher um vácuo existente, do ponto de  vista psicológico, na conceituação do professor hospitalar. Assim, na  contramão das tendências oficiosas e oficiais da racionalidade técnica,  pretendemos apresentar a identidade pela sua subjetividade e  intersubjetividade. Primeiramente, abordamos por meio de debates e reflexões  de cunho documental a Identidade do docente hospitalar de crianças e  adolescentes gravemente doentes e suas significações na literatura científica.

Para embasar o estudo de cunho documental, lançaremos mão da Gestalt terapia que – esquivando-se de uma concepção generalista, isto é, do  professor como entidade rígida - preocupa-se com o indivíduo em uma relação  fenomenológica de busca de significados, e nos empresta elementos teóricos  de grande valia para a discussão que ora apresentamos.

Principalmente, nestes últimos tempos, aqui no Brasil, autores diversos, da  Gestalt-terapia, começaram, talvez para dar sequência à proposta perlsiana de  transcender os muros da clínica, a pensá-la com uma visão mais axiológica,  mais filosófica, e pintam a identidade, de acordo à definição de Perls, Hefferline & Goodman (1997) com cores éticas, políticas e antropológicas, que nos leva a  um enriquecimento conceitual do nosso sujeito em pauta, o professor pedagogo ou professor licenciado (em ciências, português, etc.) de crianças e  adolescentes gravemente doentes hospitalizados.

Por outro lado, o que nos interessa sob o ponto de vista metodológico, não é  exatamente fornecer um quadro ortodoxo e acabado da construção da  identidade destes docentes que atuam em ambiente hospitalar, mas sim  sistematizar recursos teóricos desta abordagem, embasados em Perls,  Hefferline e Goodman (1997), por um lado, e os Müller-Granzotto (2012a,  2012,b), por outro, além da fenomenologia, o método escolhido por esta  abordagem, mas também de nossa própria experiência enquanto psicólogo,  educador e acadêmico. (ODDONE, 2014; COVIC, 2011).

FUNDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

Ao fundamentar o termo Educação, encontramos posições dessemelhantes.  Uma delas diz respeito à etimologia da palavra Educação, que ao caracterizar  o ato de educar, que vem de ex ducere, remete ao significado para conduzir ou  levar para fora. Diferentemente, a Educação enquanto sistema sugere  integração a uma comunidade que, por vezes, em meio às tensões, localiza  seu significado entre os desejos pessoais e aqueles do grupo social envolvido  com a comunidade. Nessas situações, surgem imposições ditadas pelas regras  de convívio, cujo sentido conduz para dentro de um espaço (CORTELLA,  1999). Todavia, o que se pode deduzir a partir destes dois pontos de vista é o  caráter de mobilidade da Educação, isto é, uma ação que visa a transformação  do sujeito. Transformação ao nível da cultura, da apropriação da herança  cultural e histórica, da incorporação dos hábitos e costumes sociais, enfim, da  própria ideia da criação do humano – ideia que a modernidade viria a  transformá-la em direito e dever inalienáveis (MANACORDA, 1992).

De forma geral, a educação escolar, como nos apresenta Ariés (1981), Cortella  (1999) e Freitas (2011), dentre outros, deve atender a três polos: o da base  científica, o da formação crítica para a cidadania e o da solidariedade. Deve  também garantir que os alunos tenham acesso ao conhecimento universal  acumulado, além de evitar que a apreensão do conhecimento científico tenha  relação direta com o pragmatismo imediatista, segundo o qual, frequentar a  escola básica é aprender a trabalhar.

Nesse sentido, é a partir de uma formulação curricular pautada nestes  pressupostos que se poderá balizar um trabalho de cunho mais específico,  como o atendimento a alunos hospitalizados. Para tanto, a realidade do aluno  deve ser o principal aspecto a ser considerado nesta concepção, já que de  nada adiantaria a aplicação de um modelo ideal diante de um grupo, ou mesmo  de alunos individuais, cujas necessidades demandam um atendimento  pormenorizado – dadas as consequências inerentes ao quadro de  adoecimento.

Ao tomarmos como fonte a realidade como ponto original da organização  curricular, é inevitável a consideração sobre o seu parentesco à noção de  contemporaneidade, tal como Agamben (2009), e em geral, a Gestalt-terapia a  entendem. O “agora”, nesse sentido, torna-se tão imprescindível quanto o  futuro que se planeja da ação educativa, pois esse “agora”, no ambiente hospitalar, diferente do modelo da escola tradicional, cuja rigidez estrutural  obedece a uma lógica de funcionamento, terá por principal característica a  mobilidade; uma mobilidade que não somente servirá de guia para todo o  planejamento do trabalho, como, inclusive, poderá se constituir na sua principal  característica. Para marcar um ponto inicial de reflexão, observamos que a  construção do currículo no espaço da contemporaneidade significa contemplar  espaços exteriores da sala de aula tradicional. (ODDONE & COVIC, 2014).

EMANCIPAÇÃO

O abandono na Educação do projeto de emancipação dos sujeitos em prol de  sistemas econômicos para a manutenção desses é recorrente nos discursos  das Ciências da Educação, quando diz respeito à construção da identidade  social dos educadores. Preocupação também presente, principalmente nos  documentos de Saúde Coletiva, no que tange aos parâmetros de Educação em  Saúde, quando vê no sujeito emancipado do sistema, mesmo usuário deste,  aquele que tem o poder de cuidar de si, da família e do seu entorno  (TRAVESSO-YÉPEZ, 2004).

Igualmente em Freire (2000), que reitera “educar para a emancipação” é estar  aberto ao contorno geográfico, social, político, cultural, familiar e comunitário, a  fim de que as diferenças sejam respeitadas e isto possibilite ao indivíduo,  enquanto sujeito histórico e social, a capacidade de transformar a si e seu  contexto social.

Goodman et al. (PHG, 1997) aponta que o social, ao ignorar os membros de  uma comunidade e dar vida própria ao estado de coisas, cristaliza  emancipações criadoras de inserção integral em determinado campo, o que  indica que a teoria gestáltica está em consonância com a nossa reflexão.

Neste sentido, amplos setores demandaram que a Educação se aproximasse  mais dos aspectos éticos, coletivos, comunicativos, comportamentais,  ressaltando a necessidade de se ofertar uma educação emancipadora aos  futuros cidadãos. Assim, há uma valorização da importância do sujeito, de sua  participação e, portanto, também a relevância que a bagagem sociocultural  quer dizer a comunicação, o trabalho em grupo, a tolerância, a elaboração  conjunta de projetos, a tomada de decisões democrática, etc. assume na  Educação (IMBERNÓN, 2001).

GESTALT-TERAPIA E EDUCAÇÃO

Confiar na auto regulação organísmica revela-se como um critério mais  coerente para o desenvolvimento de uma ética não moralista e não vinculada a  uma perspectiva higienista: é a proposta que os gestaltistas dos anos setenta  apresentam, nessa mesma linha de reflexão, nos campos da psicoterapia e da  política educacional (PERLS, HEFFERLINE & GOODMAN, 1997).

A ética de Goodman passa a se basear na confiança, no ajustamento criador,  ou seja, um processo de contato sem interrupções (STOEHR, 1997). Goodman  replica essa tese para outros campos além da política e da psicoterapia,  apresentando seus argumentos como enfoque crítico para se pensar a  educação. No ensaio Growing up absurd, Goodman (STOEHR, 1997) objetiva  mostrar a realidade da juventude americana, nos anos sessenta, “que crescia  sem propósito e sem contato com a realidade” (p.53).  

Goodman, já alinhado às propostas da teoria crítica, constata, segundo seu  biógrafo Stoehr (1997), que na América a escola tem o papel social de prender  os jovens nos horários escolares e de “ocupá-los” em um determinado período  do seu dia. Tal como uma ocupação ou um trabalho, quando exclusivamente,  validando o sustento e não a satisfação, a escola forma para já se  acostumarem com esse sistema. Espera-se que as escolas disciplinem a  sexualidade exuberante dos jovens e, no pior dos casos, que os mantenham  fora das ruas.

Para Goodman, a educação deveria estimular a curiosidade, a imaginação, o  desenvolvimento humano, a expressão da sexualidade e a integração com a  comunidade (BELMINO, 2014).

O trabalho de Goodman tem uma relação material com a ideia de uma  Educação Crítica e a sua contribuição deve ser vista na direção da construção  de uma teoria, mesmo que o universo de referência não seja exatamente o  mesmo que o da Educação, a aproximação aqui é objeto de reflexão e não de  referencial teórico.  

Aproximamos Goodman de Ayuste, pois, no nosso entendimento, Goodman faz  parte da vertente da ação comunicativa (abordagem consensual na  classificação realizada por AJUSTE et al., 1999). Justificamos tal inserção com  base na biografia realizada por Stoehr (1997), que explicita que na história  política de Goodman, em algum momento, foi visto reconhecidamente como ideólogo do I. Illitch, e por esse motivo, por vezes, considerado pertencente à  vertente anarquista. No entanto, após os livros “Gestalt-therapy” (1951) e  “Growing up absurd” (1962), Goodman auxilia na fundamentação e criação das  bases teóricas e técnicas da nova terapia gestáltica, e ao mesmo tempo alinhando-se às correntes da Educação consideradas críticas e, principalmente  à abordagem da ação comunicativa.

Em linhas gerais, para os teóricos iniciais da Teoria Crítica, a principal tarefa da  educação é o fortalecimento das formas de resistência aos processos de  inculcação ideológica da indústria cultural, que se manifesta por meio das  interações sociais determinadas pela racionalidade sistêmica.

Apropriamo-nos dos conhecimentos de uma geração atual dos teóricos críticos,  entre eles Habermas (2012). Para este autor, a escola é um espaço público de  acesso ao saber, porém com uma capacidade clara de interagir  comunicativamente com os diversos setores que compõem a estrutura de uma  sociedade. Para que isto aconteça é preciso que a cultura originária do mundo da vida de cada indivíduo seja explícita ou argumentativamente exposta à  crítica. Assim, a ação orientada ao entendimento se consolidará naturalmente.

Professores e alunos caminham em direção de seus atos no sentido da busca  existencial da emancipação, a educação vem carregada de um agir direcionado  para o entendimento intersubjetivo. Um agir que consente o estabelecimento  de formas coletivas de aprendizagem em um processo de formação. Para tal, o  consenso é critério de validação do sentir, do pensar e do agir; assim, estamos  reunindo o que consideramos condições e possibilidades da emancipação na  contemporaneidade.

DA SAÚDE

Para a Gestalt-terapia, saúde implica em um reconhecimento da capacidade do  indivíduo em se manter em contato com seu contexto, contanto que, dentro de  um processo de escolha espontâneo, possa optar sobre a melhor forma e o  melhor momento de efetuar suas trocas com seu mundo (RODRIGUES, 2000).

Entretanto, a concepção de saúde em si não é de fácil estruturação, já que  existem vertentes que levam a lugares dissonantes. Para Coelho e Almeida  (2002), do ponto de vista epistemológico, a dificuldade de conceituar Saúde é  reconhecida desde a Grécia antiga. A discussão segue pelas vertentes que por  ora revelam um direito conquistado por meio de ações organizadas, um olhar  para a Saúde enquanto equipamento tecnológico e a saúde como ato humano  que está em todo lugar em busca de emancipação e integração.

Por vezes, prevalece na história a concepção negativa de Saúde, que é vista  como ausência de doença e na outra polaridade a concepção positiva: a ideia  de promover a saúde e não apenas de curar a doença. Emergem daí os  conceitos de vigilância da saúde, políticas públicas saudáveis e cidades  saudáveis, articulados à noção de promoção da saúde pela mudança das  condições de vida e de trabalho da população (SCHERER et al., 2005).

No cenário nacional, há uma forte influência da concepção negativa de Saúde,  principalmente no ambiente escolar, uma vez que existem modos de atuação  curricular que preveem planejamentos ao longo de um ano escolar e em  seriação de conteúdos; dessa forma, o aluno é o sujeito que, mesmo  acometido de uma doença grave, retornará à escola em um espaço de tempo  prescrito e dentro do que se considera padrão para cursar o ano escolar  (COVIC, 2008).  

Da década de 1950 até 1970, a formação em Saúde voltava-se para a prevenção. Após os anos 70, sua tendência foi para a Medicina Social,  desligando-se do núcleo homogêneo que seguia. Ao definir seus quadros de  formação teórica, a Medicina Social enfatiza a formação em serviço e a  pesquisa passa a se preocupar com o biológico e o social. Como esse objeto  de pesquisa é estranho aos diferentes grupos de trabalho da Medicina  Preventiva, a atualização se faz necessária e um grande número de docentes e pesquisadores é envolvido nessa nova configuração (BEZERRA JR. e SAYAD,  1993).

A formação continuada em Saúde passa a ser inerente à profissão e um  grande número de especialidades surge para atender uma demanda formativa  e também a complexidade que os tratamentos alcançam.

Também na Educação do Brasil, entre as décadas de 1950 a 1970, a formação  era composta com aspectos homogeneizantes, uma vez que as escolas  seguiam currículos independentes das especificidades dos alunos. A estrutura  do sistema escolar previa a entrada de poucos e um funil de saída controlado  pelas avaliações. Com a proposta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação,  Lei Nº 5.692, de 11 de agosto de 1971, ampliou-se o acesso às escolas,  porém, os currículos alinharam-se à tendência tecnicista para atender ao  mercado de trabalho e, consequentemente, a formação de professores,  diferentemente daquela da Medicina, foi acelerada.

Neste cenário, não existe na educação a preocupação da formação em serviço  e sim um distanciamento entre o processo formativo para a docência e  pesquisa e a prática nas escolas. Também devemos notar a tendência da  criação de cursos com formação exclusiva para as licenciaturas, desatrelados  dos bacharelados. Com isso, diminui-se o tempo de formação dos professores  e amplia-se a abertura de diferentes especializações, para cumprir demandas  não abarcadas pela graduação inicial (COVIC, 2008).

SAÚDE: EMANCIPAÇÃO E INTEGRAÇÃO

O modelo de atenção à saúde no Brasil tem sido historicamente marcado pela  predominância da assistência médica curativa e individual e pelo entendimento  de saúde como ausência de doença, princípios definidores da Medicina  Científica, baseada no modelo Flexneriano (FLEURY-TEIXEIRA et al., 2008).

Se considerarmos que no momento histórico em que Flexner propõe os  alicerces da Medicina Científica, a consigna e a condição eram o “sacerdócio  da medicina”, ou ainda, que o destaque ao caráter humano da prática sempre  esteve contemplado, Flexner ou o flexnerismo não podem ser  responsabilizados pelos exageros cometidos pela Medicina Científica.

A desumanização do atendimento, a inserção das modalidades de produção  capitalista na prática médica, bem como a fragmentação do trabalho médico e  a consequente perda da responsabilidade sobre o paciente, por parte das  especializações, são alguns dos resultantes deste processo ocorrido ao longo  do século XX, os quais foram atribuídos equivocadamente ao flexnerismo.

Entendemos que a sensibilidade humana, componente essencial do exercício  profissional, vincula saúde à vida plena e realça a dimensão ética do trabalho  médico, com ênfase no relacionamento afetivo, de respeito, com sensibilidade  e fraternidade. Valores estes que os profissionais do campo da Saúde enfatizam e permanecem em constante construção, processos caros à  contemporaneidade.

No Brasil, quando a proposta impressa pelo Modelo Clínico passa a responder  somente parcialmente aos problemas da organização das ações e serviços de  saúde e como uma maneira de atender às necessidades de saúde da  população, implanta-se o Sistema de Saúde Pública (SUS). Outros princípios  surgiram na sociedade, entre eles a implementação da concepção de Saúde  como condição de direito e cidadania (SCHERER et al., 2005).

Não se trata apenas de definir saúde como imposição de normas de vida, na  qual todo excesso é visto como um risco à saúde e adquire uma dimensão  culpabilizante; nem de entendê-la como direito conquistado através de ações  institucionais organizadas e externalizadas; nem saúde como um bem  disponibilizado e adquirido por meio de processos mercantis ou políticos; nem  saúde como valor humanístico decorrente de atos volitivos solidários (COELHO  & ALMEIDA, 2002). Trata-se de construir um espaço onde a positividade  conviva com a negatividade, entendendo a saúde como um todo, que inclua e  interaja consensualmente com a Educação, professores e alunos-pacientes e  outras dimensões disciplinares.

ATENDIMENTO ESCOLAR HOSPITALAR

Por meio de algumas dissertações e artigos, classificamos em quatro grupos a  problemática do AEH: a) Educação, mediando o hospital e o aluno-paciente; b)  Educação como um reforço para a cura do aluno-paciente; c) Educação como  

formadora e garantia de continuidade e retorno à escola de origem; e, d)  Educação, integrando os três itens anteriores. Em geral, os artigos demonstram  certa dispersão ou falta de unanimidade por parte dos próprios profissionais e  dos pesquisadores quanto aos propósitos do AEH e do papel do professor  hospitalar. (OLIVEIRA, 2010; SALDANHA & SIMÕES, 2013).

A IDENTIDADE DO PROFESSOR HOSPITALAR PELA VISÃO DA  GESTALT-TERAPIA

Para debater a identidade a partir da teoria do self, empresta-se de Ayres  (2003) a expressão vulnerabilidades no sentido de contextualizar as situações  de conflito presentes nas relações contextuais professor hospitalar/aluno paciente. Nosso esforço consiste, por meio da exposição dos conceitos da  teoria do self em suas funções id, ego e personalidade, confrontá-los às  publicações que se encontram na literatura especializada acerca do AEH, mas  procurando a identidade do professor hospitalar. A pesquisa foi pensada em  duas etapas, essa primeira, é uma construção teórica, já que não existe  referente publicado em relação à temática, e que implica numa revisão da  literatura especializada, na análise e debate de alguns temas que aparecem  nos artigos específicos. O próximo passo, contará com a intervenção em  campo e a concomitante construção de dados.

De acordo à visão gestáltica (MÜLLER-GRANZOTTO, 2007) são três  perspectivas diferentes que podemos ter de uma experiência. Nesta pesquisa,  podemos encontrar rastros, evidências do funcionamento do self numa  experiência de AEH, verificando as ocorrências deste processo na literatura  específica. Buscar as conexões do self do professor atuante em ambiente  escolar. O self apresenta-se como:

a) Uma função Personalidade, ou seja uma réplica verbal, de um conteúdo  objetivo, marcado pelo pronome reto nós ou mais especificamente “eu”,  que representa a unidade de uma experiência que antecedeu à frase em  questão e com a qual o professor se identifica. É a identidade do  professor, que só podemos entendê-la em relação com seu aluno paciente e com todo o contexto que o rodeia. Uma identidade que se  renova constantemente e que, ao mesmo tempo, permanece.

b) Uma função Ego que é a ação mesma do dizer, e do fazer, o ato  pedagógico em si, e que só é possível se o professor ou o aluno  retomam, por meio do seu aparelho fonador, de suas possibilidades de  articulação motora, e da adequação ou reformatação, no aqui-e-agora,  de conteúdos pedagógicos ou, dito de outra forma, através do uso da  linguagem, adquirido no passado, percebidos em forma de ação – todas  as ações do ato pedagógico realizados deliberadamente de ambas as  partes, no aqui-e-agora.  

c) Uma função Id, que é a própria forma linguageira, que não é ainda um  conteúdo objetivo com o qual o professor ou aluno possa se identificar,  que se assim acontecesse já seria a função Personalidade. A forma  linguageira é apenas o índice impessoal da ligação mundana do  professor com o aluno (e vice-versa) e com os falantes da língua  portuguesa (ou de outras línguas caso o professor se depare com  alunos estrangeiros), a qual, neste caso, no momento da aula tenta se  repetir, impulsionando assim a função do ato de criar um novo dizer por  intermédio das possibilidades abertas pela atualidade física da situação  (MÜLLER-GRANZOTTO, 2007).

Este último aspecto da relação professor-aluno, correspondente à função ID do  self, que sempre considera uma gênese e, principalmente por apresentar claros  indícios de uma alta vulnerabilidade, pela situação da internação e outras  presentes na relação, traz aspectos do que chamaremos de vulnerabilidade  ética, pela forma como ela proporciona elementos do passado, elementos  espaciais e a necessidade de acolhimento ao estranho e ao amparo  (significado original de ethos), já que a criança e o adolescente gravemente  doente precisam deste acolhimento por parte do professor, do mesmo modo  que o professor, enquanto estranho na instituição hospitalar, também precisa  de alguma forma de proteção ou acolhimento.

O aspecto da relação professor-aluno que focaliza o aqui-e-agora deste  vínculo, focado no presente da relação, que definimos como a função Ego ou  Ato do self, mostra-nos aspectos políticos e suas características vulneráveis, já  que o professor deve mediar as relações próprias e do seu aluno-paciente com o universo hospitalar, com a própria família do aluno, assim como com a escola  de origem à qual o aluno-paciente precisa ficar vinculado enquanto realiza seu  tratamento.

Os aspectos que aparecem na relação professor/aluno-paciente que  configuram sua identidade no momento presente, geralmente a partir de uma  resposta verbalizada à simples perguntas de “quem é você?” ou “o que você  está fazendo aqui?” e aos quais podemos denominar de função Personalidade  do self, que, reiteramos, é sempre relacional, nos apresentam vulnerabilidades  e empoderamentos de ordem antropológica. São modelos ou formas de ser  professor, neste caso um professor hospitalar em 2014, diferente de um  professor de sala regular, diferente de um professor de 1940, ou mesmo  comparativamente entre um hospital do começo do século XX e um hospital  para crianças e adolescentes portadores de câncer em 2014.

MÉTODO

Localizamos nas características propostas pelos autores Esteban (2003) e  Demo (2011), a ancoragem para, de forma rigorosa, construir o objeto de  nossa investigação. Assim, existe um campo de estudo que é contextual, no  qual o conhecimento é também tácito tanto por parte do investigador como dos  participantes, de modo que os fenômenos têm caráter ideográfico e a lógica  compreensiva povoa as reflexões.

Utilizamos diferentes modos de capturar os sentidos que expressam a  identidade dos professores em ambiente hospitalar. Para tanto, lançamos mão  da literatura especializada através da leitura de revisões bibliográficas de  grande relevância a este campo, como através da busca de novos debates que  vêm surgindo nos últimos anos sobre o assunto.

Figura 1 – Quadro explicativo da relação fenomenológica entre a significação  do fenômeno e sua compreensão. TURATO, 2003, pág 464.

MÉTODO DOCUMENTAL

Para a construção de dados, foi necessário o trabalho a partir da perspectiva  do método documental, já que os artigos foram utilizados como documentos  científicos. Neste momento, nosso objetivo pautou-se num planejamento de  leitura sistemática cujo propósito consistiu em identificar o processo de  construção da identidade docente, gerando uma base classificatória das  vertentes pelas quais se orientam seus respectivos autores.

Para tanto, a proposta de pesquisa pretendeu a apreensão dos sujeitos pela  compreensão dos elementos constituintes de sua visão de mundo em suas  práticas sociais (MANNHEIN, 1976). Weller (2005) nos sugere que  perguntemos constantemente como se constitui tal realidade social ao invés de  questionar qual é tal realidade, já que o centro são os sujeitos envolvidos nesse  contexto. Para isso é preciso compreender e expressar as modulações de  significado, entendendo que não existe separação entre as modulações e o  todo.

Justificamos essa proposta pela necessidade de compreender a relação entre  o indivíduo, a textualidade e o esquema conceitual, construídos de maneira  significativa pelos sujeitos em suas experiências e trajetórias.

O objeto deste estudo é apreender elementos significativos da identidade do  docente hospitalar, identidade esta refletida nos artigos científicos sobre AEH.  Por meio dessa desconstrução na busca de significação e posterior  reconstrução pretende-se desvelar figuras representativas da área da  Educação e Saúde, bem como aspectos de vulnerabilidades e  empoderamentos éticos, políticos e antropológicos, assim como outros  aspectos que nos possibilitem alcançar a resposta central deste estudo.

Num segundo momento, abordamos os dados estruturados, ou seja,  realizamos uma análise conjunta do sentido imanente e expressivo, e além  destes, a abrangência e compreensão do contexto geral no qual o nosso  sujeito se encontra. Nesta etapa da pesquisa, construímos dados estruturados  por meio do movimento de categorização compreensiva dos elementos  coletados nos artigos. Após leitura flutuante dos mesmos, nos envolvemos com  a categorização das funções do self (MÜLLER-GRANZOTTO, 2012b), que num  processo de detalhamento, se apresenta em oito categorias para cada uma das  três funções do self, tais como a) concepção das funções, que se desdobra em  fundo histórico impessoal, ação e identidade; b) reflexão que se desdobra em  instrumental, regulativa e intersubjetiva; c) intencionalidade que se desdobra  em exploração, contato e ajustamento criativo; d) vulnerabilidades que podem  ser éticas, políticas e antropológicas; e) awareness que pode ser sensorial,  deliberada e reflexiva; f) ação comunicativa que pode ser “fala-falada” no  sentido merleau-pontyano, fala-falante ou fala comunicativa (MERLEAU PONTY, 1945; HABERMAS, 2012); g) resposta criativa que se desdobra em  uma busca de razão, ações impulsivas como fuga, aniquilação do meio social ou ajustamento manipulatório, e/ou em ajustamentos inclusivos sincrônicos; e  h) desvios que podem ser ações que se pautam por critérios do passado,  ajustamentos baseados no conflito e na conquista fracamente reflexiva, ou  ajustar e ajustar-se criativamente à escolarização hospitalar. Estes critérios  servem para pautar a leitura que, ocorrendo simultaneamente, norteiam nossa  leitura e reflexões sobre os resultados encontrados.

Formulamos assim o objetivo deste estudo em forma de problema: como a  literatura científica significa a identidade do professor hospitalar de  crianças e adolescentes gravemente doentes?

DELIMITAÇÃO DA PESQUISA

Foi feita uma busca na base de dados da Scielo e os Anais do I e II Seminário  Internacional de Representações Sociais, Subjetividade e Educação – SIRSSE de artigos publicados. Foram usadas as seguintes combinações de palavras chave para esta busca:

"classe hospitalar" "formação de professores" identidade / "classe hospitalar"  "aprendizagem da docência" identidade / "atendimento escolar hospitalar"  "aprendizagem da docência" identidade / "atendimento escolar hospitalar"  "formação de professores" identidade.

A busca inicial indicou 300 artigos, nos quais constam as palavras-chave  combinadas sempre com o termo identidade. Em um segundo movimento, no  período cronológico de 2009 até 2013, apresentou-nos 59 artigos.

Posteriormente, já usando como critério a guia construída a partir da  categorização em oito critérios para cada uma das funções do self, desdobramo-los em sua tríplice expressão, por meio das três funções, Id, Ego,  Personalidade, e fizemos uma nova leitura do artigo, assumindo a postura  fenomenológica de representar o interlocutor num diálogo com o artigo, nas  modulações de essencialidade, de expressividade e de significação  comunicativa, na medida em que estes artigos, na descrição focalizada do  universo do AEH, acontecem num determinado local geográfico, num momento  histórico e social, relacionados à situação da Educação, em especial e à  Saúde, em particular, evidenciando-nos um horizonte peculiar, tradicional,  tecnicista ou emancipatório, e um perfil profissional do professor hospitalar,  focalmente uma caracterização das suas vulnerabilidades éticas, políticas e  antropológicas desta parceria professor hospitalar/aluno-paciente e as  condições potenciais de empoderamento deles.

Gadamer (1997), considera os textos objetos culturais que adquirem valor  transcendental, entretanto, distinto do teórico-cognitivo das Ciências Naturais.  Desse modo, enfatizamos a não neutralidade na compreensão dos diferentes  documentos pesquisados. Pretendemos com isso rever nosso próprio espaço  na Educação e Saúde e em movimento espiralado construir novas significações de modo a encontrarmos, nesse movimento, posições de  múltiplas significações (SPAGNUOLO LOBB, 2002).

RESULTADOS E DEBATES

Módulo objetivo da  

análise documental na  relação com a função ID do self

Módulo expressivo da  análise documental na  relação com a função  EGO do self

Módulo documental da  análise documental na  relação com a função  PERSONALIDADE do  self

Artigo 1: A formação

pedagógica de professores para  atuar em ambiente hospitalar e  o uso das mesas educacionais  (CANALLI, M. P ., 2011)

Artigo 1: Representações

sociais da atuação do pedagogo  na saúde: saberes envolvidos e  experiências compartilhadas  (AQUINO; SARAIVA &  

BRAÚNA, 2012)

Artigo 1: Pedagogia hospitalar: uma discussão acerca da  

humanização e educação nos  hospitais (ALVARES &  

CELORIO, 2012)

Artigo 2: Os desafios da

formação do pedagogo para o  trabalho no contexto hospitalar  (SOUZA, 2007)

Artigo 2: A não-escola: os

sentidos atribuídos à escola e ao  professor hospitalares por  

pacientes oncológicos  

(MARCHESAN et al., 2009)

Artigo 3: Pedagogia hospitalar: a prática do pedagogo em  instituição não escolar (WOLFF,  2007)

Artigo 3: Afetividade e

ludicidade: elementos  

fundamentais no processo de  ensino aprendizagem das  

crianças hospitalizadas  

(FERREIRA, 2010)

Figura Nº 2 .- Artigos selecionados para a presente pesquisa. Os sete artigos selecionados  aleatória e proporcionalmente dentre os 59 que foram publicados entre 2008 e 2014. Eles  foram analisados em função da presença ou não dos descritores construídos para detectar os  aspectos relevantes das três funções Id, Ego e Personalidade da Teoria do Self, da identidade  do professor AEH.

MÓDULO OBJETIVO DA ANÁLISE DOCUMENTAL NA RELAÇÃO COM A  FUNÇÃO ID DO SELF

O artigo A formação pedagógica de professores para atuar em ambiente  hospitalar e o uso das mesas educacionais (CANALLI, M. P., 2011) foi  escolhido para representar a produção para esta modulação. Neste módulo, a  intencionalidade dos pesquisados tem em um primeiro plano os desafios que o  professor em AEH encontra e ele vem marcado pela negação do lugar que  passa a ocupar, manifestado nos documentos pelo espaço do não-lugar (CERTEAU, 1998), remetendo assim à reflexão para a comparação com os  rituais escolares tradicionais. Em um segundo plano estão os aspectos  instrumentais associados ao AEH, de tal modo que intencionam a humanização  hospitalar, os saberes profissionais, as tecnologias utilizadas, os processos que  suportam o ensino e a aprendizagem. Os documentos dizem de um mundo que  é comum a todos e, que, entretanto, não encontramos no universo das escolas  regulares qualquer proximidade com aquele hospitalar.

Salientamos que no rol instrumental não existe referência à avaliação de  desempenho e outros tantos instrumentos de medidas utilizados na Educação.  Significamos a ausência do tema avaliação por dois caminhos, em um deles o  caráter de inovação que é atribuído ao desenvolvimento das atividades  escolares hospitalares, associam a esse trabalho a ideia de algo sempre no  início e com isso a avaliação fica no espaço-tempo do “a ser realizada”. Outro  caminho é aquele também ligado ao fundo histórico do trabalho hospitalar, a  representação que se tem dessa atividade que está relacionada com o rol de  “atividades nobres”, assim não carecem de avaliação.

MÓDULO EXPRESSIVO DA ANÁLISE DOCUMENTAL NA RELAÇÃO COM  A FUNÇÃO EGO DO SELF

Dos sete artigos selecionados aleatoriamente, são três os documentos que  representam este módulo em estudo:- Representações sociais da atuação do  pedagogo na saúde: saberes envolvidos e experiências compartilhadas (AQUINO; SARAIVA & BRAÚNA, 2012), - Os desafios da formação do  pedagogo para o trabalho no contexto hospitalar (SOUZA, 2007) e, - Pedagogia hospitalar: a prática do pedagogo em instituição não escolar (WOLFF, 2007).

Quanto à categoria Concepção, da função Ego do self, a busca de contato vem  fortemente ancorada na ideia de necessidade de formação de professores  especializados por meio das relações de estágio supervisionado em educação  especial, ou ainda cursos específicos. Busca-se também vínculo com classes  hospitalares por meio de projetos acadêmicos. A busca é assim orientada para  contatos que possibilitem o empoderamento teórico.

A categoria Reflexão foi significada como de fundo regulativo, enquanto que na  categoria Intencionalidade, existe nos documentos um diálogo de exposições  de buscas de coisas prontas e isto, sugere evitação e não contato.

A Categoria Vulnerabilidade se manifesta pela busca de contato por retroação,  problematização e posterior acomodação aos elementos que consideram  adversos. Buscam superar as adversidades com a solicitação de políticas  públicas em apoio às suas necessidades.

Na Awareness, a busca se dá pela afetividade na relação com os alunos pacientes, manifestada nas atividades escolares realizadas e os professores se  dão conta da importância da escolarização praticada no hospital.

Por fim, os professores não apresentam resposta criativa para as demandas do  meio, dissociando teoria de prática. Almejam elementos teóricos advindos de  cursos de formação para a Educação Especial e com isso, ofertam um discurso  reconstrutivo com base em suas experiências. Nesse sentido, a reflexão do  meio pode ser considerada como fracamente reflexionante. (PIMENTA, 2002).

MÓDULO DOCUMENTAL DA ANÁLISE DOCUMENTAL NA RELAÇÃO COM  A FUNÇÃO PERSONALIDADE DO SELF

Neste módulo trabalhamos todas as funções do self, entretanto, de acordo ao  propósito deste texto, apresentamos os resultados referentes à última função  abordada, qual seja: a identidade do self: a função Personalidade do self.

Nada mais próximo, nessa função, que a ideia ou noção de identidade com a  qual lidamos nesta pesquisa (MÜLLER-GRANZOTTO, 2012a). Trata-se, neste  último momento do self, de seu invólucro final, isto é, a aparência visual (e  verbal) que se mostra ao mundo. E por se tratar de um processo de  ajustamento criativo, esta função em sua forma aparente, de personalidade, se  expressa através da atividade categorial formadora de conceitos elaborados  através da experiência. Como nosso objeto consistiu em problematizar de que  modo se constitui a identidade do professor hospitalar, ao chegarmos nesse  ponto previamente delineado em nossa metodologia, esperamos identificar de  que modo a função personalidade manifesta-se na literatura especializada.  Comentamos anteriormente sobre a urgência de consolidação da diversidade  que o campo da pedagogia vem apresentando, sobretudo no que tange aos  espaços de atuação não-escolares. A necessidade de ampliar esse debate é  consensual em toda a literatura especializada. Para identificar a função  personalidade nesta etapa do trabalho, trazendo-a para o debate da identidade  profissional, servimo-nos de outros três artigos, escolhidos aleatoriamente  entre os 59 identificados por nós. O caráter de aleatoriedade cabe ressaltar,  deve-se ao propósito de evitar qualquer tipo de objetivação na resposta a  nossa pergunta. O primeiro artigo consultado, Pedagogia hospitalar: uma  discussão acerca da humanização e educação nos hospitais (ALVARES &  CELORIO, 2012) traz uma perspectiva analítica que nos permite identificar a  função personalidade, já que os autores partem da ideia de um novo campo  instaurado, não em constituição.

“[...]... justificamos a necessidade do profissional da educação para  

minimizar os efeitos negativos acarretados pela hospitalização. Para  

que isso se concretize mais amplamente, há a necessidade de se  

repensar a formação dos futuros pedagogos, de forma que os cursos  

contemplem matrizes específicas para a possibilidade de atuação em  

ambientes clínicos. É importante pensar o hospital como um local de  

educação e desenvolvimento, destinado às crianças internadas, onde  

não se priorize a doença, negligenciando os fatores sociais e afetivos,  

mas que vise um olhar voltado para a totalidade do ser.”

(ALVAREZ & CELÓRIO, 2012, p. 16).  

A partir dessa ótica, isto é, do que eles reconhecem como realidade dada, dá se ênfase à aproximação humanística na relação entre o professor e o aluno  internado. Além disso, o autor reconhece a legislação como parte integrante  dessa realidade e advoga a favor de uma pedagogia que “vise a um olhar  humanístico e global para o paciente”. A função personalidade, neste contexto,  pode ser localizada num primeiro momento através da própria discussão de  ordem bibliográfica proposta pelo autor, o que configuraria uma função  personalidade pautada numa reflexão metalinguística, apesar de referenciada em pesquisadores das mais diversas abordagens metodológicas. Ademais, a  função personalidade pode ser localizada neste estudo na medida em que a  reflexão se impõe em direção ao ideal, sem considerar os entraves ou  problemas de ordem concreta, ou mesmo das questões mais minuciosas que  poderiam impedi-la; estas fariam mais jus ao id e ao ego do self.

No segundo estudo por nós consultado, A não-escola: os sentidos atribuídos à  escola e ao professor hospitalares por pacientes oncológicos (MARCHESAN et  al., 2009), também verificamos que a não-escola, isto é, o hospital, adquire  uma realidade objetiva, concreta, de modo que os sentidos, a partir disso, se  tornam atividades categoriais, formadoras de conceitos, portanto, favoráveis à  construção da identidade docente. O estudo conclui que o professor  

“[...] é carregado de uma carga afetiva bastante positiva, e o saber por  

ele vinculado ganha aspectos diferenciados. A escola hospitalar deve  

se afirmar e pautar sua atuação nas suas diferenças, mesmo quando  

baseadas na ausência, assumindo-se, assim, como espaço escolar  

específico”. (MARCHESAN et al., 2009, p. 489)

Ora, a personalidade, de acordo com estes autores, se manifesta já no plano  da figura-ambiente ao afirmarem se tratar de um espaço escolar específico.  Sendo assim, num território legítimo, constituído por leis específicas, o  professor terá, com efeito, também adquirido sua identidade local, isto é, sua  caracterização própria, protegida e sancionada pela função personalidade.

A função personalidade configura-se neste estudo a partir da produção de  sentidos atribuídos à escola e ao professor hospitalares (COVIC, 2003). Pois  produzir sentidos corresponde, aqui, a esta função do self na medida em que a  criatividade se põe em ação, configurando, assim, uma representação. Cabe  observar, ainda, que se a não-escola é vista como um espaço de  aprendizagem mais agradável, talvez isso se deva ao desprestigio social que a  escola tradicional assiste socialmente desde os anos da crise (décadas de  1970-80) (CERTEAU, 1998). Esse “espaço”, que não é espaço algum, senão  através de uma aura simbólica que compreende o momento essencial de  ensino e aprendizagem, mostra o seu significado mais primitivo, o do sentido  de aprender e o de ser conduzido a esse fenômeno, relação aparente e  paulatinamente abandonada na rotina da escola tradicional. Objeto de  pesquisas futuras. (COVIC, 2008; COVIC & OLIVEIRA, 2011).

No último texto desta série, cujo título é Afetividade e ludicidade: elementos  fundamentais no processo de ensino aprendizagem das crianças  hospitalizadas (FERREIRA, 2010), também se confirma a localização da classe  hospitalar como uma realidade dada, o que corrobora a função personalidade  do self. Neste artigo, a figura do pedagogo atuante neste espaço é abordada  de modo definido: o autor o chama de Pedagogo Hospitalar. Em que pese a  sua relação com a constituição da identidade docente, se tomarmos este  estudo como base, podemos vinculá-lo de modo imediato ao seu ambiente de  trabalho como se este constituísse uma realidade tangível. Contudo, como  sabemos, o campo se mostra ainda dentro de características híbridas, de modo  que a reificação do espaço de trabalho e da profissão não passam de meras especulações teóricas. A função personalidade identifica-se neste texto na  medida em que o que se apregoa como elementos fundamentais ao processo  de ensino aprendizagem são a afetividade e a ludicidade; isto é, a atividade  categorial está pronta, o professor atuante nesse ambiente poderá se favorecer  a partir desses elementos que para o autor constituem o fundamento para seu  bom desempenho profissional. É o tipo de risco que se corre ao tratar de  fatores afetivos quando o que está em questão é a relação humana e todo o  peso histórico, social e psicológico que esta pode conter.

Considerando, finalmente, as três funções do self em vista da constituição da  identidade docente em ambiente hospitalar, podemos afirmar, ainda que não  de modo definitivo, que o professor deverá se atentar para o aqui-agora  constituinte de seu trabalho e para a multiplicidade de contatos que estabelece  neste novo ambiente. Por se tratar de um campo ainda germinal, este  professor, diferente de um egresso de um campo legítimo, deverá enfrentar a  angústia semelhante à de um apátrida, mas de um apátrida intencional, pois ao  distanciar-se de seu território original, estando dele distante, encontrar-se-á no  que há de mais elementar em sua essência: o encontro com o outro, o ensino e  a esperança na aprendizagem. (MÜLLER-GRANZOTTO, 2012b)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um significado diz respeito a um lugar de fuga, portanto de autoexílio da  profissão em espaço convencional, haja vista a forte representação social de  crise instaurada na educação desde as últimas décadas do século passado. Remetemo-nos à questão das vulnerabilidades éticas do professor num espaço  não convencional: o hospital de crianças e adolescentes gravemente doentes. Assim, a constituição desta identidade possuiria traços que poderiam ser  ancorados a esta categoria. O professor, longe de seu lugar de origem e,  provavelmente atraído pelo status que o campo da saúde oferece, assemelhar se-ia ao imigrante que, descontente com a situação de seu lugar original, busca  a prosperidade em outra região. Por outro lado, se a imigração deste professor  for motivada pela experiência frustrada na escola convencional, ou, o que é  pior, pelo medo, então sua formação identitária equivaleria a do apátrida ou  daqueles que, no estado de exceção, buscam refúgio e acolhimento. Nos dois  casos, essa construção identitária teria por desvantagem o distanciamento de  sua origem, mas justamente por essa distância, reforçaria seus vínculos  através não mais da matéria, mas pelo que Perls, Hefferline e Goodman (1997)  chamaram de status quo, isto é, um retorno aos hábitos elementares do ofício  do professor, às filigranas que dão sentido ao encontro entre mestre e  aprendiz, mas que os ritos da escola convencional, talvez tenham há muito  contribuído para o seu atual estado de decadência. Os não-lugares possuem  esses efeitos; as razões para a diáspora são múltiplas. (CERTEAU, 1998;  HALL, 2006).

Os artigos selecionados para esta pesquisa, além das contribuições de Oliveira  (2010) e Saldanha & Simões (2013), descortinam um horizonte amplo sobre o universo do Atendimento Escolar Hospitalar. Nesta tela podemos observar uma  forte tentativa de construção de um campo de trabalho, e também uma escassa  experiência validada. Estas vivências relatadas parecem sempre acontecer  num mundo estranho, onde tudo é novo e diferente, onde o professor precisa  reinventar-se a cada momento, onde não há unanimidades, e onde, sobretudo,  o esforço maior parece ser o de reforçar posições políticas, essa luta, quase  sempre moldada em função de racionalidades técnicas.

Esta tendência observada parece avançar na contramão ao que discutimos  anteriormente sobre a orientação paradigmática tanto na Educação quanto no  campo da Saúde. Esta orientação é focada, por um lado, na confiança plena na  ex-ducere, no movimento de construção de formas para conter e dar forma e  vazão ao que vem de dentro para fora, à vivência plena do que é vivo, humano;  e, por outro, no movimento histórico de emancipação em relação a uma  educação que objetivava desenvolvimentos utilitaristas, com currículos  tecnicistas, a serviço do darwinismo cultural.

Assim, observamos que na maior parte dos textos que estamos a debater, há  uma ausência dessa orientação. A práxis, aparentemente, é de ocupação dos  espaços e de muito trabalho. Mas, do ponto de vista da identidade  propriamente dita, enquanto modificação de um modelo de atendimento  escolar, enquanto novo modelo antropológico aparece mais como uma postura  idealizada. O que é real é uma impressão de “faz-de-conta”. Como se o AEH  precisasse de autorização, de alguma hierarquia imaginária, para empoderar se dos espaços conquistados. O que nos remete àqueles espaços  certeaurianos chamados de não-lugar: o campo hospitalar como um lugar de  passagem, também para o professor.

Neste sentido, há sim uma novidade que salta aos olhos, de certa forma  moldando essa nova identidade do professor hospitalar qual, a atitude do  cuidar do aluno-paciente, em suas inúmeras demandas dentro do hospital,  esse cuidado que o professor de escola regular parece ter negligenciado, de  uns cinquenta anos para cá, como sequela negativa da democratização da  Educação pública e seu posterior sucateamento. O AEH tem primado em todas  as evidências documentais estudadas por este cuidado, que, por um lado, tem  características éticas, quando o professor garante para esse aluno-paciente e  seus familiares o acolhimento, a garantia da continuidade da sua escolaridade,  e o acolhimento para torná-lo semelhante nesse mundo tão dessemelhante.  Este aspecto antropológico de resgate do cuidado referencia cuidar das  questões da escolarização, num formato único, diferente da escola regular, já  que exige um cuidado pessoal, individualizado, um currículo específico. Desta  forma, percebemos que uma das respostas mais claras que obtivemos nesta  pesquisa enquanto perfil de identidade, é que o professor de crianças e  adolescentes gravemente doentes está resgatando aquela amorosidade  freiriana e que traz um campo novo afetivo para o professor desenvolver em si,  a pessoa, o profissional.

Se o objetivo desta investigação consistia na compreensão da formação da  identidade docente hospitalar e se, além disso, optamos por verificar de que  modo a Gestalt-terapia e a teoria do self poderiam contribuir nessa tarefa, tivemos o terceiro desafio de não justapor uma plataforma interpretativa sobre  uma base de dados que não a aceitasse, mas fazer desta plataforma uma fonte  que nos permitisse acompanhar o fenômeno sob o olhar rigoroso da ciência.

Do ponto de vista da necessidade de ajustamentos criativos do nosso professor  hospitalar, cabe-nos ainda refletir perante a ausência de indicadores ou  evidências quanto à superação de vulnerabilidades, denunciadas ou  assumidas, tanto num nível pessoal quanto institucional, por este professor que  enxergamos através da literatura específica. As evidências indicam  necessidades pontuais de reforçamento teórico de conhecimentos específicos  da especialidade, o desenvolvimento prático de necessidades específicas de  cada escola, ou até mesmo de uma procura por legislação específica que  garanta os espaços, que apontam muito mais como uma lista de desejos  empoderativos, e não como empoderamentos concretos, definitivos.

Vemos assim um professor que deixa estes aspectos antropológicos da sua  identidade na dependência das instâncias decisórias das Políticas Públicas.  Observamos também, através das evidências, que o nosso professor, neste  aspecto relevante, não tem poder decisório. A imagem que fica é a de um  

sujeito que se acomoda numa determinada posição, a do sujeito que olha para  cima em posição de “pedir”. Muito diferente do professor que representa,  teoricamente, em função da Educação e Saúde emancipadoras da  contemporaneidade, um professor paradigma para o AEH, um profissional que  integre em si e nos seus relacionamentos atitudes, currículos e  relacionamentos emancipadores. Enfim, este professor que, ainda precisa  apropriar-se do espaço conquistado e iniciar os processos proativos  administrativos e organizativos que as novas responsabilidades exigem.

Com espaço para um último comentário, queremos afirmar que toda resposta  de pesquisa torna-se tanto mais interessante sobre o que aventa do que o  lugar aonde finalmente pousou; e, neste sentido, reiteramos que os resultados  deste trabalho-pesquisa não devem ser vistos de outra forma, por um lado,  como a construção de um professor virtual por meio dos seus próprios artigos,  e por outro lado, como devir. Fica a sugestão de uma pesquisa-ação, pelo olhar  do psicólogo-pesquisador, com professores reais do AEH, aqui-e-agora, cara a  cara.

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Endereço para correspondência

Hugo Ramón Barbosa Oddone

E-mail: hogodone@gmail.com; hugo.oddone@hotmail.com

Recebido em: 09/12/2015

Aprovado em: 2112/2015

NOTAS

Hugo Ramón Barbosa Oddone :Psicólogo (CRP 06-23702) ; formado em  Assunção - Paraguai em 1970, com homologação do diploma na  UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP) em 1985. Especialista em Processos  grupais e terapia de grupo e em Teraapia de casais e família, na abordagem  gestáltica. Mestre em Educação e Saúde na Infância e Adolescência (Unifesp).  Docente na pós-graduação de Gestalt-terapia clínica na FAEF - Garça/SP. Fundador e atua coordenador do GESTALT-Núcleo de Psilcologia e Psicorerapia de São José do Rio Preto - SP

Revista IGT na Rede, v. 12, nº 23, 2015, p.268-294 DOI 10.5281/zenodo.15048645

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526