ARTIGO

Gestalt-terapia e orientação profissional: um relato de experiência

Gestalt-therapy and career counseling: an experience report

Karina Junqueira Menezes* Sílvia Oliveira de Alencar Ovelar** Evelyn Denisse Félix de Oliveira***

IGT-MS - Instituto de Gestalt-Terapia do Mato Grosso do Sul - Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
IGT-MS - Instituto de Gestalt-Terapia do Mato Grosso do Sul e UCDB - Universidade Católica Dom Bosco - Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
UCDB - Universidade Católica Dom Bosco e IGT-MS - Instituo de Gestalt-Terapia do Mato Grosso do Sul - Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A adolescência é uma fase marcada por mudanças, entre elas a transição da infância para o mundo adulto, cujo marco é o momento da escolha profissional. Voltada para essa demanda, tradicionalmente, a Psicologia interveio através da psicometria. Entretanto, reflexões acerca dessa forma de trabalho levaram à crítica desse modelo, que implicava na ideia do homem certo no lugar certo. Dessa forma, encaminhou-se a proposição de um novo método, a Orientação Profissional na perspectiva clínica. Esta tem como foco o sujeito, responsabilizando-o e propiciando-lhe autoconhecimento para que seja uma escolha consciente. A princípio, esse modelo formou-se sob orientação psicanalítica, mas este foco também vai ao encontro da visão de homem da Gestalt-terapia e alinha-se aos seus pressupostos e técnicas. Com o objetivo de demonstrar esse alinhamento, o presente trabalho é um relato de experiência de um grupo de Orientação Profissional formado por 15 adolescentes. Através da discussão teórica e da descrição das sessões, buscou-se mostrar como os conceitos e métodos gestálticos podem ser usados na Orientação Profissional. Os resultados da experiência do grupo mostraram que esses conceitos e métodos são adequados aos objetivos da Orientação Profissional clínica e podem contribuir para a escolha profissional.

Palavras-chave: Orientação Profissional; Gestalt-terapia; Método Fenomenológico.

 


ABSTRACT

Adolescence is a period marked by changes, including the transition from childhood to the adult world whose landmark is the vocational choice. Facing this demand, traditionally, psychology intervened through psychometry. However, reflections about this way of working led to criticism of this model, which implied the idea of the right man in the right place. Thus, lead to propose a new method, the Career Counseling in clinical perspective. This focuses on the subject, who is responsible for the choice and allowing self-knowledge to be a conscious and not just adaptive choice. At first this model was formed under psychoanalytic, but these objectives are in line with Gestalt therapy´s vision of man and align their assumptions and techniques. In order to demonstrate this alignment, the present work it is an experience report of a group of Career Counseling with 15 teenagers. By describing the sessions with the theoretical discussion, we tried to show how the concepts and Gestalt methods can be used in Career Counseling. The results of the group's experience showed that these concepts and methods are suitable to Career Counseling´s objectives.

Keywords: Career Counseling; Gestalt Principles; Gestalt Methods.


INTRODUÇÃO

A adolescência é uma fase marcada por mudanças, entre elas a transição da infância para o mundo adulto. O marco dessa passagem é o momento da escolha profissional, que pode ser vivido com muita ansiedade, dependendo do contexto em que o adolescente está inserido e do suporte que recebe. Voltada para essa demanda, tradicionalmente, a Orientação Profissional (OP) era realizada através da aplicação de testes a partir dos quais se descobriam verdadeiras vocações. Entretanto, esses instrumentos, sem o desenvolvimento do autoconhecimento, não propiciavam bons resultados. Em função dessa crítica, começou-se a discutir a chamada Orientação Profissional na modalidade clínica, a qual implica uma concepção de homem como sujeito de escolhas, contrapondo-se a uma visão inata de vocação e do homem certo no lugar certo. (BOHOSLAVISK, 1991).

Inicialmente, essa discussão foi realizada no campo da psicanálise e da psicodinâmica, que estabeleceram o método clínico devido à ética de respeito ao desejo do outro. Com esse método visou-se atender melhor ao objetivo de propiciar condições para o orientando redimensionar suas escolhas, seus ideais, seus interesses e suas potencialidades por meio do conhecimento de si e das profissões. Esse método também abarca a ideia de projeto de vida e não simplesmente da profissão a ser escolhida, oferecendo ao orientado a oportunidade de comprometer-se na construção de seu projeto individual e da comunidade em que está inserido (VALORE, 2010).

Nessa perspectiva, o psicólogo deixa de assumir um papel diretivo, incentivando a decisão autônoma, não adaptativa. Consequentemente, muda-se da antiga ênfase do “o que escolher”, para “aquele que escolhe” e “como escolhe” (BOHOSLAVISK, 1991). Pode-se perceber que a discussão no meio psicanalítico e da psicodinâmica abrangeu a busca pelo autoconhecimento, a tomada de consciência, o relacionamento autêntico, a dimensão da vivência e a responsabilização do sujeito. Tais temas fazem parte do escopo e da constituição teórica e experimental da Gestalt-terapia e podem ser traduzidos nesta abordagem através dos conceitos de contato, awareness, relacionamento dialógico, autorregulação, ajustamento criativo e dos pressupostos da fenomenologia e do existencialismo.

Percebe-se, portanto, que a discussão iniciada na psicanálise sobre OP no modelo clínico vai ao encontro da visão gestáltica de homem e mundo e, sendo assim, a OP clínica pode e deve ser pensada nessa abordagem. Autores da Gestalt-terapia já iniciaram essa discussão por diferentes vieses (CANEDO, 1997; BARONCELLI, 2012; LILIENTHAL, 2013) e serviram de referencial teórico para este trabalho, o qual tem como objetivo demonstrar, por meio de uma prática de grupo específica realizada na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, como os pressupostos e técnicas da Gestalt-terapia podem ser usados para a OP clínica.

Portanto, o presente trabalho relata a experiência da autora com um grupo formado por adolescentes em orientação profissional realizado em uma Organização Não-Governamental (ONG), durante 12 encontros, no período entre março e julho de 2014. A Gestalt-terapia, com seus pressupostos e técnicas, foi utilizada como abordagem norteadora para condução do grupo. Utilizou-se também a Pesquisa Fenomenológica para a realização das entrevistas e formação do grupo.

A seção teórica do trabalho foi dividida em duas partes: conceitos gestálticos que embasaram a prática e métodos gestálticos utilizados na prática. Em cada uma dessas partes, os conceitos e métodos são explicados separadamente para que na próxima seção, do relato de experiência, estes pudessem ser integrados à vivência relatada.

Sabe-se que o escopo teórico da Gestalt-terapia capaz de embasar a OP é maior do que a discussão que se propõe neste trabalho, uma vez que essa abordagem se propõe a pensar a realidade humana como todo, estando nesse todo implícito o momento da escolha profissional. Dessa forma, a escolha dos conceitos e métodos a serem discutidos baseou-se em uma necessidade de delimitação teórica para análise no artigo, como também nos conceitos mais figurais da vivência das autoras no grupo. Porém, destaca-se que a OP também pode e deve ser pensada a partir de outros conceitos e métodos da Gestalt-terapia.

CONCEITOS GESTÁLTICOS

Contato

Para a Gestalt-terapia, contato é um conceito chave, fundamental para a relação da pessoa consigo mesma e com o meio. Por meio do contato, a vida acontece, ocorre o encontro e o afastamento das relações. Por meio dele a ação humana e psicoterapêutica se expressa (YONTEF, 1998; RIBEIRO, 2007).

O contato é o relacionamento dinâmico que ocorre na chamada fronteira de contato, aquela que se estabelece entre duas figuras distintas, sejam elas dois organismos diferentes, um organismo e algo inanimado do ambiente ou até mesmo o organismo e uma característica nova dele mesmo. Ou seja, é o ponto em que a pessoa tem a oportunidade de experienciar o “Eu” e o “não-Eu”, é processo de separação e ligação (BUROW; SCHERPP, 1985; YONTEF, 1998; POLSTER; POLSTER, 2001; D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Pode-se dizer que o contato satisfatório com o mundo e consigo mesmo pressupõe arriscar, descobrir, desenvolver fronteiras permeáveis o suficiente para que seja possível distinguir o que é tóxico e precisa ser descartado daquilo que é nutritivo e pode ser assimilado de acordo com a necessidade dominante. É essa forma de estabelecer contato que leva ao crescimento (YONTEF, 1998; POLSTER; POLSTER, 2001). Assim, para Ribeiro (2007, p. 15):

“O modo como uma pessoa faz contato consigo e com o mundo expressa igualmente o grau de individuação, maturidade e auto-entrega com que vive em um dado momento, porque o contato é a expressão experienciada e visível da realidade interna de si mesmo.”

O contato expressa um modo de ser operacionalizado por três sistemas básicos: sensório, cognitivo e motor. Esses sistemas em relação com o campo em que o indivíduo se move e existe formam o self, que se manifesta no eu. Por essa razão, a maneira como um indivíduo faz contato é construída a partir das formas mais habituais de reagir aos estímulos do campo a partir desses sistemas (RIBEIRO, 2007). A fim de estabelecer contato consigo mesmo, é necessário tornar-se um fenômeno para si mesmo. Isso apenas é possível quando existe a abertura para a própria contemplação, para a descoberta, sem medo de qualquer possibilidade, levando, consequentemente, à experiência do sujeito estar presente para si mesmo (RIBEIRO, 2006). Dessa forma, o processo de mudança ocorre na razão em que a pessoa aprenda a fazer contato com suas totalidades (RIBEIRO, 2007).

Awareness

O conceito de awareness vai além da noção de “estar consciente”, refere-se à capacidade de apercepção do mundo interno e externo, no momento presente, em diferentes níveis, como o corporal, o mental e o emocional (BUROW; SCHERPP, 1985; FRAZÃO, 1999). É o contato com “aquilo que se é”, logo, para que a awareness seja possível, é preciso haver contato (YONTEF, 1998). Ainda sobre a awareness, Yontef (1998, p.236) afirma que:

"Awareness é uma forma de experienciar. É o processo de estar em contato atento com o evento mais importante do campo indivíduo/ambiente com apoio energético, cognitivo, emocional e sensoriomotor totais. Um continuum constante ininterrupto de awareness leva a um Ah! a uma percepção imediata da unidade óbvia de elementos díspares do campo. Novas totalidades significativas são criadas por contato ware. Portanto, a awareness em si mesma é a integração de um problema".

Awareness torna o paciente consciente de si e do meio, possibilitando-o identificar aquilo que é mais importante no aqui-e-agora, fatores que geram a possibilidade para mudança, desenvolvimento, crescimento, para a aceitação dos sentimentos e dos seus desejos e dos outros (BUROW; SCHERPP, 1985; FRAZÃO, 1999). A awareness é o momento da percepção da totalidade, da integração que leva ao sentimento de fortalecimento para mudar. Trata-se de um acontecimento em si, que não pode ser previsto, ocorre ao acaso, mas que não acontece se não for buscado (RIBEIRO, 2006).

Autorregulação

O conceito de autorregulação organísmica foi desenvolvido por Kurt Goldstein ao questionar a metodologia atomística da medicina e propor uma visão do organismo como um todo. Ao perceber inter-relações entre áreas cerebrais, Goldstein começou a construir um ponto de vista holístico sobre o ser humano, baseado na visão sistêmica. A Gestalt-terapia se baseou nesse ponto de vista, que entende o organismo como vivo, composto de partes inter-relacionadas que formam o todo e estão em constante relação com o meio para adquirir dele o que precisam para se autorregular (D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Ao entender o organismo em constante interação com o meio, percebe-se que a autorregulação é de natureza relacional. Ao se deparar com o meio e emergirem necessidades, os indivíduos precisam atendê-las para se autorregular. Uma forma de fazer esse contato organismo/meio e buscar a autorregulação é o ajustamento criativo. Trata-se de uma resposta intencional do indivíduo ao ambiente, um balanço entre os recursos e possibilidades internas e externas frente às situações e não uma resposta adaptativa (CANEDO, 1997; D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007; BARONCELLI, 2012).

Partindo desses conceitos, para a Gestalt-terapia, a percepção dos seres humanos é organizada pelas necessidades dominantes. Estas se tornam figuras por meio do contato ware, que, após emergirem de um fundo, exigem satisfação, abrindo uma Gestalten. Portanto, a autorregulação se baseia em processos primários para atender as diversas necessidades, trata-se de uma tendência do organismo e necessita de contato e awareness para acontecer de forma saudável (D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007; YONTEF, 1998; RIBEIRO, 2007). Os indivíduos estão sempre realizando a melhor autorregulação e ajustamento criativo possível para o momento, a fim de atender suas necessidades, por mais que externamente possam parecer atitudes estranhas (LILIENTHAL, 2013).

Existencialismo

Diversos conceitos centrais da Gestalt-terapia – como a existência individual em relação aos outros, a auto responsabilidade, as possibilidades de escolha – têm como base o existencialismo (BUROW; SCHERPP, 1985). A Gestalt-terapia em si era vista por Perls como um tipo de terapia existencialista, pois além de se opor ao Racionalismo, ao Positivismo, à Ontologia e à Metafísica tradicionais, essa abordagem propõe que a existência em si não tem valor pré-definido. O sentido da existência está relacionado à liberdade e à responsabilidade de cada escolha do indivíduo no seu vir-a-ser (D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Para D’Acri, Lima e Orgley (2007, p. 98), entre as diversas temáticas que caracterizam o pensamento existencialista estão a liberdade, as escolhas, os projetos e a consciência, expressas por meio da compreensão de que “[...] a existência precede a essência [...] é com base na responsabilidade de seus atos e escolhas conscientes, e nas consequências destes, que o homem se cria de modo eminentemente existencial [...]”. E foi nesse sentido que Sartre definiu o que chamou de má-fé, como uma atitude de negar a responsabilidade sobre a própria existência, sobre as escolhas e sobre a liberdade de tomar decisões (D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

O objetivo da Gestalt-terapia é awareness com auto responsabilidade e desenvolvimento de possibilidade de escolha. Os sujeitos, ao perceberem seu processo de awareness, podem ser responsáveis e escolher seletivamente (YONTEF, 1998). Para isso, trabalha-se com o “como” dos comportamentos e expõe-se a participação do sujeito nesses mecanismos, ajudando-o a aprender, a lidar com a responsabilidade das próprias ações e sensações. Os avanços na responsabilização fortalecem concomitantemente o self-support, pois tornam o sujeito cada vez mais ele mesmo (BUROW; SCHERPP, 1985; RIBEIRO, 2011). Dessa forma, a Gestalt-terapia aplica a atitude existencial sem ser excessivamente abstrata (YONTEF, 1998).

MÉTODOS DA GESTALT-TERAPIA

Fenomenologia e Pesquisa Fenomenológica

Husserl propôs que a fenomenologia seria a “busca das essências” ou o “retorno às coisas mesmas”. Ela não prioriza nem o sujeito e nem o objeto, pois os entende como indissociáveis na estrutura da experiência intencional. Portanto, supera-se a dicotomia sujeito-objeto, ao afirmar que toda consciência é intencional, não desvinculada do mundo percebido, assim como não há mundo sem consciência para percebê-la. Com isso traz uma nova postura de inquirir fenômenos psicológicos, focalizada na relação sujeito-objeto-mundo, que não se atém apenas aos comportamentos observáveis, mas investiga as experiências vividas e os significados que o sujeito lhes atribui (BRUNS, 2001; D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Assim, a fenomenologia busca clarear o fenômeno, construir uma compreensão sobre ele, descrevendo-o para que ele se torne presente enquanto dado da consciência. Para isso, é preciso que, diante de um relato, coloquem-se ideias e pré-conceitos entre parênteses, ou seja, suspendem-se os pré-julgamentos para que o fenômeno em si, enquanto natureza pré-reflexiva, possa ser dado, ou seja, faz-se a chamada redução fenomenológica (AMATUZZI, 1995; RIBEIRO, 2011). Por isso, pode-se dizer que a Gestalt-terapia é fenomenológica, já que esta busca awareness através da awareness. A fenomenologia é o método que a Gestalt-terapia utiliza para aprender sobre a awareness (YONTEF, 1998).

Em função dessa natureza fenomenológica da Gestalt-terapia, quando se faz pesquisa nessa abordagem, a Pesquisa Fenomenológica mostra-se adequada, pois o pesquisador fenomenológico pretende entender a experiência intencional, vivida. O elemento central é a intencionalidade própria e constitutiva do relato, ou seja, o que ele é. Para a análise fenomenológica desse relato, é preciso trazer a experiência vivida que no ato da relação interpessoal é comunicada. Isso não se faz por meio de questionários, pois estes trazem informações passadas, mas sim de forma dialética e mobilizadora. A experiência vivida, quando acessada inicialmente pelo pesquisador, já não é mais pura, mas composta de concepções, percepções, construções da consciência, ou seja, versões do vivido. Para se aproximar da experiência em si é preciso ir além das estruturas já dadas, ter senso crítico, deixar as estruturas de lado por um momento, fazer a chamada redução fenomenológica (AMATUZZI, 2001).

Dialógica

A Terapia Dialógica refere-se a uma forma de relacionamento que é construído no processo de contato. Baseia-se no entendimento do diálogo existencial, o qual acontece quando duas pessoas se encontram como pessoas, ou seja, cada uma é impactada pela outra e responde a outra ativamente. Trata-se de um contato especializado que compreende o relacionamento Eu-Tu proposto por Buber (YONTEF, 1998). Esse relacionamento é o tipo de contato necessário para a relação terapêutica, pois somente através da atitude Tu - do verdadeiro encontro - é possível uma relação profunda que leve ao aumento de awareness, ao crescimento e ao tornar-se inteiro. Diferente do relacionamento Eu-Isso, em que a atitude Isso implica que o outro seja objeto de manipulação, um meio para um fim, não sendo visto como pessoa (HYCNER, 1995; YONTEF, 1998; D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Para o encontro Eu-Tu não são necessárias palavras, gestos, ou sons não-verbais. O imprescindível e diferencial são 5 características destacadas por Yontef (1998): 1) inclusão - entrar respeitosamente na experiência do paciente aceitando-o como ele é; 2) presença – terapeuta respeitar, conhecer e mostrar seu verdadeiro self; 3) compromisso com o diálogo – focar na experiência, respeitando-a para que o resultado seja controlado pelo entre, ou seja, pelo campo que se forma entre os Eu e o Tu, um campo dinâmico e vivencial onde se expressa a experiência; 4) não-exploração – a terapia não é um relacionamento manipulativo e hierárquico; 5) viver o relacionamento – a cura esta na vivência do diálogo.

É nesse relacionamento dialógico que o Gestalt-terapeuta baseia sua postura. Busca estar em contato com o outro, atitude diferente do simples ato de prestar atenção nesse outro, é um processo de penetrar nos sentidos e significados através da intersubjetividade. Portanto, é necessário abrir mão das introjeções e pressupostos para permitir a inclusão de um no outro (RIBEIRO, 2006). Dessa forma, cliente e terapeuta precisam de um falar e escutar ativo, pois a relação somente se faz quando ambos são vistos e respeitados como pessoas. Necessita-se de um falar penetrando na experiência, implicando-se no vivido e de um escutar diferente da recepção passiva de um estímulo auditivo, trata-se de um escuta responsável e inclusa (YONTEF, 1998). É o que Hycner (1995) chamou de estar com o outro em posição de abertura e disposição para esse outro, destacando a relação, o entre, e não apenas uma das partes, pois é no entre que acontece a cura.

Experimentos

A busca pela ampliação de awareness, pelo aumento do contato consigo e com o outro e da responsabilização perpassa e é perpassada, de modo dialético, pela integração do sentir, pensar e agir. A fim de atingir tal síntese, a Gestalt-terapia lançou mão de certos recursos chamados experimentos.

A partir dos conceitos gestálticos, foram desenvolvidos uma série de métodos que visam aplicar esses conceitos à situação terapêutica (BUROW; SCHERPP, 1985). O experimento é um instrumento central e multifacetado, um modo de trabalhar experiencialmente, que promove uma modificação comportamental sistemática por meio da vivência. Ele expressa algo da ordem do comportamental, saindo da esfera unicamente cognitiva interior (BUROW; SCHERPP, 1985; ZINKER, 2007). Zinker (2007) ainda explica que:

“O experimento é a pedra angular do aprendizado experiencial. Ele transforma o falar em fazer, as recordações estéreis e as teorizações em estar plenamente presente aqui, com a totalidade da imaginação, da energia e da excitação.” (p.141).

Para Burow e Scherpp (1985), os experimentos podem ser aplicados a diversas situações, assim como novos experimentos podem ser criados, já que não há limites para a criatividade e fantasia. Para Zinker (2007, p. 145):

“Diversamente do procedimento científico rigidamente estruturado, o experimento gestáltico é uma forma de pensar em voz alta, uma concretização da imaginação da pessoa, uma aventura criativa”.

O experimento faz com que a pessoa seja sujeito ativo de sua auto exploração, da sua experiência de aprendizagem. Enquanto o terapeuta ocupa papel de consultor e diretor da criação do cenário, o cliente preenche esse cenário com conteúdos e sentimentos. Logo, são as questões atuais do paciente, suas experiências de vida, assim como as do terapeuta que delineiam a natureza do experimento. A criação e o processo do experimento é uma complexa construção em que ambos cooperam (ZINKER, 2007).

Além de experimentos com falas, com o corpo, com recursos gráficos e materiais diversos que visam mobilizar o sentir, pensar e agir, a partir da diminuição das resistências, existe um tipo específico chamado viagem de fantasia. A viagem de fantasia é uma técnica utilizada pela Gestalt-terapia para mobilizar os elementos do fundo, permitindo ampliação de awareness e aumento do autoconhecimento. Trata-se de uma técnica particularmente usada com grupos, mas também pode ser utilizada individualmente com crianças e adultos (D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Existem, basicamente, duas formas de viagem-fantasia: a dirigida e a não dirigida. Elas distinguem-se pelo fato de que na primeira há uma condução da viagem por meio de um enredo e, na segunda, a projeção torna-se mais livre. Nas duas, recomenda-se um breve relaxamento para somente depois entrar na viagem (BUROW; SCHERPP, 1985). Através da viagem-fantasia é possível trazer partes da vivência pessoal que estavam desconhecidas até o momento, aprender mais sobre si mesmo, trazer à consciência necessidades, desejos, medos, entre outras questões que precisam ser integradas, comunicar a experiência aos outros, possibilitando conhecimento mútuo (BUROW; SCHERPP, 1985; D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007).

Segundo Yontef (1998, p. 237): “A fenomenologia da Gestalt-terapia experimental, em parte herdada da Psicologia da Gestalt, utiliza a experimentação para explicitar.” Percebendo a importância dos experimentos em geral para acessar o vivido, a Gestalt-terapia lança mão desses recursos tanto nas terapias individuais como em grupos, em todas as faixas etárias.

Relato de experiência

A experiência a ser relatada aconteceu em uma Organização Não-Governamental (ONG) no município de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A ONG tem como objetivo propiciar atividades que estejam em sintonia com as necessidades da comunidade do bairro. Uma parcela dos jovens que a frequentam estava cursando os últimos anos do Ensino Médio e solicitou um projeto que pudesse ajudá-los na decisão sobre a profissão a ser escolhida. Dessa forma, a coordenadora da ONG entrou em contato com a psicóloga e delineou-se um grupo de Orientação Profissional que pudesse auxiliá-los nesse processo.

O projeto foi divulgado durante duas semanas na ONG e na igreja onde vários adolescentes que participavam das atividades da ONG também frequentavam. As inscrições foram voluntárias e espontâneas. Abriram-se 15 vagas e todos os inscritos passaram por entrevista preliminar, que se baseou no método fenomenológico. Estas foram iniciadas com uma pergunta que mobilizasse a experiência, tal qual proposto por Amatuzzi (2001). A partir desse ponto abria-se espaço para que os adolescentes pudessem relatar experiências.

Formado o grupo, foi realizado o total de 12 encontros, com duração de 120 minutos, frequência semanal, no período entre março e julho de 2014. Nesses encontros foram utilizados diferentes recursos da Gestalt-terapia: técnicas gráficas para apresentação do grupo e para vivências de autoconhecimento; técnicas reflexivas sobre o que conheciam sobre si mesmos e sobre como se escolhe uma profissão; pesquisa com pessoas próximas sobre como são vistos por elas; curtograma; viagem de fantasia, visando contato com os projetos de vida; projeção do filme “Universidade dos Monstros”; “stop das profissões” e técnica R-O (Realidade Ocupacional); encontros expositivos sobre como está configurado o mundo do trabalho; informações sobre profissões e palestras com profissionais.

As idades e profissões que os jovens estavam considerando na época da entrevista estão relacionadas na tabela abaixo.

Nome Fictício

Idade

Profissões consideradas antes do grupo

A1
14 anos
Medicina e Pedagogia
A2
16 anos
Direito, Engenharia Civil, Audiovisual
A3
15 anos
Não havia pensado em nenhuma profissão
A4
15 anos
Arquitetura, Psicologia e Enfermagem
A5
15 anos
Engenharia Agrônoma e Medicina Veterinária
A6
15 anos
Engenharia Mecatrônica, Design de Jogos ou Robótica
A7
16 anos
Engenharia Civil
A8
16 anos
Administração e Direito
A9
16 anos
Engenharia Agrônoma e Música
A10
16 anos
Pedagogia
A11
17 anos
Bombeiro e Jogador de Futebol
A12
17 anos
Não havia pensado em nada
A13
17 anos
Direito
A14
18 anos
Pedagogia
A15
18 anos
Serviço Social

Resultados e Discussão

O primeiro contato com os adolescentes foi realizado nas entrevistas. Estas foram iniciadas com uma pergunta que mobilizasse a experiência, tal qual proposto por Amatuzzi (2001). Iniciaram-se todas as entrevistas com a questão: “Estamos começando um novo projeto na ONG sobre Orientação Profissional. Qual é a sua experiência com isso?” E, a partir desse ponto, abria-se espaço para que os adolescentes pudessem relatar experiências e, por meio delas, percebeu-se que diferentes questões se repetiam: vivência de fazer escolhas, sentimentos advindos da “necessidade” iminente de optar por uma profissão, dúvidas sobre quais profissões estavam considerando escolher, expectativas em relação à Orientação Profissional e em relação às vivências em grupo. Com base nos fenômenos dados foi possível começar a elaborar um caminho que pudesse colaborar com esses jovens em suas vivências e necessidades singulares.

Quando se tem como objeto de pesquisa a subjetividade, é necessário partir de um método adequado que permita alcançá-la na dimensão da experiência (RANIERI; BARREIRA, 2010). Métodos quantitativos, padronizados, voltados para objetividades causais, negligenciam o homem e a situação. A subjetividade e a experiência humana, devido a sua complexidade, necessitam de uma abertura metodológica, exigem uma investigação diferente (FLINCK, 2004).

Sendo assim, a entrevista fenomenológica é adequada à pesquisa sobre subjetividades, pois é possível alcançar o fenômeno da experiência vivida através da narração. A Fenomenologia volta-se àquilo que se manifesta e o entrevistador entra em contato com a vivência pré-reflexiva em detrimento de um pré-julgamento. Dessa forma, a entrevista fenomenológica parte de um roteiro aberto que explore as vivências, sendo sempre permeado pela atitude empática entre entrevistador/entrevistado, o que permite o desenrolar da intersubjetividade (RANEIRI; BARREIRA, 2010).

Após as entrevistas, os encontros foram organizados utilizando recursos e técnicas da Gestalt-terapia. A prática da Gestalt-terapia se utiliza de recursos, técnicas e experimentos para promover a possibilidade de conscientização do cliente sobre a vida como sua própria criação, a fim de ampliar awareness, descobrir polarizações, integrar forças conflitantes, trabalhar introjetos, energizar o sentir e o agir, estimular novos autoconceitos e desenvolver auto suporte (ZINKER, 2007). Sendo assim, o uso desses procedimentos foi ao encontro dos objetivos do grupo, pois para a escolha profissional é imprescindível o autoconhecimento, a noção de responsabilidade pelas escolhas e a possibilidade de entrar em contato consigo mesmo e também com o mundo circundante.

O primeiro encontro foi destinado à construção de um ambiente seguro e acolhedor que abrisse espaço para a expressão das vivências e sentimentos, para a tomada de consciência e para a escuta respeitosa das diferenças. Assim, a psicóloga apresentou-se novamente, a proposta também foi reapresentada e foi reforçado o objetivo de conhecer melhor a si mesmo e o processo de escolher, para somente depois pensar nas profissões, sendo que a escolha em si poderia não ocorrer ao final dos encontros.

Segundo Canedo (1997), a resolução da problemática ocupacional não necessariamente acontece ao final da OP. Sabe-se que uma vez que se inicia um processo de ampliação de contato e awareness, o processo de resolução se dará naturalmente, no momento em que isso for possível para o indivíduo, podendo ocorrer após o término dos encontros. Para Lilienthal (2013), ainda que no final dos encontros a escolha não tenha sido realizada, o processo é válido por propiciar a constatação da situação atual de ainda não estar pronto para escolher. Assim, esse objetivo foi explicado para os jovens desde o início do trabalho.

Neste encontro ainda foram tiradas dúvidas e consolidadas outras questões do contrato, como: horários, agenda de encontros, questões sobre faltas e outras regras. Firmou-se também o compromisso de sigilo quanto aos relatos e experiências vivenciadas no grupo, frisou-se a importância do comprometimento com o processo através da abertura para as atividades e propostas, mas, ao mesmo tempo foi esclarecido que não havia obrigatoriedade em falar e participar das atividades, principalmente quando os participantes não se sentissem preparados para lidar com a situação.
Na utilização de recursos, experimentos e técnicas gestálticas deve-se tomar cuidado quanto à exposição a riscos demasiadamente grandes que intensifiquem medos e bloqueios, pois o objetivo desses métodos é o oposto. Não se pode forçar alguém a fazer experimentos ou utilizar recursos, uma vez que, muitas vezes, o trabalho sobre a recusa em realizá-los já pode ser extremamente proveitoso (BUROW; SCHERPP, 1985). A aplicação desse preceito facilitou o envolvimento grupal. De início, alguns jovens já relataram gostar da ideia de não serem obrigados a falar, jovens estes que, posteriormente, durante o decorrer do processo, foram participativos e comunicativos.

No primeiro encontro ainda foi utilizado um recurso gráfico para apresentação do grupo. Propôs-se que, em uma folha sulfite branca, desenhassem um cartão de visitas contendo o que percebessem que seria mais importante sobre eles. O objetivo dessa atividade foi conhecer como estava organizada a percepção que tinham de si mesmos e o que escolhiam apresentar aos demais nesse início do grupo. A discussão posterior deu-se sobre como foi fazer e apresentar o cartão de visitas, e um dos jovens, nesse início, já demonstrou uma ampliação de awareness sobre si mesmo. Relatou estranhar a atividade no começo e ao final ter gostado do processo, pois com isso percebeu um movimento que geralmente faz frente a novas situações.

A partir desse relato, o grupo refletiu sobre suas reações diante do novo e a escolha profissional como uma situação nova em sua vida. Nesse momento, a escuta fenomenológica foi imprescindível para que a psicóloga pudesse acompanhar o fenômeno que se delineava, a necessidade emergente de discussão e, então, abrir espaço para que a energia fosse investida nessa direção.

Após esse primeiro encontro, os demais foram organizados começando com temas e recursos que ampliassem o autoconhecimento através do contato com o mundo interno e externo, proporcionando ampliação de awareness sobre como agiam no mundo, sobre suas necessidades, sobre como o mundo circundante os influenciava, suas características e projetos. Posteriormente, a temática ficou em torno do escolher: responsabilização pelas escolhas, sentimentos derivados do ato de escolher e de deixar de escolher algo. Somente por último o mundo do trabalho e as profissões em si foram abordados.

Tal delineamento se fez em função da visão gestáltica de que a experiência de interação do sujeito com o meio somente é possível através do contato e da awareness (FRAZÃO, 1999). O contato com a própria existência amplia a awareness, por sua vez a awareness ampliada aumenta o contado com o que se é, gerando totalidades novas e significativas e levando a integração de um problema (YONTEF, 1998). Os jovens precisavam de início, dar-se conta do que eram realmente, em detrimento do que gostariam que fossem e de seus introjetos sobre como deveriam ser, para somente depois passarem para questões práticas sobre as profissões.

Dessa forma, no segundo encontro, foi proposto que se falasse de questões específicas para autoconhecimento. O objetivo dessa atividade mais estruturada foi baixar a resistência e a ansiedade do grupo, as quais foram demonstradas através das dúvidas e questionamentos. Para Zinker (2007, p. 47): “Todo movimento desperta resistência. Como a experiência é um fluxo constante, também enfrenta resistências internas.” Segundo o autor, fenomenologicamente resistência significa um estado relutante que externamente denota rejeição a um comportamento, conceito ou atitude, mas internamente é uma forma de preservação da integridade pessoal. Assim, propõe que o gestalt-terapeuta trabalhe não apenas com o aspecto cooperativo do indivíduo, mas também com o resistente. Nesse sentido, delimitar temas visou ir ao encontro da proposta da Gestalt-terapia de não ir contra a resistência, mas sim torná-la mais clara, mais consciente.

Os temas foram questões sobre sonhos, hobbies, percepção da passagem do tempo, preferências de disciplinas escolares, interações sociais, evolução escolar, interesses, aptidões e expectativas. Pediu-se que aqueles que estivessem à vontade falassem sobre o tema. Na discussão, os mitos ligados à vocação e à relação hobbies-profissão-disciplinas escolares destacaram-se. No início, pouco jovens falaram, mas ao final do encontro, percebeu-se que outros integrantes começaram a falar sobre si ou comentar questões trazidas pelos demais. Com isso, sentiu-se a diminuição da ansiedade e da resistência dos membros em relação uns aos outros, à terapeuta e ao processo. Para Burow e Scherpp (1985, p. 95):

“ Através da participação dos membros do grupo no desenrolar dos trabalhos individuais, eles vão pouco a pouco aprendendo que seus próprios conflitos e problemas não são tão estranhos assim, mas aceitáveis. Pelo fato de que praticamente todos pessoalmente se empenham, cria-se passo a passo, um clima de confiança que permite maior franqueza”.

Após essa possibilidade de maior vínculo grupal, o terceiro encontro consistiu na aplicação de um experimento. Primeiramente, discutiu-se a importância do autoconhecimento para a escolha profissional e, depois, foi entregue uma folha de papel sulfite para que fizessem nela o que desejassem. Após terminarem, foi solicitado que falassem sobre a possível existência de uma relação entre o que fizeram da folha sulfite e suas características.

Buscou-se, através do experimento, utilizar da projeção para baixar a resistência e trazer à consciência aspectos sobre si mesmo. À medida que expunham suas percepções, ia-se trabalhando cada uma delas, desvelando estruturas que revelaram polaridades desintegradas da experiência. Um dos jovens relatou que, no local onde trabalha, os colegas haviam dito que ele era “chato, mas legal”; a partir do contato com o mundo próprio, com os sentimentos e significados desse relato, foi possível que ele percebesse suas características e as integrasse em um novo todo significativo, entendendo o sentido de ser não “chato, mas legal” e sim “chato e legal”, como um todo integrado e não excludente. Para Yontef (1998), a Gestalt-terapia não trabalha com o conteúdo em si dos relatos, mas com a estrutura da experiência a partir de questionamentos na forma “o que” e “como”. Tal método de trabalho permite clarear a figura de contato e ampliar a awareness. Ainda segundo o autor, “Mera awareness do conteúdo sem awareness da estrutura não está relacionada com um contato organismo/ambiente energizado.” (p. 72).

Ao final desse terceiro encontro, os integrantes do grupo levaram para casa um roteiro de perguntas para verificar a percepção que as pessoas que julgassem mais próximas tinham sobre eles. Para Lilienthal (2013), esse passo é necessário, pois nessa fase da vida há grande possibilidade de o sistema de referência ser baseado no externo e não no interno.

O quarto encontro foi iniciado com o curtograma (ZANELLA; ZANINI, 2013) com o propósito de que os jovens entrassem em contato com aquilo que gostam e não gostam de fazer e como estão atendendo a essas necessidades. Após esse recurso, foi pedido que olhassem para o que escreveram nele e os resultados das pesquisas com as pessoas próximas. Após essa análise, iniciou-se a discussão a qual caminhou por diferentes vertentes: 1) falta de contato consigo mesmo - através do relato de duas jovens sobre suas dificuldades em fazer a atividade por não disporem de tempo para pensar sobre elas mesmas; 2) necessidade de conhecer características e limites antes de fazer escolhas - a partir da experiência compartilhada de uma jovem que já não conseguia mais identificar o que fazia por interesse ou por obrigação; 3) desejos dos pais em relação à escolha profissional dos filhos - pela história de uma jovem que tomou consciência de que uma das profissões que considerava partia de desejos da mãe e não dela; 4) introjeções – começando com o relato de dois jovens sobre como receberam as percepções dos outros sobre eles.

Percebeu-se, nesse encontro, que a fronteira que esses jovens construíram ao longo de suas experiências pode ser modificada e reconstruída em função da energia despendida para estabelecer contato. Para Polster & Polster (2001), fazer contato é implicitamente a possibilidade de mudança, é incompatível com permanecer o mesmo. Através do contato, a pessoa é capaz de apropriar-se do que é assimilável ou rejeitar o que é inassimilável, o que inevitavelmente levará à mudança. Ribeiro (1994, p. 29) acrescenta que “[...] só no contato profundo e verdadeiro é possível que o ser humano se reencontre e, nesse reencontro, encontre a alegria de ser pessoa”.

O quinto encontro tratou dos tempos passado, presente e futuro, através de uma viagem de fantasia (STEVENS,1977). Para a Gestalt-terapia, entender o homem enquanto unidade passado-presente-futuro implica considerar o presente como tempo de contato e transformação do passado e do futuro. No presente estão contidos ambos os tempos (BUROW; SCHERPP, 1985). A viagem de fantasia, enquanto experimento que possibilita o contato com a experiência, foi utilizada com esse intuito de integração, visando que os adolescentes tomassem consciência da totalidade de sua história temporal no momento presente do grupo, no aqui-e-agora.

Assim, após relaxamento inicial, os jovens foram conduzidos a um retorno ao seu passado, pela casa da infância, brincadeiras, heróis, desenhos favoritos, medos, relações interpessoais da época, “o que queriam ser quando crescer”. Aos poucos, os anos foram se passando; pedia-se que fossem lembrando suas características físicas, sua forma de se relacionar, suas preferências em cada época, qual o espaço que aquela criança que foram ainda ocupava em suas vidas até que chegassem aos dias atuais, entrando em contato com as situações que estão vivendo e a forma como se percebem no aqui-e-agora para que pudessem se projetar no futuro.

Após o retorno da fantasia, os jovens utilizaram recortes de revistas para expressar a experiência. A reflexão ficou em torno dos medos e brinquedos de infância, que levaram ao reconhecimento de características atuais que os acompanham desde a infância, ainda que de forma diferente. Também foi abordado o tema confiança a partir de relatos sobre como agem atualmente em trabalhos de escola, sobre suas dificuldades em confiar nos colegas e, a partir desses relatos, puderam tomar consciência de que a questão estava relacionada a aceitar formas diferentes de realizar as atividades, a aceitação da alteridade e do que foge ao controle.

Todos esses conhecimentos foram atingidos através do trabalho fenomenológico-existencial do “como” da experiência que os jovens relatavam e não partindo de teses pré-concebidas ou temas pré-definidos. Para a Gestalt-terapia, significado e experiência relacionam-se mutuamente, revestindo-se de valor único e específico para cada um, por isso descarta-se a interpretação a partir de teorias preconcebidas, deixando que a experiência e a vivência tenham valor independente, e que o significado seja desenvolvido (BUROW; SCHERPP, 1985).

No final do encontro, ainda relataram a experiência sobre se projetar no futuro e a relação intrínseca que havia com a escolha profissional. E ainda: sobre como imaginavam o estilo de vida de certos profissionais, as pessoas com as quais se relacionavam, o lugar de trabalho e, a partir desses relatos, foi possível trabalhar expectativas, distorções e fantasias em relação às profissões.

No sexto encontro, os jovens já possuíam maior contato com o mundo interno e circundante e, assim, foi possível trabalhar o escolher. Para Polster & Polster (2001), é através da fronteira de contato que é possível fazer escolhas, pois é ela o limite que diferencia as pessoas. As escolhas conscientes também estão ligadas ao processo de autorregulação dos indivíduos, que trata de uma resposta intencional do indivíduo ao ambiente, um balanço entre os recursos e possibilidades internas e externas frente às situações e não uma resposta adaptativa (CANEDO, 1997; D’ACRI; LIMA; ORGLEY, 2007; BARONCELLI, 2012).

Para trabalhar tal tema, utilizou-se o filme “Universidade dos Monstros” – Universal Studios. Antes do início houve uma breve reflexão a respeito da responsabilidade sobre as próprias escolhas e da necessidade de que estas sejam feitas de forma consciente, para que não fossem irresponsáveis consigo mesmo. Partiu-se de uma atitude existencialista nesse momento. Após o término do filme, pediu-se que os jovens anotassem tudo o que havia despertado de reflexão sobre escolhas e sentimentos para ser discutido no próximo encontro.

O sétimo encontro foi dedicado às reflexões e sentimentos derivados do filme. Os jovens relataram que passaram a entender de forma diferente a necessidade de pesar diversos fatores na escolha. Disseram que todos já haviam assistido ao filme anteriormente e, nas demais vezes, não haviam percebido todas essas questões. Até este momento muitos talvez estivessem vivendo uma awareness parcial que, segundo D’Acri, Lima e Orgley (2007), pode-se tratar de um conhecimento cognitivo não acompanhado da presentificação do sentimento ou da expressão de emoções por meio da dimensão física, mas sem conhecimento cognitivo.

Pôde-se perceber que, através da liberdade para criar e explorar os níveis constituintes básicos do contato – sensório, motor e cognitivo –, a Gestalt-terapia propiciou que os jovens se experienciassem cada vez mais. E, a experiência de forma global, no todo físico e psíquico, por meio dos diferentes recursos e do contato autêntico chega ao Ah! da descoberta (BUROW; SCHERPP, 1985; ZINKER, 2007). Todo o trabalho realizado anteriormente aumentou o contato com o mundo interno e com o meio externo dos jovens, levou ao autoconhecimento, à energização das necessidades e a um continuum de awareness que possibilitou que, neste momento, chegassem a essa experiência qualitativamente diferente das demais vezes que haviam assistido ao filme. Ocorreu uma mobilização interna que os levou a uma percepção diferenciada.

Muitos adolescentes relataram identificar-se com diferentes personagens do filme e puderam relacionar a atual escolha profissional com sonhos de infância, com desejos familiares, com habilidades que reconheceram em si. Um dos relatos, trabalhado a partir das estruturas da narração e não do conteúdo em si (RIBEIRO, 2011), permitiu que o adolescente entendesse qual característica dele o sonho profissional que tinha na infância revelava. Percebeu também que isso não significava que essa profissão necessariamente deveria ser seguida, mas que essa característica precisava ser considerada enquanto parte dele que poderia ser atendida em outras profissões. A partir de algo que faz parte da vida cotidiana desses jovens – um filme – foi possível caminhar ao encontro da totalidade, da integração do sentir, pensar e agir.

O oitavo encontro ainda girou em torno do escolher. Foi realizado o “Stop das Profissões”, uma adaptação do recurso proposto por Zanella e Zanini (2013). Era tirada uma letra através do método tradicional da brincadeira “Stop” e essa letra serviria para escolher a profissão sobre a qual teriam que escrever: o local de trabalho, a principal habilidade necessária para a profissão, as pessoas com as quais o profissional convive, o estilo de vida que leva, o status da profissão, uma característica do profissional, o mercado de trabalho e um defeito associado a estes profissionais (estes itens não eram preenchidos necessariamente com a letra sorteada). Novamente, através de métodos que permitem baixar a resistência e utilizar da projeção, foi possível tratar sobre fatores importantes a serem consideradas na escolha profissional. Todos os itens foram trabalhados como necessariamente implicados com a escolha consciente e responsável. Após o jogo, também foi possível reconhecer características e necessidades que estavam associadas às profissões e que, ao escolher uma profissão em prejuízo de outra, teriam que procurar outras formas de atender às outras partes deles que estavam relacionadas com as profissões que não foram escolhidas. Para isso, foi necessário trabalhar o contato e awareness sobre essas partes. Para Lilienthal (2013), é o desenvolvimento de auto suporte que torna possível fazer ajustamentos criativos para atender suas diversas partes que reclamam por atenção.

No nono encontro, foi realizada a Técnica R.O. de Sturm (1998), cujo objetivo principal é o contato ativo com as diferentes profissões, inclusive as que não estavam no rol de profissões discutidas pelos jovens. Foram fornecidos aos jovens cartões com os nomes das diferentes profissões e deu-se a instrução que elas representariam pessoas. Os jovens precisavam estabelecer relações entre elas, como se fossem famílias, e depois apresentá-las. Essa técnica foi trabalhada a partir da perspectiva fenomenológica de investigação do fenômeno e permitiu o contato com profissões que ainda não haviam sido citadas no grupo e autocorreção de informações deficientes sobre as profissões. Nesse encontro, a psicóloga também fez uma explanação sobre a configuração do Mundo do Trabalho. Foram discutidas as diferentes formas de inserção profissional: cursos profissionalizantes, cursos tecnológicos, auto emprego, empreendedorismo, cooperativismo e vínculo empregatício. Nesse momento, foi possível identificar e trabalhar questões ligadas à situação socioeconômica dos jovens, seus sentimentos, receios, perspectivas, imagens sociais. Segundo Baroncelli (2012, p. 96):

“ [...] não podemos ignorar o fato de que lidamos com uma escolha livre e situada num sistema cultural, econômico e político específico. Com isso, estudar sobre o mundo do trabalho atual, seus aspectos políticos e econômicos, a realidade dos jovens e adultos brasileiros no mercado de trabalho e as oportunidades e obstáculos existentes, além de ter uma visão crítica sobre a concretude da existência do indivíduo que escolhe num contexto dado, dentre outros aspectos, faz parte da formação de um orientador profissional gestáltico tanto quanto sua compreensão e domínio da teoria e metodologia da abordagem”.

Trabalhar essas questões faz parte do entendimento de que esses jovens não podem ser vistos sem o contexto real em que vivem, mas que também não são somente determinados por esse contexto. São organismos em um meio que possibilita recursos para agirem e que, dialeticamente, ao agirem podem mudar esses recursos. Autorregulam-se e promovem ajustamentos criativos constantemente.

No décimo e no décimo primeiro encontros foram realizadas palestras de meia hora por diferentes profissionais escolhidos pelo grupo: Médico, Pedagogo, Advogado, Engenheiro, Arquiteto, Médico Veterinário, Assistente Social e Enfermeiro. Nesse espaço, o foco foi proporcionar que entrassem em contato com a vivência desses profissionais e explorassem questões do mercado de trabalho.

No décimo segundo encontro foi realizado um fechamento com o grupo através de recursos gráficos. Foram disponibilizados revistas, lápis de cor, canetinha, diferentes tipos de papéis e cartolinas. O grupo fez um painel representando o que o processo havia significado para eles e, depois, preencheram uma avaliação do projeto.

Após o fechamento, ainda houve entrevistas individuais com os jovens para que pudessem relatar experiências individualmente, contar mais detalhadamente como estava o processo de escolha e discutir questões que ainda restaram.

No fechamento do grupo, nem todos os jovens haviam realizado a escolha, e os que se mostravam decididos entenderam que esta era a escolha do momento presente e não necessitava ser uma escolha definitiva e rígida (CANEDO, 1997). Assim, ao final do grupo, o processo de escolha estava conforme registrado na tabela abaixo:

Nome Fictício
Início do grupo
Após o grupo
A1
Medicina e Pedagogia
Medicina
A2
Direito, Engenharia Civil, Audiovisual
Direito
A3
Não havia pensado em nenhuma profissão
Educação Física
A4
Arquitetura, Psicologia e Enfermagem
Arquitetura e Psicologia
A5
Engenharia Agrônoma e Medicina Veterinária
Engenharia Agrônoma e Medicina Veterinária
A6
Engenharia Mecatrônica, Design de Jogos ou Robótica
Engenharia Mecatrônica
A7
Engenharia Civil
Engenharia Civil
A8
Administração e Direito
Administração e Direito
A9
Engenharia Agrônoma e Música
Sociologia e Direito
A10
Pedagogia
Pedagogia
A11
Bombeiro e Jogador de Futebol
Bombeiro
A12
Não havia pensado em nada
Saiu do grupo antes do término
A13
Direito
Direito
A14
Pedagogia
Pedagogia
A15
Serviço Social
Serviço Social

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A experiência relatada buscou demonstrar como conceitos centrais da Gestalt-terapia foram aplicados à OP na modalidade clínica. Os adolescentes participantes chegaram ao grupo pela necessidade da escolha profissional. Demonstravam pouco contato com eles mesmos e com o mundo externo. Parecia haver awareness parcial do todo e um processo de autorregulação bloqueado. A visão gestáltica propiciou meios para que o processo de autorregulação pudesse ser desbloqueado através do autoconhecimento, da ampliação da percepção do todo, da conscientização sobre responsabilidades e escolhas, da integração do sentir, pensar e agir. Tal caminho permitiu que esses jovens pudessem reconhecer suas reais necessidades, formar Gestalten claras e, consequentemente, iniciar um processo de ajustamentos criativos para atender suas necessidades, e não apenas realizar escolhas meramente adaptativas. Portanto, os conceitos e métodos da Gestalt-terapia demonstraram atender aos objetivos da OP clínica.

A postura do Gestalt-terapeuta foi de acompanhar o fenômeno e instrumentalizar os clientes para que pudessem desenvolver um auto suporte e um agir autônomo. Isso foi possível através da abertura às experiências, sem avaliá-las ou julgá-las, atentando-se para cada fenômeno que se desdobrava e revelava mais uma parte do todo. Foi uma atitude Eu-Tu, do relacionamento entre pessoas que se implicaram ativamente na vivência do processo em que encontros verdadeiros e transformadores ocorreram para ambas as partes. Para os adolescentes, no desenvolvimento de maior contato consigo e com mundo para o atendimento às suas necessidade e para o agir empático. Para a terapeuta, um encontro engrandecedor não apenas profissionalmente, com o aprofundamento dos estudos na área da OP e Gestalt-terapia, mas também pessoalmente, a partir da possibilidade de observar o desabrochar humano através de um encontro verdadeiro entre pessoas.

Os conceitos e métodos gestálticos aqui apresentados representam parte do todo da abordagem gestáltica. Diversos outros conceitos poderiam ter sido abordados para discutir a OP, pois esta não se esgota nos temas discutidos. Ela é um todo muito mais complexo que necessita da interação dialética dos outros pressupostos para que possa ser compreendida em sua íntegra. Portanto, este artigo não pretendeu dar conta de tudo que a abordagem gestáltica pode contribuir para a chamada OP na modalidade clínica, mas sim clarificar os temas que se destacaram na experiência do grupo relatado. Temas os quais sempre foram centrais para a Gestalt-terapia e, agora, passaram a receber maior atenção por outras abordagens a partir de outras nomenclaturas.

 

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Endereço para correspondência:
Karina Junqueira de Menezes
Endereço eletrônico:karinajmenezes@yahoo.com.br
Silvia Oliveira de Alencar Ovelar

Endereço eletrônico:soapsigt@yahoo.com.br
Evelyn Denisse Felix de Oliveira
Endereço eletrônico:evelyn_psi@hotmail.com

Recebido em: 12/11/2014
Aprovado em: 10/12/2014

 

 

NOTAS

*Instituto de Gestalt Terapia do Mato Grosso do Sul; Gestalt terapeuta clínica; Formação em Gestalt-terapia pelo IGT-MS; Formação em Atendimento Infantil e Adolescentes pelo IGT-MS.
**Instituto de Gestalt-terapia do Mato Grosso do Sul e Universidade Católica Dom Bosco; Mestre em Psicologia; Gestalt-terapeuta clínica; Professora da graduação de Psicologia da Universidade Católica Dom Bosco. Professora do Instituto de Gestalt-terapia do Mato Grosso do Sul
***Universidade Católica Dom Bosco e Instituto de Gestalt-terapia do Mato Grosso do Sul; Mestre em Psicologia. Gestalt terapeuta clínica. Professora da graduação da Univerdade Católica Dom Bosco. Professora do Instituto de Gestalt-terapia do Mato Grosso do Sul.