ARTIGO

O Perfil da Clínica Social do IGT: da primeira entrevista ao início do  tratamento

The Clinical Social Profile IGT: the first interview to start of treatment Ana Paula Cavalcante Pinto

RESUMO:

Esta monografia está vinculada à linha de pesquisa “Clínica Social no IGT”, e se  propõe a identificar o perfil predominante de clientes que buscam atendimento  psicológico na clínica social do IGT - Instituto de Gestalt-Terapia e Atendimento  Familiar. Para isto, foi analisada uma amostra das marcações das primeiras  entrevistas agendadas para as alunas de uma turma do curso de Especialização  em Psicologia Clínica – Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e Família) no período  entre setembro de 2009 e abril de 2011. Como método de pesquisa foi utilizado o  levantamento bibliográfico de textos produzidos a partir de pesquisas realizadas  

em clínicas sociais e clínicas-escola e também pesquisa documental de relatórios  no banco de dados do IGT. Com base nos registros encontrados foram  quantificadas informações sobre o gênero, a faixa etária, os encaminhamentos e  modalidades de atendimento, o valor estipulado pelo cliente para cada sessão de  terapia e o tempo de espera entre a primeira entrevista e o início do tratamento. A  partir da análise empreendida foi possível identificar o perfil da clínica social do  IGT neste período, apontar possibilidades de melhorias no serviço prestado e  ainda refletir sobre a adequação da terapia de grupo a partir do referencial da  Gestalt-terapia neste contexto.

Palavras-chave: Gestalt-Terapia; Clínica Social; Prática clínica; Terapia de  grupo.

ABSTRACT:

This study aims to identify the profile, predominantly of clients seeking psychological  care in social clinic of Institute of Gestalt-Therapy and Family Care. For this, we  analyzed a sample of the markings of the first interviews scheduled for the  psychologists of the tenth class of the Specialization Course in Clinical Psychology – Gestalt-Therapy (Individual, Group and Family). This sample is comprised between  September 2009 and April 2011. Method was used as the theoretical and experiential  based in gestalt therapy, bibliography of texts produced from research in clinical and  social-clinical school and documentary research reports in the database of IGT.  Based on the records found were quantified information on gender, age, referrals and  modalities of assistance, the amount stipulated by the client for each therapy session  and the waiting time between the first interview and the start of treatment. From the  analysis undertaken was possible to identify the profile of clinical social point of IGT  and still scope for improvement in the service provided.

Keywords: Gestalt therapy; Social clinic; Clinical practice; Group Therapy.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho emergiu da motivação para mergulhar na análise quantitativa  das informações contidas nos relatórios de primeira entrevista, armazenados no  banco de dados do IGT - Instituto de Gestalt-Terapia e Atendimento Familiar[1].O IGT  recebe pessoas de diversas localidades, classes sociais e diferentes faixas etárias,  surgiu então a curiosidade por saber o tipo predominante de pessoas que buscavam  o serviço que é oferecido pela clínica social deste Instituto. Outro aspecto que nos  motivou foi nos depararmos com a dificuldade para acompanhar o histórico do  percurso do cliente dentro da instituição e buscarmos nos aprofundar na importância  dos registros das informações relativas aos contatos com os clientes para o bom  desenvolvimento do trabalho do psicólogo clínico.

Para tanto buscamos entender, de forma mais ampla e aprofundada, o que é a  Clínica Social do IGT[2]. Já tendo alguma experiência enquanto aluna do curso de  Especialização em Psicologia Clínica – Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e Família)  e sendo psicóloga atuante na clínica social dessa instituição, esperava encontrar  algumas dificuldades no transcorrer da pesquisa e com isso poder pensá-las e  sugerir melhorias para o funcionamento deste serviço.

JUSTIFICATIVA

A CS-IGT oferece atendimento psicológico em diversas modalidades, com a  finalidade de proporcionar aos alunos de seus cursos de Especialização em  Psicologia Clínica – Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e Família) e Atendimento  Infantil na Abordagem Gestáltica, material humano para aperfeiçoamento profissional  e oferecer acesso aos serviços psicológicos à população que dispõe de poucos  recursos financeiros, além de divulgar o trabalho da Gestalt-Terapia.

O desenvolvimento desta monografia justifica-se pela necessidade de identificar a  forma como vem sendo desempenhado este serviço, possibilitando avaliar os  resultados alcançados em termos de atendimento da demanda de clientes. É  importante também no sentido de apontar possíveis falhas nos registros dos  atendimentos, o que pode comprometer o desenvolvimento de pesquisas e a  ampliação da produção de conhecimento, bem como prejudicar a organização do  trabalho terapêutico na clínica. Outro fator considerável para o desenvolvimento  desta pesquisa é conhecer as características principais da demanda recebida e,  assim, poder preparar o profissional adequadamente.

Na vivência cotidiana de atendimentos realizados na instituição, percebemos a  diversidade de clientes recebidos, porém reunindo uma amostra mais ampla,  correspondente a todas as primeiras entrevistas agendadas para as alunas da  décima turma do curso de Especialização em Psicologia Clínica – Gestalt-Terapia  (Indivíduo, Grupo e Família), é possível avaliar em termos estatísticos a abrangência  da clínica social, o que facilita pensar em termos de gerenciamento da mesma, com  o objetivo de aperfeiçoamento do serviço oferecido.  

Interessante mencionar que, apesar de ser parte integrante do trabalho do psicólogo  clínico, os cuidados em relação aos registros cadastrais e também os relacionados  aos contratos firmados com seus clientes tendem a ser negligenciados de forma  geral pelos psicólogos clínicos e isto foi observado também na CS-IGT, apesar de  toda a orientação constante dos coordenadores da mesma. No presente trabalho  pretendemos ressaltar a relevância do registro de informações a respeito do cliente  para o processo de atendimento psicológico e também para o desenvolvimento  profissional do psicólogo na clínica. Pois, na medida em que informações  significativas não são armazenadas de forma adequada, as mesmas ficam dispersas  o que dificulta a formação de uma figura clara, nítida que norteie o trabalho a ser  desenvolvido pelo psicólogo no sentido de definir melhores formas de abordar e  acompanhar os clientes que buscam atendimento psicológico.

OBJETIVO

Sendo parte da linha de pesquisa do IGT que se propõe a estudar a Clínica Social e  sua relevância, esta investigação intenciona traçar o perfil da demanda aos serviços  da CS-IGT; destacar a importância da manutenção de registros sobre o atendimento  psicológico para preparação profissional do psicólogo clínico; e apresentar de forma  breve a proposta de terapia de grupo que vem sendo amplamente aplicada neste  

serviço.

Para traçar este perfil será quantificado o número de primeiras entrevistas  agendadas na amostra escolhida, mapear a frequência, gênero, faixa etária, valor  médio pago por cada sessão, modalidades de encaminhamento para atendimento  psicológico e tempo de espera para o início dos atendimentos. A partir das  informações colhidas refletiremos sobre possibilidades de melhorias no serviço da  CS-IGT.

METODOLOGIA

Para falar a respeito de clínica social, foram utilizados textos produzidos acerca  deste assunto. Os mesmos foram encontrados em sua maioria disponíveis na  internet. O google foi utilizado como buscador inicial a partir das palavras- chave: clínica social, clínica-escola, clínica psicológica e atendimento solidário. Ele apontou  vários resultados e entre eles o SciELO foi o portal que mais apresentou conteúdo  condizente com esse tema. O Google também apresentou como resultado da busca  artigos publicados em revistas virtuais e anais de congressos. A bibliografia utilizada  durante o curso de especialização foi consultada, bem como o material pertencente  à biblioteca do IGT, usando como palavras-chave primeira entrevista, terapia de  grupo e clínica social. Produção teórica consistente que abordasse o tema da clínica  social dentro do referencial da Gestalt-Terapia não foi facilmente encontrada em todos as buscas empreendidas.Textos produzidos através de outros olhares  psicológicos foram utilizados como leitura complementar, para ampliar o  

conhecimento a respeito desta prática clínica. Os textos apresentavam pesquisas  realizadas em outras clínicas sociais ou clínicas-escola, todas em território nacional.  Estas clínicas eram praticadas dentro ou fora das instituições que a mantinham. A  maioria delas pertencia a universidades que ministravam o curso de psicologia,  outras eram oferecidas por instituições de pós-formação para psicólogos. Cada qual  com suas especificidades de público, objetivos e abordagens.

Em seguida foi realizada uma avaliação, através dos registros no banco de dados de  relatórios, da população que foi atendida na modalidade de Primeira Entrevista na  CS-IGT. Buscamos traçar o perfil de gênero, a idade, a indicação terapêutica, a  modalidade de atendimento, o valor estabelecido, o tempo de espera até o primeiro  contato do psicólogo, convocando para o atendimento.

A pesquisa documental efetuada na base de dados do IGT, refere-se aos  atendimentos de primeira entrevista realizados pela turma 10. Esta foi escolhida por  ter sido a última turma a concluir o curso no momento em que foi iniciada a coleta de  dados para esta monografia, e por ter sido também a primeira turma a ter a  exigência de apresentar uma lista individual de cada aluno com o registro de todos  os atendimentos realizados pelo aluno ao longo do curso. Anteriormente era exigido  apenas que o aluno enviasse os relatórios dos atendimentos para o banco de dados  virtual, sem que fosse exigido esse resumo individual de cada aluno.

Todo o levantamento desta pesquisa, a compreensão dos dados e a forma de lidar  com os impasses encontrados foram realizados tendo como referencial o  embasamento teórico da Gestalt-Terapia.

A monografia se apresenta dividida em três partes. No primeiro capítulo intitulado “A  clínica social do IGT” é apresentado o histórico de seu surgimento, abordando a  respeito do início dos atendimentos sociais no IGT, de como essa demanda foi  tratada após o início dos cursos de formação, explicando de forma abrangente a  estrutura que existe hoje. Aborda a diversidade de público atendido, os objetivos que  justificam a manutenção e o aperfeiçoamento desta clínica. Perpassa todas as  etapas do funcionamento deste serviço, tratando dos caminhos percorridos pelo  cliente e pelos psicólogos antes, durante e depois da primeira entrevista. Descreve  os tipos de atendimento que são oferecidos. Incluindo aspectos relevantes sobre o  contrato, duração do processo terapêutico e encerramento do mesmo.

No segundo capítulo apresentamosa quantificação dos dados coletados na  pesquisa. Delimitamos o universo pesquisado e abordamos a forma como foi  possível o acesso às informações. Ilustramos com gráficos o número de marcações  e frequência na primeira entrevista, o gênero e a faixa etária daqueles que  compareceram, bem como o acordo financeiro firmado com o terapeuta para dar  início ao processo terapêutico. Posteriormente constam os encaminhamentos para a  CS-IGT e para o atendimento particular, seguidos das modalidades de atendimento.  Uma tabela apresenta de forma sucinta o status do andamento da ficha do cliente no  momento da pesquisa, seguida do gráfico que expõe o tempo médio de espera até o contato do psicólogo para dar início ao tratamento. A partir do que foi encontrado  

desenvolvemos reflexões sobre a forma como contribuímos para estes resultados e  estendemos a análise para as possibilidades de implementar melhorias ao processo.

No capítulo três desenvolvemos brevemente algumas reflexões acerca do  trabalho com grupos realizado na CS-IGT. Isto se tornou relevante em função dos  dados apresentados no capítulo anterior que demonstra que 70% dos clientes  atendidos na primeira entrevista foram encaminhados para a modalidade de  terapia de grupo.

Nas considerações finais refletimos sobre o que foi encontrado e qual a  importância deste estudo para a prática de um psicólogo clínico. Relatamos as  dificuldades encontradas durante a realização deste trabalho e apresentamos  algumas sugestões, a fim de contribuir com o desenvolvimento de um projeto de  aperfeiçoamento dos serviços oferecidos pela CS-IGT. É desenvolvida também a  ideia de melhor capacitar os gestalt-terapeutas que buscam sua formação nesta  instituição, principalmente no sentido da compreensão por parte dos mesmos da  importância de conhecer as características do público que recebe para o trabalho  com o psicólogo clínico.

1 - A CLÍNICA SOCIAL DO IGT

1.1 HISTÓRICO DA CLÍNICA SOCIAL DO IGT

A ideia de clínica social surgiu quando os psicólogos, Marcelo Pinheiro e Márcia  Estarque Pinheiro, que hoje coordenam o IGT, atendiam em seus consultórios e  destinavam alguns de seus horários para receber a demanda de pessoas que não  tinha condições financeiras para arcar com o tratamento. Com o tempo já não  conseguiam mais dar conta desta demanda e passaram a indicar para outros  psicólogos e instituições.

1.2 INÍCIO DOS CURSOS DE FORMAÇÃO NO IGT

Com o início do Curso de Especialização em Psicologia Clínica – Gestalt-Terapia  (Indivíduo, Grupo e Família)no ano de 2002, montou-se então uma estrutura de  clínica social, com isso ampliou-se a oportunidade de atender as pessoas que  procuravam por tratamento. A partir de então os clientes que buscavam atendimento  através das divulgações dos psicólogos Marcelo Pinheiro e Márcia Estarque Pinheiro  passaram a ser recebidos por psicólogos alunos do curso de especialização e, após  o ano de 2008, também por alunos do curso de Atendimento Infantil na Abordagem  Gestáltica.

1.3 PÚBLICO ATENDIDO

Desde sua origem até hoje, não se pensa em oferecer este serviço a um público  determinado. As pessoas que procuram o IGT em busca de atendimento podem ter  tomado conhecimento desse trabalho através dos cartazes anexados em ônibus, das informações sobre o IGT que estão disponíveis na internet, pelo curso de  estresse, depressão e síndrome do pânico que é oferecido gratuitamente à  população, pelas palestras gratuitas que são oferecidas quinzenalmente, além de  

serem indicados por outras instituições, profissionais, ex-alunos e antigos clientes. O IGT não faz restrições em termos de local de moradia ou condições financeiras,  para quem busca atendimento, com isso recebemos pessoas de outras cidades e  dos mais diversos bairros do Rio de Janeiro, pertencentes a diferentes classes  

sociais, das mais variadas profissões e de todas as faixas etárias. Estes clientes são  encaminhados de acordo com suas necessidades e têm disponíveis os atendimentos, individual, grupo, casal, família, infantil e adolescente.  

Apesar de o IGT ser localizado na Tijuca, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, a  população que busca atendimento advém de diversas regiões do Estado.O autor da  primeira obra da linha de pesquisa da clínica social no IGT estudou uma amostra de  64 primeiras entrevistas agendadas entre 2008 e 2009 e constatou que:

59% destes clientes residiam ou alegaram residir na zona  

norte da cidade onde se encontra a sede do IGT; 17%  

residiam na zona oeste, região esta a mais distante entre  

as demais em relação ao instituto; aproximadamente 5%  

residiam na Baixada Fluminense que também é distante  

do IGT, mas geograficamente em relação ao instituto um  

pouco menos distante do que a anterior; 8% residiam na  

zona sul da cidade que tem uma rede metroviária e viária  

bem servida em relação às demais regiões metropolitanas  

e 11% residiam na região do centro da cidade ou  

circunvizinhança e que também além de maior  

proximidade com o IGT também tem uma boa rede  

metroviária e viária de acesso. (SANTO, 2012, p. 71).

Como já foi dito, o IGT não restringe o atendimento de acordo com a localidade de  moradia do cliente. Mesmo morando distante do IGT as pessoas agendam a  primeira entrevista. Neste caso a distância e o gasto com o transporte podem se  constituir como obstáculo para o comparecimento. Não se tem certeza se esta  variável interfere de maneira predominante na ocorrência de faltas, no entanto é algo  que pode vir a ser observado.  

1.4 OBJETIVO DA CLÍNICA SOCIAL

O objetivo de oferecer a clínica social permanece o mesmo desde sua origem, que  consiste no aprimoramento profissional, prestar serviço de qualidade para a  população carente que não consegue ser atendida no serviço público, além da  divulgação da Gestalt-Terapia.

Na Gestalt-Terapia o terapeuta é visto como sendo seu próprio instrumento de  trabalho.

“O terapeuta também, como o artista, age a partir dos  

seus próprios sentimentos, utilizando-se do seu estado psicológico como um instrumento de terapia.  

Naturalmente, da mesma forma que o artista, para pintar  

uma árvore, tem de ser afetado por aquela árvore  

particular, também o psicoterapeuta deve estar  

sintonizado com a pessoa específica com a qual ele está  

em contato.” (POLSTER e POLSTER, 1979, p. 35).

Neste sentido a prática na clínica social contribui para a afinação do instrumento do  psicólogo que é ele mesmo, sua experiência pessoal, ampliando as habilidades,  possibilidades e recursos terapêuticos.

Ao investigar este tema, houve o desejo de ampliar o conceito de clínica social /  clínica escola, contudo, apesar de sua importância, ocuparia grande parte deste  trabalho e não sendo nosso objetivo primeiro no presente momento. Sendo assim,  optamos por caracterizar a forma como a Clínica Social é praticada nesta instituição  a fim de contribuir com a mesma. Mas a ampliação, discussão e correlação dos  conceitos referentes a esta prática já são temas para serem desenvolvidos em um  futuro que se pretende próximo.

1.5 FUNCIONAMENTO DA CLÍNICA SOCIAL DO IGT – CS-IGT

O funcionamento da Clínica Social do IGT é dividido em várias etapas.A primeira  delas é a divulgação, que já foi explicada acima.

Após ter conhecimento do IGT, a pessoa que tiver interesse por atendimento, entra  em contato com o IGT por telefone, e-mail ou facebook. Quem recebe este cliente no  primeiro momento é uma recepcionista, que não é psicóloga. Esta preencherá, por  telefone, uma ficha de cadastro, contendo dados como nome, data de nascimento,  telefones, e-mail, profissão, o que o cliente está buscando quando liga para o IGT,  como soube do IGT e endereço. Estas informações darão alguma pista sobre qual é  a situação socioeconômica da pessoa naquele momento e sobre o encaminhamento  mais adequado para este cliente no IGT: clínica social ou atendimento particular.

A clínica social é indicada, prioritariamente, para pessoas de baixa renda que não  têm condições de arcar com um atendimento particular, porém em alguns casos  atende pessoas fora deste perfil. Caso esta seja a modalidade indicada, será  agendado um horário para a primeira entrevista com um psicólogo já formado e  aluno do Curso de Especialização em Psicologia Clínica - Gestalt-Terapia (Indivíduo,  Grupo e Família). Este atendimento é marcado para no máximo quinze dias após a  ligação do cliente e o mesmo não é cobrado.

O atendimento particular é indicado para a pessoa que assume ter condições de  arcar com o valor de um atendimento particular. O cliente é orientado a aguardar a  ligação de um psicólogo, que entrará em contato para agendar o início do tratamento  e lhe dará as informações a respeito do valor e do local para o atendimento. Os  psicólogos que fazem estes atendimentos possuem um convênio de divulgação com  o IGT.

1.6 CAMINHO ANTES, DURANTE E DEPOIS DA PRIMEIRA ENTREVISTA

Os psicólogos, responsáveis pelos atendimentos de primeiras entrevistas da clínica  social, têm acesso a uma agenda para verificar os clientes que foram marcados e  são orientados a entrar em contato por telefone no dia anterior ao atendimento para  confirmar a presença do cliente no dia e horário agendados. Este contato para  confirmação vem sendo identificado como peça fundamental no acolhimento inicial  do cliente. Cabe lembrar que o agendamento inicial na CS-IGT é feito com as  recepcionistas que não são psicólogas e se tem observado a importância da atenção  do psicólogo em relação ao primeiro contato com seu cliente, no momento do  agendamento da primeira consulta ou confirmação da mesma, no sentido de  conhecê-lo melhor e também de favorecer o vínculo terapêutico.

A primeira entrevista que tem duração de cinquenta minutos, visa o recebimento do  cliente e o entendimento do que o mesmo está buscando em termos de queixa  inicial. Neste momento faz-se um mapeamento das diversas áreas da vida do  cliente, para se ter uma noção geral do contexto em que a pessoa está inserida. Os  campos sugeridos a serem investigados são divididos em vida familiar, vida afetiva,  vida profissional, vida religiosa, vida social, outros tratamentos que fez ou faz,  medicações e nível de escolaridade.

‘A primeira entrevista é a porta de entrada, o “cartão de  

visitas” do terapeuta para seus clientes. Neste primeiro  

contato são trocadas muito mais do que apenas  

informações contratuais e queixas iniciais. São  

estabelecidos vínculos de suporte fundamentais para o  

desenvolvimento do processo psicoterapêutico.’  

(ESTARQUE PINHEIRO, 2007, p. 138).

Os dados obtidos na primeira entrevista, aliados aos dados colhidos desde a  marcação e confirmação do primeiro atendimento, ajudam a dar contorno à  indicação de tratamento. O terapeuta estabelece o tipo de atendimento que será  indicado (individual, grupo, casal, família, infantil, adolescente) e o encaminhamento  é realizado de acordo com as urgências da pessoa, as necessidades e  possibilidades do instituto.

Neste contato também é feito um acordo para estabelecer o valor financeiro que a  pessoa pode arcar pelo atendimento. Ressaltamos que na CS-IGT não há valor  mínimo ou máximo predeterminado para nenhum tipo de atendimento.  

As possibilidades de encaminhamento são a CS-IGT, o convênio de divulgação com  os alunos e ex-alunos do Instituto ou outras instituições que ofereçam atendimento a  baixo custo.

Buscamos também identificar os horários em que a pessoa pode ser atendida e esta  informação, assim como as anteriores, ficam registradas na ficha do cliente. Este  dado facilita para que os psicólogos possam localizar os clientes que estarão  atendendo. O psicólogo orienta o cliente que sua ficha será encaminhada para uma fila de espera que é organizada de acordo com a data da primeira entrevista. Os  

terapeutas disponibilizam uma quantidade de horas semanais para realizarem seus  atendimentos, e buscam, de acordo com a ordem da fila de espera, os clientes que  possuem horários compatíveis com os seus.

A fila de espera para atendimento individual se tornou bastante longa e o tempo de  espera estava demasiado, pois muitos clientes buscavam o Instituto desejando  serem atendidos exclusivamente nesta modalidade. Foi então que, a partir de 2009,  foram definidas restrições para as indicações ao atendimento individual na CS-IGT.  Os clientes que apresentavam um perfil possível para serem atendidos em grupo  recebiam esse encaminhamento, obrigatoriamente. Com isso a intenção era  possibilitar o atendimento o mais prontamente possível e reduzir as filas. Caso  houvesse recusa para o encaminhamento de atendimento de grupo por parte do  cliente, o mesmo era orientado a buscar atendimento em outras instituições.

Este encaminhamento se dá a partir da queixa trazida pelo cliente e da forma como  o mesmo se apresenta no momento da primeira entrevista em termos de  possibilidades e limitações observadas. Como será melhor esclarecido abaixo (p.20)  o atendimento individual apesar de ser o mais procurado, só é destinado na CS-IGT  a alguns clientes em situações especiais.

Após o atendimento, o psicólogo redige um relatório com o resumo das principais  informações obtidas durante a primeira entrevista e o leva para a supervisão. Onde o  atendimento e o encaminhamento são avaliados e discutidos para verificar se o  encaminhamento dado para o cliente está adequado ao que o cliente está vivendo e  ao que o IGT pode oferecer. Após a supervisão e colocação do relatório no banco de  dados a ficha do cliente é colocada na fila de espera, organizada por ordem  cronológica da realização da primeira entrevista.

1.7 TIPOS DE ATENDIMENTO

O atendimento de crianças e adolescentes na CS-IGT pode acontecer  individualmente ou em grupo, sendo realizado pelos psicólogos alunos do curso de  Atendimento Infantil na Abordagem Gestáltica. Estes atendimentos ocorrem uma vez  por semana, sendo o atendimento individual com duração de cinquenta minutos e o  atendimento de grupo com duração de uma hora e trinta minutos.

Atualmente o atendimento individual de adultos na CS-IGT é destinado apenas para  pessoas que apresentam um nível de agressividade muito alto, desorientação no  tempo e no espaço, situações mais severas e graves como, por exemplo, o risco de  suicídio, acometimentos psiquiátricos de acordo com a avaliação do psicólogo que  faz a primeiraentrevista. Eles acontecem uma vez por semana com duração de  cinquenta minutos.

De acordo com anotações realizadas em sala de aula sobre as orientações para a  indicação de clientes para a terapia de grupo, está a observação de que os alunos  que darão início ao atendimento de grupo na CS-IGT não possuem experiência  nessa modalidade de atendimento. A fim de evitar que surjam dificuldades no manejo do grupo, os coordenadores aconselharam a não incluir pessoas com o perfil  citado acima,alegando ainda que no momento o IGT não contava com uma  infraestrutura suficiente para dar suporte a possíveis emergências. Neste sentido os  alunos são orientados a buscar selecionar o perfil daqueles que fazem parte do  grupo, na tentativa de minimizar a ocorrência de fatos difíceis de serem contornados  pela dupla terapêutica e pelo próprio grupo.

O atendimento de grupo é coordenado por dois psicólogos simultaneamente,  podendo ter de um a seis clientes em cada atendimento, que podem ser inseridos ou  desligados ao longo do processo terapêutico (grupo aberto) de acordo com as  regras de funcionamento estipuladas pela instituição. Para que o cliente seja  inserido no grupo este já passou pela primeira entrevista e se encontra aguardando  na fila de espera. De acordo com o horário definido para o atendimento do grupo os  terapeutas buscam fazer contato com as pessoas que possuem essa mesma  disponibilidade. Os encontros ocorrem semanalmente e têm a duração de uma hora  e trinta minutos. Antes de iniciar a participação no grupo é agendada uma entrevista  inicial com um dos psicólogos ou com a dupla responsável pela coordenação do  grupo. Este momento é destinado ao primeiro contato com o profissional que o  acompanhará no processo terapêutico, reavaliar se o cliente encontra-se naquele  momento em condições de viver o tratamento psicológico em grupo, explicar sobre o  funcionamento da terapia em grupo, tirar possíveis dúvidas e assinar o contrato de  atendimento[3]. As saídas do grupo ocorrem pela necessidade do cliente, a qualquer  momento, ou por este exceder o limite de faltas. Em ambas as situações o cliente é  convidado a estar presente em uma última sessão, para que seja feita uma  avaliação do processo terapêutico e para que o grupo possa elaborar a perda deste  membro.

O atendimento de casal e/ou família é realizado por uma equipe terapêutica, dividida  em uma dupla de psicólogos que atendem diretamente o casal/família e outros  psicólogos junto a um supervisor que assistem o atendimento de outra sala, através  de um espelho unidirecional e equipamento de áudio. Esta equipe que é chamada  de reflexiva[4], contribui com suas percepções sobre o atendimento quando são  convocados pelos psicólogos que estão no campo. O atendimento ocorre  quinzenalmente, com a duração de 60 minutos. Toda a equipe se reúne 30 minutos  antes do encontro com a família para preparar a sessão e durante 30 minutos após a  sessão para discutir o que foi vivido pelos psicólogos e equipe. O contrato com as  regras de funcionamento é assinado no primeiro encontro e são estabelecidas as  datas para oito encontros. Na oitava sessão é realizada uma avaliação do processo  e decide-se sobre a renovação do contrato ou o encerramento do processo  terapêutico.

Os clientes de todas as modalidades assinam um contrato em duas vias[5]. No   primeiro dia de atendimento, o mesmo é lido e discutido pelo psicólogo com o  

cliente. Após todas as dúvidas serem esclarecidas o mesmo é assinado e a via do  cliente entregue ao mesmo e a do IGT fica anexada à ficha de controle de frequência  do cliente que é levada a sala de atendimento em todas as sessões realizadas para  atualização do comparecimento, atraso ou falta do cliente e também dos  pagamentos realizados.

Este tipo de organização favorece o trabalho do psicólogo no sentido de proteger a  relação de possíveis dúvidas em relação aos acordos estabelecidos para o  desenvolvimento do atendimento psicológico. O contrato cumpre a função de  proteger as relações terapêuticas. Nele constam informações acerca de horários e  honorários, faltas, desmarcações e remarcações, sigilo, autorização do uso de  imagem, duração do processo e importância da sessão de encerramento.Com esses  dados registrados por escrito, sendo realizados na frente do cliente, a cada sessão,  questionamentos relacionados ao andamento do processo podem ser rapidamente  solucionados e melhor discutidos e aproveitados.  

Todas as modalidades de atendimento são realizadas no Instituto, salvo raras  exceções em que o terapeuta apresenta alguma impossibilidade de comparecer para  o cumprimento total da carga horária de atendimentos, então é discutida com os  coordenadores a possibilidade de atender alguma das modalidades em outro local.  Contudo o cliente escolhido deve fazer parte da fila de espera. O tratamento seguirá  o mesmo critério institucional aplicado aos demais.

Os atendimentos ocorrem até o término do curso de especialização em psicologia  clínica. Quando este período se aproxima é feita uma avaliação do processo com  cada cliente. A partir daí são pensadas possibilidades coerentes com o momento que  o cliente está vivendo. Um dos caminhos é o encerramento do processo terapêutico  e o encaminhamento da ficha do cliente para o arquivo morto. Outra possibilidade é  encaminhar o cliente para dar continuidade à terapia com outro terapeuta que esteja  cursando a formação no IGT. Ou ainda, pode ocorrer que o cliente dê continuidade  ao atendimento com o mesmo terapeuta, porém fora do instituto, através da  modalidade de convênio.

2. AVALIAÇÃO DOS DADOS LEVANTADOS

Ao iniciar a pesquisa estávamos em busca de informações que nos permitissem  traçar o perfil dos clientes atendidos na CS-IGT.

A construção de planilhas auxiliou na compilação de todos os dados relevantes. As  planilhas informavam o nome do psicólogo responsável por realizar as primeiras  entrevistas com as respectivas datas. Sobre os clientes encontravam-se nomes,  código de inscrição no banco de dados do IGT, data de nascimento, idade no  momento do atendimento e o gênero.

Referente ao atendimento estava incluso as informações sobre a presença,  desmarcação e falta, valor estipulado para o pagamento de cada sessão, indicação terapêutica e modalidade de atendimento indicada para o cliente, data do contato  realizado por um psicólogo para dar início ao tratamento, tempo de espera e um  

campo para as desistências e suas razões. Diante da falta de algumas informações  acrescentou-se o campo relacionado à localização da ficha do cliente, que poderia  estar no arquivo morto, na fila de espera ou em atendimento.

Todos os dados levantados para esta pesquisa são referentes aos atendimentos de  primeira entrevista que foram agendados para as alunas da décima turma do Curso  de Especialização em Psicologia Clínica, Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e  Família). A turma 10 foi escolhida por ter encerrado os atendimentos quando  iniciamos o período de coleta de informações, assim poderíamos buscar todas as  informações desde o início dos atendimentos em setembro de 2009 até o término  em Abril de 2011. Esta turma era composta por 8 alunas, porém apenas 7 delas  haviam entregue o resumo dos atendimentos até a data solicitada para que pudesse  ser realizado este presente trabalho. Posteriormente, as alunas que colaboraram  com a pesquisa, forneceram seus dados de acesso ao banco de dados para que a  leitura dos relatórios fosse possível.

Uma inovação experimentada nesta turma e que se mostrou bastante útil para esta  pesquisa, foi que ao término da especialização todas as alunas entregaram uma  planilha com o registro dos atendimentos realizados. Este registro continha as data e  os horários dos atendimentos, os nomes e os códigos dos clientes, frequência, quem  supervisionou os atendimentos e em que data isso ocorreu e quando os relatórios  foram enviados para o banco de dados do IGT. Este resumo possibilitou traçar uma  ideia geral do que seria desenvolvido a partir de então e contribuiu com os dados  iniciais da pesquisa. A pesquisa foi assumindo novo contorno à medida que nos  deparávamos com as dificuldades no sistema de arquivamento de informações do  IGT. Alguns itens que chamaram a atenção durante a fase de levantamento serão  discutidos abaixo. O acesso a esses dados é confidencial, foi autorizado pela  coordenação e intermediado por uma psicóloga que era responsável pelo manuseio  do banco de dados. A mesma auxiliou no levantamento de todas as informações  referentes aos atendimentos registrados nesta pesquisa.

Faz-se necessário ressaltar que existem, simultaneamente, mais de um caminho  para o registro de informações dos clientes durante seu tratamento no IGT. O  primeiro a ser criado é o cadastro no banco de dados, onde são inseridos os dados  pessoais e gerado o código do cliente. No momento em que o cliente comparece  para a primeira entrevista a ficha de dados é impressa tornando-se assim a  segunda forma de registro. Quando o cliente inicia sua terapia os relatórios de  atendimento são gravados de forma confidencial no banco de dados de relatórios configurando-se este o terceiro modo de registro e há ainda uma quarta  possibilidade, que são os relatórios enviados pelos psicólogos via internet.

Os caminhos escolhidos para obter os dados utilizados nesta pesquisa foram a  busca das informações através do banco de dados e do banco de dados de  relatórios. Porque neles estão condensados os dados relevantes e se mostraram  mais acessíveis que todas as fichas de dados impressas, que poderiam estar nas  filas de espera, no arquivo dos clientes em atendimento ou no arquivo morto.

Cada cliente possui um registro geral no banco de dados de clientes do IGT, que não  contém informações confidenciais e, portanto pode ser visualizado por outros  profissionais não psicólogos que manuseiam os mesmos, como as recepcionistas do  IGT, por exemplo. Nesta ficha constam informações acerca do andamento do cliente  no banco de dados e nas filas de espera, e também sobre o envio da ficha para o  arquivo morto, seja por não ser possível o contato ou por desistência do cliente em  relação ao tratamento ou ainda pelo desligamento do serviço por faltas, por  desinteresse ou descumprimento do contrato.

Após a primeira entrevista, apenas os psicólogos manuseiam a ficha de dados  impressa do cliente. Por conter anotações sigilosas estas se encontram guardadas  em armário trancado e com senha que somente os psicólogos e estudantes de  psicologia do IGT têm acesso. Sempre que os psicólogos do IGT buscam contato  com os clientes para dar início ao atendimento é necessário que as fichas de dados  sejam atualizadas e novamente arquivadas na fila de espera. A partir de então, cabe  aos psicólogos atualizá-la, manualmente, a cada tentativa de contato.  

Após a realização da primeira entrevista o psicólogo que a realizou redige um  relatório e armazena-o no banco de dados de relatórios do IGT. Cada psicólogo  possui seu próprio login e senha para garantir a confidencialidade das informações  ali postadas. Estes relatórios ficam ali disponíveis para futuras consultas. Outro  caminho para armazenamento dos relatórios de atendimento é o envio pela internet,  através de site próprio para isso. Estes relatórios ficam armazenados no sistema do  IGT, porém o acesso posterior pelos alunos, neste momento, encontra-se mais  restrito por questões técnicas.

Na época em que esta pesquisa foi empreendida as atualizações no registro geral  do banco de dados ocorriam apenas ao término do tratamento do cliente no IGTou  no momento do envio da ficha para o arquivo morto. Atualmente ocorrem com  frequência semanal, sendo esta mudança resultante da combinação de diversos  fatores como a necessidade de atualização, o aumento do número de alunos  bolsistas que contribuem com a manutenção de algumas atividades no IGT e aliado  também aos resultados encontrados durante esta pesquisa.  

Além da necessidade de atualização das informações vemos a carência no registro  de detalhes no transcorrer do processo de atendimento na CS-IGT. Poderiam ser  acrescentados no banco de dados e na ficha de andamento do cliente os campos previamente definidos que demarquem o que foi acordado com o cliente no contato  realizado. Estes campos facilitariam o registro sobre qual a razão da desistência em  relação ao início do tratamento ou da impossibilidade de iniciar no momento da  chamada pelo psicólogo para o início do atendimento psicológico. Ficaria mais  evidente o que orientou o encaminhamento da ficha daquele cliente para o arquivo  morto. No caso de o cliente já ter iniciado uma terapia em outro local enquanto  aguardava ser chamado, um campo específico para este registro poderia apontar  onde aquele cliente começou a ser atendido, desde quando e por qual razão iniciou  aquele atendimento ao invés de aguardar a vaga na CS-IGT. Seria importante  também registrar a marcação do primeiro atendimento de forma clara com data (com  dia, mês e ano), especificando o comparecimento do cliente, bem como no caso de ocorrer a falta, explicitar de forma clara a justificativa para a mesma. 

A resolução nº 001/2009 do Conselho Federal de Psicologia “dispõe sobre a  obrigatoriedade do registro documental decorrente da prestação de serviços  psicológicos”. 

Consta em seu Art. 3: 

“Em caso de serviço psicológico prestado em serviços

escola e em campos de estágio, o registro deve 

contemplar a identificação e a assinatura do responsável 

técnico/supervisor que responderá pelo serviço prestado, 

bem como do estagiário. 

Parágrafo único. O supervisor técnico deve solicitar do 

estagiário registro de todas as atividades e 

acontecimentos que ocorrerem com os usuários do 

serviço psicológico prestado.” 

O registro deste tipo de informação nesta ficha de andamento já é solicitado pelos  supervisores, porém poderia ser um facilitador se essas opções de registro de  andamento já estivessem padronizadas para os psicólogos poderem mais facilmente  preencherem os itens e não esquecerem informações importantes. Um fator que  observamos no IGT é a resistência dos psicólogos em lidar com a burocracia de  registros destas informações. O aluno tem dificuldade para cumprir a rotina de  confecção de relatórios exigida pelo CFP e também pelos supervisores. Esta tarefa  pode não ser entendida pela maioria como pertencente ao processo de trabalho na  psicologia clínica. 

A partir do levantamento realizado foi detectada a importância de realizar,  corretamente e com disciplina, os registros nos prontuários dos clientes. Buscando  sanar, com os supervisores, toda e qualquer dificuldade que impeçam a adequada  realização do mesmo. Estes registros facilitam não apenas o encaminhamento do  cliente na CS-IGT, como também favorecem o entendimento do psicólogo sobre  suas responsabilidades enquanto profissional. A compreensão de que através  destes registros bem elaborados e objetivos o próprio trabalho psicológico a ser  desempenhado poderá ser favorecido, pois a partir das informações sobre o  processo do cliente dentro da clínica muitas vezes obtemos material fundamental  para o trabalho clínico a ser desenvolvido e para o aprimoramento do psicólogo  como profissional. 

2.1 FREQUÊNCIA NA PRIMEIRA ENTREVISTA

Nesta amostra foram marcadas 268 primeiras entrevistas. Dentre elas houveram 100  faltas, 38 desmarcações e 130 comparecimentos.

As razões que contribuem para o grande número de faltas e desmarcações não  estão claras, neste momento, para a pesquisadora e para os coordenadores da CS-IGT, mas pode estar relacionada ao fato desta primeira entrevista não ser paga, de  haver uma relativa facilidade para agendá-la e também a questões inerentes a falhas  no atendimento telefônico, a não confirmação por parte do psicólogo para a  entrevista, falhas durante o contato de confirmação. E até mesmo a desistência por  parte do cliente, que pode ter agendado por impulso e que até o dia da primeira  entrevista tenha conseguido encontrar recursos próprios para lidar com o impasse  que vivia.

As faltas nas primeiras entrevistas geram sensação de desapontamento nos  psicólogos que se disponibilizam para o atendimento e se frustram diante da  ausência do cliente, do tempo desperdiçado e do desenvolvimento prático que deixa  de adquirir.

Apesar de ter empreendido uma pesquisa rigorosa, foi percebido através de  conversas informais com outros psicólogos, colegas de profissão e em sua maioria  gestalt-terapeutas, que as faltas nas primeiras entrevistas não fazem parte apenas  da realidade deste instituto, são presentes também para o profissional psicólogo na  clínica particular. Pensar sobre a grande incidência de faltas pode ser importante  para o psicólogo criar estratégias em sua atuação que minimize essa ocorrência na  sua prática clínica, como por exemplo efetuar a marcação da primeira entrevista em  um prazo curto entre a ligação e o atendimento propriamente dito, entrar em contato  com o cliente algumas horas antes do atendimento para confirmar sua presença e  solicitar mais de uma forma de contato.

No curso de especialização em psicologia clínica no IGT há espaço, nas  supervisões, para que as questões relacionadas à falta sejam trabalhadas em prol  do desenvolvimento do terapeuta. São enfatizados os cuidados em relação à  divulgação do atendimento por parte da instituição, a importância da boa  comunicação no contato telefônico no momento da marcação da consulta e relevância da confirmação na véspera do atendimento. O psicólogo pode refletir  

sobre sua postura, avaliando sua forma de cuidar do vínculo que buscou estabelecer  com um cliente que procura iniciar um tratamento psicológico e de que maneira  vivenciou a ausência do cliente à consulta agendada.

Contudo, não foi possível alterar o quadro atual em termos numéricos. No entanto  algumas iniciativas foram implementadas a fim de contribuir para a redução das  faltas nas primeiras entrevistas. Hoje em dia o prazo máximo de marcação desta  primeira entrevista é de até 15 dias após a ligação do cliente para fazer a ficha. Caso  não se consiga agendar um horário neste prazo, o cliente é convidado a aguardar  alguns dias e ligar novamente para o IGT para marcar um horário. Este fato se deu  para evitar marcações com prazos muito longos o que muitas vezes levava o cliente  a perder o interesse ou a esquecer das consultas agendadas.

2.2 GÊNERO

Das pessoas que chegaram até a primeira entrevista no IGT, 103 eram do gênero  feminino e 27 do gênero masculino.

Assim como em outros trabalhos, que buscam caracterizar o perfil da clientela das  clínicas-escola e das clínicas sociais, é notória a predominância feminina nestes  serviços em busca de tratamento. Não há informações concretas que a justifiquem,  porém podemos inferir que esta busca está relacionada às influências culturais  atribuídas ao papel feminino.

“Pode-se pensar que tais achados refletem os  

condicionamentos socioculturais moldados pelas relações  

de gênero, uma vez que durante o processo de  

socialização primária e secundária há uma construção de  

gênero que modela as características psicológicas mais associadas a cada sexo e determina, por exemplo, que as  

mulheres devem externalizar suas emoções e solicitar  

ajuda sempre que necessário, ao passo que os homens,  

ao contrário, devem desde cedo ocultar seus sentimentos  

e aflições psíquicas e cultivar a coragem heroica, a  

bravura e a resistência à manifestação emocional diante  

das adversidades que enfrentam no cotidiano.” (PERES;  

SANTOS; COELHO, 2004, p. 50)

Ainda que as influências socioculturais estejam, atualmente, passando por inúmeras  reconfigurações, o quadro acima permanece fazendo sentido a partir dos dados  levantados.

Este dado se apresentou bastante semelhante no estudo feito por Santo (2010)que  compreendeu 64 primeiras entrevistas agendadas entre 11 de abril de 2008 e 04 de  novembro de 2009, em que 45 pessoas eram do sexo feminino, perfazendo um total  

aproximado de 70% e os 30% restante correspondem a 19 pessoas do sexo  masculino.

2.3 FAIXA ETÁRIA

No que diz respeito à faixa etária, encontramos 14 pessoas abaixo de 18 anos, 19  pessoas com idade entre 18 e 25 anos, 27 pessoas entre 26 e 35 anos, 29 pessoas  entre 36 e 45 anos, 27 pessoas entre 45 e 60 anos e 12 acima dos 60 anos, não  foram encontrados dados referentes a idades em 2 registros.

Chama a atenção o número elevado de pessoas em 3 faixas etárias distintas,  poderíamos considerar isso um empate técnico e que sendo visto desta maneira,  corresponderia a uma busca por atendimento psicológico de pessoas entre 26 e 60  anos, que equivalente a 64% da demanda da CS-IGT.

De maneira geral, entre os 26 e 60 anos de idade as pessoas são marcadas,  frequentemente, por momentos difíceis para o ser humano, e muitas vezes buscam  ajuda profissional para lidar com o início da vida profissional, início e/ou término de  relações afetivas, adaptação ao crescimento dos filhos, aposentadoria, solidão,  reflexões existenciais.

Os impasses ligados a lidar com estes períodos acabam trazendo pessoas para a  terapia que, como uma das possibilidades, favorece com que os clientes se  percebam neste processo de ajustamento criativo, exigido constantemente pela vida.

“Pode-se descrever o ajustamento criativo como  

processo pelo qual a pessoa mantém sua sobrevivência e  

seu crescimento, operando seu meio sem cessar ativa e  

responsavelmente, provendo seu próprio desenvolvimento  

e suas necessidades físicas e psicossociais.”  

(MENDONÇA, 2007, p. 21)

Diante de um impasse a pessoa pode não encontrar um caminho satisfatório para  lidar com a situação. Nestes casos o processo terapêutico auxilia a pessoa na  criação de novas alternativas possibilitando a descoberta de estratégias adaptativas.

2.4 ACORDO FINANCEIRO

Na primeira entrevista, entre outras coisas, o cliente definirá qual o valor que se  responsabilizará mensalmente para seu processo terapêutico. Para facilitar os  levantamentos estatísticos, fica registrado na ficha de dados do cliente o valor que se refere a cada sessão. E, como já foi dito acima, este valor é determinado pelo  cliente em conjunto com o psicólogo que o entrevista. Na amostra levantada para  esta monografia observamos que 52 clientes estipularam valor abaixo de R$ 15,00,  22 clientes disponibilizaram entre R$ 15,00 e R$ 30,00, 10 clientes acordaram entre  R$ 30,00 e R$ 50,00, 2 clientes combinaram valor acima entre R$ 50,00.

Não foram encontradas informações acerca do valor acordado em 44 registros de  atendimentos, apesar de haver no relatório campos específicos para o detalhamento  do valor estabelecido e de como funcionou o acordo financeiro. Em alguns destes  registros constavam apenas alguns detalhes de como funcionou o acordo financeiro  sem menção ao valor estabelecido. Sugerindo que o psicólogo não compreendeu de  maneira clara sobre o correto preenchimento do relatório.

De uma maneira coerente com a visão da Gestalt-Terapia, a política do IGT mantém  uma postura dialética na relação com o cliente, tornando possível que o mesmo  chegue a um acordo com o psicólogo, sobre o que é viável paraambos, em termos  do máximo valor significativo que pode ser investido no processo de psicoterapia.  Toda a remuneração referente aos atendimentos realizados na CS-IGT é destinado a  manutenção do próprio instituto.

Em alguns casos o cliente possui dificuldade de definir um valor para o serviço que  está solicitando. Algumas razões apontadas nos relatórios dizem respeito a:  dificuldade do cliente em administrar seu orçamento incluindo nele mais uma  despesa; dependência financeira de terceiros, não podendo estabelecer um valor  por si mesmo; desconhecimento do valor do tratamento psicológico.  

O psicólogo, percebendo a dificuldade do cliente em relação ao estabelecimento do  pagamento, pode tentar auxiliá-lo. Quando não se consegue chegar a este acordo  no momento da primeira entrevista, pode-se deixar para ser feito no momento de  início da terapia. Para tanto uma observação precisa ser feita na ficha do cliente, a  fim de notificar ao próximo profissional que fará contato com o cliente sobre a  importância de determinar este valor para poder iniciar o atendimento no IGT.

Santo (2010) avaliou em sua pesquisa, sobre as primeiras entrevistas que realizou  na CS-IGT, que 70% dos clientes apresentaram dificuldade para definir um valor financeiro para remunerar o atendimento. O referido autor levantou algumas  hipóteses para pensar sobre o alto índice encontrado, entre elas apontou uma  possível dificuldade do terapeuta em lidar com esta questão. No que se refere às  

dificuldades dos clientes, destacamos alguns trechos que ele ressaltou nas páginas  77 e 78, o “desconhecimento dos valores cobrados por este tipo de profissional tanto  num atendimento de clínica social quanto em consultório particular”, “outra hipótese  é a de que talvez alguns destes clientes poderiam imaginar que o Instituto se  disponibilizaria a atender gratuitamente”, necessidade de consulta a alguém da  família que pudesse estar se responsabilizando em ajudar ao cliente no  investimento; situação de risco financeiro, dúvidas, etc.”

O estabelecimento do valor a ser acordado entre cliente e psicólogo precisa ser  tratado com atenção, pois podem emergir desse acordo sentimentos de  constrangimento e ressentimento. Os sentimentos não resolvidos entre o cliente e o  psicólogo relacionados à cobrança do processo terapêutico, podem gerar dificuldade  de vínculo e aprofundamento da relação. Este tema é bastante delicado e pode se  tornar problemático, caso não seja bem cuidado.

Não só a retribuição financeira está em foco no momento da terapia, mas a forma  como o cliente estabelece seus acordos com o mundo, como ele funciona, que  postura ele assume diante de compromissos.  

“Desta forma, os profissionais em início de carreira  

acabavam por não saber ou por ter dificuldades em  

valorar seu trabalho. Assim, existe a dificuldade de  

perceber a ideia do pagamento como uma retribuição por  

uma prestação de serviço, bem como o pagamento de  

honorários como parte do tratamento, o que interfere e  

causa prejuízo no próprio processo psicoterapêutico(...)”  

(GROSS; TEODORO, 2009, p. 324)

Tratar de um contrato financeiro se apresenta como dificuldade para muitos  psicólogos, principalmente para os iniciantes.

“Os profissionais iniciantes na prática clínica, ao fixarem o  

valor de seus honorários, condicionaram a escolha do  

valor ao fato de serem novatos na profissão. A partir  

disso, pode-se inferir que é feita uma desvalorização do  

psicólogo clínico por ele mesmo e que há uma deficiência  

na formação desse profissional com relação ao  

conhecimento prático-teórico acerca de sua remuneração  

e valoração do seu trabalho(...)” (GROSS; TEODORO,  

2009, p 322)

A experiência vivenciada pela pesquisadora na graduação em psicologia não a  preparousuficientemente para lidar com acordos financeiros. Nos estágios durante a  graduação os valores cobrados pelos atendimentos obedeciam os padrões  estabelecidos pela instituição. O estudante apenas seguiam aquilo que está determinado. Não desenvolvendo habilidades para lidar com negociações  

financeiras sobre o valor e reconhecimento do seu trabalho.É comum ao psicólogo  vivenciar o dilema entre a motivação para ajudar as pessoas e a necessidade de  remuneração de seu trabalho. Considerando ainda que a profissão do psicólogo  requer aprimoramento e investimento contínuos, pessoal, financeiro e temporal. A  experiência na CS-IGT e no desenvolvimento desta monografia favoreceu a reflexão  sobre esse tema a partir das facilidades e dificuldades do próprio psicólogo em  estabelecer o valor justo a ser cobrado pelo seu trabalho.

2.5 ENCAMINHAMENTOS

Com base nos valores acordados nas primeiras entrevistas, 21 pessoas foram  encaminhadas para convênio e outras 84 indicadas para o atendimento na CS-IGT,  não foram encontrados 24 registros de encaminhamentos de clientes e em 1 caso  não foi indicado acompanhamento psicológico.

Existe na CS-IGT o que poderíamos chamar de dupla triagem, a primeira ocorre no  momento do contato com a recepcionista, quando esta informa ao cliente a  existência de duas modalidades de atendimento, uma que é a clínica social, voltada  para população de baixa renda e outra que é o atendimento pelo convênio, voltado  para as pessoas que não necessitam da clínica social.

No momento da primeira entrevista realizada com as pessoas que informam se  enquadrar na modalidade de clínica social, o psicólogo avalia mais de perto a  questão do valor possível para o pagamento. A partir daí pode confirmar se o  atendimento será mesmo realizado pela clínica social ou se é possível encaminhar  para convênio.

Não foram encontrados registros no banco de dados de 18% dos encaminhamentos.

              Novamente fica claro que houve falha no registro realizado nas fichas de  

atendimento e posteriormente no banco de dados, desta vez no que diz respeito ao  preenchimento do campo encaminhamento. Ao realizar a primeira entrevista o  psicólogo precisa concluir o atendimento com um encaminhamento, que seria clínica  social ou convênio e também a indicação terapêutica (infantil, individual, grupo, casal  ou família) e registrar isso na ficha do cliente.

Este atendimento é supervisionado e discutido se o encaminhamento e a indicação  estão de acordo com o caso. Logo esta informação é fundamental para que a ficha  do cliente seja encaminhada para a fila de espera da respectiva indicação  terapêutica. A ficha (papel) só é liberada, pelos supervisores, para seguir seu  caminho se estes campos estiverem preenchidos.

2.6 MODALIDADES DE ATENDIMENTO E TEMPO DE ESPERA

Das 84 pessoas encaminhadas para a CS-IGT, 5 foram indicadas para atendimento  infantil, 11 para atendimento individual, 59 para atendimento de grupo, 9 para  atendimento de casal e família.

Nesta amostra a demanda para atendimento infantil é bastante reduzida em  comparação às demais possibilidades, mesmo o IGT oferecendo um curso de  formação em Atendimento Infantil na Abordagem Gestáltica.

Como disse no capítulo anterior, existem algumas restrições de perfil para o  atendimento individual no IGT. Na prática, percebemos que a busca pela modalidade  individual é bastante grande por parte dos clientes. O que se apresenta nesta  pesquisa é a porcentagem de pessoas que não apresentavam perfil possível para  indicação de grupo no momento em que procuraram o IGT e que por isso foram  encaminhadas pelos psicólogos que a atenderam naquele momento para o  atendimento individual, conforme melhor explicado anteriormente, no capítulo 1 na  página 19.  

A busca por atendimento de casal e família corresponde a 11% de todas as indicações feitas na primeira entrevista. Apesar de parecer um número pequeno ele  é proporcional à capacidade de atendimento da CS-IGT, visto que demanda a  reunião de equipes com vários profissionais, o que significa uma restrição na  quantidade de atendimentos possíveis. Esta modalidade de atendimento também  não é muito conhecida pelos usuários da CS-IGT, a busca quase sempre recai sobre  o atendimento individual.  

Nota-se que 70% desta amostra da clientela da CS-IGT foi indicada para  atendimento psicológico em grupo. Este não é um retrato fiel da procura que  recebemos para o atendimento psicológico. A maior parte das pessoas que chegam  ao IGT não solicitam serem atendidas em grupo, inicialmente, até porque não é uma  modalidade de atendimento psicológico muito divulgada. Hoje já com mais de 10  anos de divulgação desta modalidade no IGT temos alguma procura já voltada para  o atendimento de grupo, pois as pessoas que são indicadas por outros clientes já  conhecem um pouco da rotina do IGT e já ouviram falar do tratamento em grupo.

“Cabe destacar aqui que a busca por atendimento 

psicológico no Rio de Janeiro ainda se concentra quase 

exclusivamente, na amostra desta autora, dentro de um 

modelo tradicional, isto é, um psicólogo atendendo um 

cliente em um tempo de 50 minutos. Este contexto se dá 

apesar de o trabalho em grupos ter inúmeras vantagens 

em relacão ao atendimento individual, além das 

vantagens financeiras (...).” (ESTARQUE PINHEIRO;  

PINHEIRO 2012, p 122). 

Durante a primeira entrevista o psicólogo avalia o perfil do cliente e conclui que a  indicação para grupo é adequada e possível, em muitos casos sendo a única  possibilidade de tratamento oferecida para o cliente no IGT. Esta postura é adotada  visto que se a prevalência do atendimento individual fosse correspondente à procura  que a CS-IGT recebe, o tempo de espera até o atendimento seria  enorme.Priorizando o atendimento individual apenas para os casos mais graves e  encaminhando para grupo os que apresentam perfil possível para tal, a CS-IGT  consegue oferecer atendimento de qualidade a um maior número de pessoas e com  o tempo de espera reduzido. O cliente pode escolher aceitar ou não esta proposta  terapêutica. No caso de haver recusa e não ser possível o encaminhamento para  nenhuma outra modalidade, dentro dos parâmetros da CS-IGT, é dada a ele uma  lista de locais possíveis para que ele busque atendimento psicológico em clínica  social, na modalidade em que ele deseja.

Na época da realização da coleta de dados, de julho a novembro de 2011, 84  sujeitos desta amostra haviam sido encaminhados para as filas de espera. Desta  amostra, 60 clientes receberam um primeiro contato realizado por um terapeuta com  disponibilidade para atendê-lo de acordo com o dia e horário que foram informados  na primeira entrevista.Nos demais 24 cadastros não constavam informações acerca  do contato realizado pelo terapeuta. 11 foram encaminhados para arquivo morto, não  contendo nenhuma observação da razão deste encaminhamento e 13 não  continham nenhuma informação no banco de dados.

Daqueles que receberam o primeiro contato, 5 não continham informações, no  banco de dados, acerca do que foi acordado neste contato, suponho que  permaneceram na fila de espera aguardando contato posterior.

Os atendimentos de primeira entrevista ocorreram entre setembro de 2009 e abril de  2011, as informações a respeito do arquivo morto foram levantadas em dezembro de  2011. 55 fichas de clientes haviam sido encaminhadas para o arquivo morto, sendo  que em 9 delas não constavam as razões para o arquivamento. Os demais 46 se  subdividiam em 4 categorias: 18 clientes informaram indisponibilidade para iniciar a  terapia, 21 pessoas optaram por desistir do atendimento, 5 já haviam iniciado a  terapia e outras 2 pessoas combinaram o início dos atendimentos com o terapeutas,  mas não compareceram.

Após os encaminhamentos para as filas de espera, os clientes precisam aguardar o  contato de um psicólogo convocando-o para dar início ao tratamento psicológico. O  tempo total de espera apresenta-se como um dado relevante para pensar sobre  continuidade do atendimento na CS-IGT. 

O tempo de espera decorrido entre a primeira entrevista e o primeiro contato de um  psicólogo se apresentou da seguinte maneira: até 30 dias para 20 pessoas, 15  pessoas aguardaram entre 31 e 60 dias, para 9 pessoas a espera durou entre 61 até  90 dias, 6 pessoas permaneceram aguardando num período entre 91 e 120 dias, o  tempo de espera foi superior a 120 dias para 7 pessoas. 

Tratando-se da avaliação quantitativa, 61% daqueles que estão na fila de espera  recebem o primeiro contato em até 60 dias após a realização da primeira entrevista,  o que demonstra uma relativa rapidez até o início da terapia.

Não podemos descartar a possibilidade de ter havido algum contato que não tenha  sido registrado na ficha de andamento pelo psicólogo. Por que a todo tempo  estamos esbarrando nas dificuldades dos psicólogos trabalharem com mais de um profissional acompanhando a fila de espera dos clientes, descuidando dos registros  das informações nas fichas dos clientes que asseguram a continuidade do serviço.  

O tempo de espera, decorrido da primeira entrevista até o contato para o início do  atendimento, está intimamente relacionado aos horários disponibilizados pelo  cliente. Quanto mais ampla a disponibilidade de horários que o cliente coloca como  possíveis para ser atendido, mais rapidamente ocorre este contato. Porque ampliam se as chances de coincidir a interseção dos horários disponibilizados pelos  psicólogos e pelo cliente.  

Dependendo do tempo que a pessoa espera até o primeiro contato, algumas  variações podem ocorrer em sua vida, alterando sua disponibilidade de horário.  Caso isto aconteça, o cliente é orientado na primeira entrevista a informar ao IGT o  quanto antes, estas alterações, para que suas informações sejam atualizadas em  sua ficha e o contato seja realizado com assertividade. É orientado que o cliente, ao  fazer esta atualização, o faça fornecendo seu código de cadastro no IGT, pois isso  facilita a sua localização e atualização de suas informações em sua ficha de  atendimento que se encontra na fila de espera.

Os psicólogos são orientados a não deixar recado com terceiros no momento em  que entram em contato para agendar o início do tratamento, caso não seja o próprio  cliente que atenda a ligação. Para evitar inúmeras complicações que podem surgir a  partir daí, como por exemplo, alguém que buscou terapia e optou por não contar à  família, neste caso deixar recado pode acarretar algo que o cliente desejava evitar. Por outro lado, o fato de não deixar recados pode prolongar o tempo de espera, pois  será necessário aguardar o próximo contato de um psicólogo para chamá-lo para o  início do tratamento.Neste sentido é orientado ao aluno checar com o cliente na  primeira entrevista sobre a possibilidade de deixar recados para ele e que esta  informação seja anotada explicitamente na ficha de cadastro.

O fluxo de terapeutas também influencia na distribuição dos atendimentos, podendo  haver maior disponibilidade de psicólogos para realizar atendimentos em  determinados dias ou horários.

Os psicólogos que são também alunos do Curso de Especialização em Psicologia  Clínica - Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e Família), disponibilizam horários para  cumprir sua carga horária prática do curso. Que consiste em um atendimento de  primeira entrevista a cada duas semanas pelo menos, um atendimento individual  semanal, um atendimento de grupo semanal e um atendimento em equipe de família  a cada duas semanas. Os atendimentos são realizados prioritariamente no IGT.  Para que seja possível alocar todos os psicólogos, existe uma agenda para o  controle da disponibilidade das salas e dos horários, assim cada psicólogo elege os  horários que estão disponíveis na agenda e que sejam compatíveis com sua própria  disponibilidade para estar no IGT. Sendo assim, pode ocorrer que em determinados  dias ou turnos, haja mais psicólogos do que em outros dias ou turnos. O que faz  com que a fila de espera caminhe não só seguindo as datas da primeira entrevista,  mas também de acordo a interseção entre a disponibilidade informada pelo cliente e  a dos psicólogos.

Lidamos, muitas vezes, com a dificuldade de entrar em contato com os clientes. Pois  os clientes trocam de telefones e não informam ao IGT ou por algum erro de  digitação que não é conferido pelos psicólogos no momento da primeira entrevista. E  ainda na ficha que é impressa temos um problema, pois o último dígito do telefone  celular informado pelo cliente não aparece impresso na ficha. Fato que muitas vezes  dificulta o contato com o mesmo. Porém esta informação é amplamente divulgada  entre os psicólogos que são orientados a fazer esta correção no momento da  entrevista inicial. Ou mesmo quando o psicólogo busca a ficha na fila de espera e  encontra esta falha ele pode recorrer a recepção para fazer esta correção. Porém  aqui mais uma vez esbarramos com uma dificuldade por parte dos psicólogos em  lidar com as questões ligadas a registros e atualizações de prontuários.

Alguns clientes, quando recebem o contato convidando para o início do processo  terapêutico, informam estarem insatisfeitas com o tempo de espera prolongado e  que isso as levou a buscar atendimento em outra instituição. Em alguns casos a  

terapia não é mais vista como necessária e outros chegam a desistir do atendimento  por esta razão. Mais uma vez é percebida a importância do papel do psicólogo ao  longo de todo o processo de acolhimento deste cliente na CS-IGT, informando  corretamente sobre o processo de espera e o tempo de demora, sobre os cuidados  com seus registros de dados como telefones e horários para contato, possibilidade  ou não de se deixar recados, disponibilidades de horários para atendimentos e  agilidade nos contatos por telefone.

No momento da primeira entrevista o cliente é informado que o psicólogo que o está  recebendo possivelmente não será o mesmo que dará continuidade em seu  atendimento, contudo a impressão deixada neste momento pode influenciar na  aderência da pessoa ao tratamento na CS-IGT.

As primeiras entrevistas são momentos de conhecimento  

e escolha mútua em que o cliente se apresenta pelos  

seus motivos, queixas, questões e história de forma  

peculiar, e o terapeuta se mostra pelo seu estilo pessoal,  

sua indumentária, seu escritório de atendimento e suas formas de intervir. As primeiras entrevistas são também  

momentos de acolhimento e preparação para o vínculo  

que começa a se fazer. A forma de presença do terapeuta  

é, portanto, fundamental para o tipo de relacionamento  

que vai acontecer. (SILVEIRA, 1997, p.12)

Para além da presença do terapeuta, o cliente do Instituto percebe o atendimento na  recepção, a estrutura física, o funcionamento e isto também se constitui critério em  sua avaliação e contribui para que ele sinta-se a vontade para dar continuidade ou  não à terapia psicológica na CS-IGT.

Faremos uma breve apresentação da estrutura física do IGT.Como facilidades  podemos apontar que o IGT conta com três salas de atendimento com ar  condicionado, sendo duas com sofás confortáveis e uma que possui cadeiras de  escritório, todas disponibilizam também grandes almofadas, espelhos e materiais  lúdicos como instrumento de trabalho.Os clientes observam que as recepcionistas  informam aos psicólogos de sua chegada e enquanto isso conferem os dados do  cliente na agenda no computador e imprimem as fichas para o atendimento. Para  tornar a sala de espera mais convidativa são disponibilizados água, cafezinho e  revistas. Para proporcionar maior comodidade há um banheiro para clientes que se  localiza próximo a recepção.  

Vem sendo sinalizado como algo que causa desconforto o fato da sala de espera contar com seis lugares, e que algumas vezes precisam ser divididos também com  alunos que aguardam o início de suas aulas ou que precisam resolver alguns  assuntos com as recepcionistas.

3. A PERTINENCIA DA TERAPIA DE GRUPO NA CS-IGT

A linha de pesquisa sobre CLÍNICA SOCIAL busca aprofundar o conhecimento sobre  esta prática, considerando todas as suas especificidades, avaliando a importância da  sua contribuição na formação do psicólogo e também para a população atendida.

Tendo em vista que na amostra utilizada como base para esta monografia, 70% das  pessoas que passam pela primeira entrevista na CS-IGT apresentam perfil para  indicação de terapia de grupo, trataremos neste capítulo sobre esta forma de terapia  na Gestalt-Terapia que vem sendo empregada no contexto da clínica social do IGT.  O resultado encontrado nesta pesquisa também aponta para a importância da  capacitação de profissionais para o tratamento psicológico em grupo.

A Gestalt-Terapia entende o homem como ser em relação com tudo que está a sua  volta, pessoas, instituições, papeis sociais. O psicólogo que se orienta por esta visão  entende o cliente como um coletivo de todas as experiências vividas. Esta  concepção estará presente no olhar do profissional para com seu cliente, seja na  terapia individual, de grupo, de casal ou família. Contudo é na modalidade de terapia  de grupo que mais se evidencia, devido ao encontro de diversas pessoas, cada qual  trazendo para o momento do encontro com o grupo suas experiências e vivências particulares.

“GT é uma proposta de compreensão do ser em sua  

fluidez, a psicoterapia em GT é baseada no dinamismo  

relacional no settingclínico, não se faz pertinente ao  

terapeuta a função de ensinar, mas sim de estar presente  

nos processos de aprendizagem, por quais passa o  

cliente, e em estado presente se tornar uma presença  

confiável fazendo parte do espaço vital, colaborando para  

uma psicoterapia em que o bem estar seja promotor de  

auto-conhecimento.”(OLIVEIRA, 2011, p.290)

O psicólogo gestalt-terapeuta se propõe estar ao lado do cliente, acompanhando ele  em suas angústias, escolhas e tentativas. Dessa maneira acredita que estará  próximo o bastante do cliente para saber como este se sente e pode dar o suporte  necessário, permitindo a autonomia do cliente em suas decisões. Não visa orienta-lo  ou guiá-lo em uma determinada direção, é um facilitador das trocas e da  awareness[6], que significa estar atendo ao que está acontecendo na relação  organismo-ambiente momento a momento.

A dinâmica das trocas intra e interpessoais na terapia de grupo contribuem para o  processo terapêutico uns dos outros. Em grande parte das vezes podem ser  exploradas muito mais possibilidades na terapia de grupo do que na terapia  individual, onde a relação de troca se dá apenas com o psicólogo.

‘Foi em 1966 que Perls se posicionou publicamente em  

relação à psicoterapia de grupo, em conferência proferida  

para a “American PsychologicalAssociation”. Nessa  

conferência, intitulada “Terapia Individual versus Terapia  

de Grupo”, ele colocou: “Durante algum tempo tentei  

resolver este conflito em Gestalt-terapia, pedindo a meus  

pacientes que se submetessem a ambas. Ultimamente,  

entretanto, eliminei totalmente as sessões individuais,  

exceto nos casos de emergência. De fato, cheguei à  

conclusão de que toda terapia individual é obsoleta. (...)  

Em meus workshops agora integro o trabalho individual e  

grupal. Entretanto, isto somente tem resultado com o  

grupo, se o encontro do terapeuta com o paciente  

individual dentro do grupo for efetivo.’ (TELLEGEN, 1984,  

p. 51)

Estar em grupo pode propiciar que o sujeito estabeleça relações com os diferentes  membros do grupo de forma semelhante às relações que estabelece fora do setting,  desta maneira recria as dificuldades, facilidades e conflitos que experiência em sua  vida. As interações vividas no grupo,associadas a técnicas e intervenções realizadas  pelo terapeuta, são o que essa modalidade apresenta de mais rico em termos de  modalidade de atendimento psicológico, pois possibilitam que as pessoas se  desenvolvam, ampliem e aprofundem o autoconhecimento, a capacidade de se  relacionar e promovam mudanças em comportamentos que não estejam mais sendo  vividos como adequados para o cliente.

A terapia de grupo não é uma modalidade de atendimento muito conhecidapara o  público em geral. Além disso, podemos inferir ainda que as pessoas sentem-se  envergonhadas quando precisam recorrer aos serviços de um psicólogo, na maioria  das vezes mantendo sua terapia em sigilo, revelando apenas para um pequeno e  seleto grupo de pessoas. Sendo assim, faria sentido para essa pessoa buscar uma  terapia individual. Mas pelo que vimosna experiência como psicóloga na CS-IGT, a  indicação de grupo é possível inclusive nesses casos. Ao acompanharmos o  desenvolvimento de grupos na prática clínica durante o período do curso realizado  no IGT, percebemos o quanto essa modalidade terapêutica tem sido produtiva e  eficiente.

Temos visto a crescente individualidade no contato real e pessoal na nossa  sociedade. A terapia de grupo vai na contramão dessa tendência e talvez por isso  tenha nutrido a tantas pessoas que antes se sentiam isoladas, vazias e adoecidas  em sua própria solidão.

“O poder potencial da terapia de grupo deriva-se,  

também, de um curioso fenômeno relatado em muitos  

segmentos de nossa sociedade: uma pervasiva sensação  

de crescente isolamento interpessoal e social. As  

experiências de grupo são ubíquas, mas experiências de  

coesão dentro do grupo, que ofereçam apoio, que  

facilitam a auto-reflexão, parecem escapar mais e mais de  

nossas vidas modernas e industrializadas. Os grupos são  

parte integral das nossas experiências desenvolvimentais,  

desde o início, na unidade familiar, passando pela sala de  

aula, até as pessoas que nos rodeiam no trabalho, no  

lazer e em casa. Ao mesmo tempo, ouvimos queixas  

sobre uma crescente alienação interpessoal na vida  

moderna, sobre uma sensação de isolamento,  

anonimidade e fragmentação social.” (VINOGRADOV;  

YALOM, 1992, p.14)

A terapia de grupo tem se mostrado uma opção bastante atraente nos dias atuais,  pois possibilita o contato[7]entre as pessoas, a troca viva entre o grupo. Este  contexto traz a possibilidade de se desenvolver uma intimidade e um aprofundamento das relações.

A proposta de trabalho psicológico da Gestalt-terapia não é direcionada. Os objetivos  não são definidos a priori e as sessões, quase nunca ocorrem de maneira planejada  e estruturada, todas elas são respaldadas pelosseus pressupostos teóricos e  técnicos. Quando todos estão no setting, não se sabe o que vai acontecer, mas algo  acontece, no ritmo do grupo, na energia que ele traz e compartilha. A participação e  as posições assumidas por cada um acabam direcionando o trabalho, tornando o  grupo um organismo vivo que escolhe traçar seu próprio caminho.

“O modelo não-diretivo é um modelo não acabado no qual  

o processo do grupo vai acontecendo espontaneamente,  

sem um objetivo previamente definido e sem uma  

preocupação com resultados. A finalidade destes grupos  

é que as barreiras que impedem as pessoas de se  

desenvolverem aflorem e que as mudanças aconteçam  

naturalmente.” (ALBUQUERQUE, 2011, p. 220)

O cliente é orientado pelo psicólogo a ficar atento às suas reações e percepções  durante todo o tempo, buscando permanecer no aqui-agora. Isso o favorece a  perceber reações emocionais. Quando está em um grupo terapêutico, seu contato  consigo mesmo e com o outro podem se ampliar, mesmo durante a colocação de  outros integrantes do grupo. Este contexto possibilita assim reconhecer e trabalhar  as suas fronteiras de contato na relação com o outro e a permeabilidade nessas  relações.

“Falar da arte do contato é falar sobre como prestamos  

atenção aos processos de nos compormos com o  

ambiente, de compor o nosso mundo, de compor a  

nossa experiência com a experiência de outra pessoa.”  

(SILVEIRA, PEIXOTO, 2012, p. 20)

À medida que o grupo avança no número de sessões,maior tende a ser a coesão e  a consistência das trocas. A ligação e vinculação entre os membros se tornam mais  significativas, acrescentando valor à fala de cada um.

“O ambiente exerce um impacto sobre mim. E, por meio  

de um equilíbrio entre assimilação e acomodação num  

ambiente de incessante mudança, eu cresço. O grupo de  

Gestalt enfatiza a intensificação do encontro e do contato  

entre as pessoas.” (ZINKER, 2007, p. 184)

Falando do trabalho com grupos dentro da CS-IGT podemos dizer que se mostra  uma forma de tratamento adequada em diversos aspectos para a instituição. A  modalidade de tratamento psicológico em grupo atende a demanda prática para os  alunos dos cursos de formação do IGT; tendo um número pequeno de psicólogos e  salas com horários restritos ainda assim é possível atender a quantidade de clientes  que procura tratamento nessa instituição e, além disso, prestando atendimento de  qualidade. A verificação desta realidade a partir dos dados registrados de forma sistemática nos bancos de dados da CS-IGT, favorece o desenvolvimento de um  olhar mais crítico e atento por parte dos alunos do IGT no sentido de buscar  aprimorar o trabalho que é oferecido de forma mais direcionada para atender às  demandas que emergem na clínica.

A experiência que a prática na CS-IGT proporciona é fundamental para que o aluno  experimente como se dá a aplicação dos conceitos teóricos, reconheça e  desenvolva suas habilidades, bem como possa identificar e sanar suas dificuldades.  O contato com os clientes e com os co-terapeutas são importantes para que o  psicólogo se afine enquanto instrumento de trabalho, conquiste segurança e saiba  como se posicionar diante do cliente, principalmente nos momentos em que somos  mais exigidos.

Neste capítulo levantamos a possibilidade de pensar a Gestat-Terapia lidando com  as necessidades encontradas na experiência vivida como psicóloga na CS-IGT,  coerente com as novas demandas do nosso tempo. No capítulo seguinte, no qual  será abordado as considerações finais constarão desdobramento dos pensamentos  colocados até aqui.

4.CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante o levantamento bibliográfico para este trabalho encontrei um número  reduzido de publicações sobre a importância da prática na CS para a formação do  psicólogo. O que denota que este aspecto da clínica social tem sido pouco analisado  e estudado, podendo haver inúmeras contribuições a serem dadas. A pesquisa  sobre a prática clínica pode ser o melhor caminho para congregar a práxis e o  aprofundamento teórico.

A experiência na CS-IGT possibilita ao psicólogo vivenciar a realidade do trabalho na  clínica, prepara o aluno para o contato telefônico com o cliente, ensina como lidar  com os registros de informações, a negociar valores, estabelecer e cumprir acordos  para o funcionamento da terapia, preparar o encerramento e a alta. Além de tudo  isso, aprendemos a colocar a teoria em prática, a lidar com as dificuldades que  surgem pelo caminho e a se preparar para viver cada encontro único com nosso  cliente.

Poder ter em mãos o registro das informações de fatos relevantes ocorridos durante  o processo terapêutico de uma pessoa é útil de duas maneiras. A primeira é no caso  da instituição, como ocorre na CS-IGT, quando algum aluno fará contato para iniciar  

a terapia de um cliente ele consegue saber detalhes sobre o caminho que esse  cliente já percorreu. A segunda é que no decorrer da terapia essas informações  podem ser utilizadas a fim de trabalhar algumas questões na terapia. Como por  exemplo o número de atrasos ou faltas, o tempo em que a pessoa está em terapia,  

entre outras possibilidades pode-se também realizar uma análise de todo o caso.

Estar ciente e atualizado sobre os detalhes envolvidos desde o momento inicial, em  que afetamos o cliente com nossa divulgação, até o início do tratamento possibilita ao psicólogo, tanto na CS-IGT quanto em seu consultório, a entender como a  

demanda da pessoa foi construída, quais as expectativas trazidas, de que maneira  estamos influenciando essa pessoa, que tipo de relação começamos a estabelecer  antes mesmo do primeiro contato presencial.  

Realizar um pequeno relatório sobre cada atendimento logo após oencerramento da  sessão permitiu que, além de transcrever a riqueza de detalhes daquilo que o cliente  estava vivendo também me ajudaram a perceber que resíduos restaram em mim  desse encontro, podendo ampliar e aprofundar reflexões sobre a minha atuação.  Esta prática facilitou pensar em propostas de intervenções que poderiam vir a ser  experimentadas em encontros futuros quando o momento se torna-se oportuno. Enquanto Gestalt-terapeuta é uma forma de registrar as impressões do aqui e agora  de uma maneira mais fidedigna, podendo utilizar-me destas anotações futuramente,  para estudo, para autoavaliação ou como parte do processo do cliente.  

Ter uma visão mais ampla acerca da história do cliente, a partir dos critérios de  registros exigidos nos relatórios da CS-IGT, foi importante para direcionar meu  trabalho tanto enquanto aluna, quanto em minha prática clínica particular. Aprimorei  meu olhar, me mantendo curiosa desde o primeiro contato com o cliente, observando  o que pode vir a ser abordado durante a terapia, formando uma imagem mais  completa, com figura e fundo, que podem se alternar de acordo com a necessidade  do momento.  

Ter uma visão mais ampla do contexto institucional foi importante para perceber o  quanto é necessário aperfeiçoar a estrutura burocrática (registros, contratos) e tomar  mais cuidados, principalmente em relação ao que interfere no trabalho que vem  sendo realizado junto ao cliente. As informações sobre a demanda que procura  atendimento no IGTpossibilitou refletir e analisar o que estava ocorrendo no  momento, identificar dificuldades, particularidades, pontos que poderiam ser  melhorados. Isso aperfeiçoou meu olhar para o trabalho na clínica, inclusive fora do  IGT.

No processo de construção de meu consultório particular pude utilizar muito do que  vivenciei durante o percursona CS-IGT, buscando fazer divulgações direcionadas a  partir da observação da demanda que me procurava ou das necessidades do local  

onde iniciei meu consultório; valorizando e cuidando de cada contato com aquele  que pode vir a ser meu cliente, em especial nos primeiros telefonemas (observar o  momento de receber as ligações) e primeiras entrevistas (me preparar para aquele  encontro, rememorando sempre o objetivo daquela sessão); Uma atenção especial  desde o primeiro momento em relação ao registro de dados do cliente, para que eu  não faça nenhuma confusão de informações e para que elas estejam disponíveis  caso a pessoa retorne o contato tempos depois.Estes registros são úteis também  quando, durante a terapia, posso retomar a alguns pontos que ficaram para traz.  Posso trazer o conteúdo destes registros para o cliente, demonstrando seu  progresso ou apenas convidando-o a revisitar um momento do seu próprio processo  terapêutico: ter noção do números de sessões já realizadas, atrasos ou interrupções  (faltas do mesmo aos nosso encontros, férias) e temas explorados ou não, buscando  atualizar ou resignificar o momento atual da relação terapêutica, usando como referência a nossa própria história a partir destes registros.

Entre outras coisas que aprendi na CS-IGT eu utilizo no meu trabalho particular, o  registro do contato do cliente, a marcação para a disponibilidade mais breve, o  controle de frequência e pagamentos, contratos, os relatórios de atendimento, o  arquivamento do material em local seguro, e também destino alguns horários para o  atendimento de quem não tem condições de arcar com o valor do tratamento  particular, o valor é acordado entre mim e o cliente. Tendo a experiência da  dificuldade com 4 formas diferentes de registro no IGT, no consultório mantenho  apenas 2, uma em papel correspondente ao contrato, frequência e pagamento e  outra digital (para evitar o acúmulo de papéis) com o resumo de cada atendimento,  ambas atualizadas logo ao término do atendimento, incluindo registros fotográficos  do material confeccionado em algumas sessões. As primeiras entrevistas tem sido  cobradas, variando apenas o valor entre os clientes particulares e sociais e o  número de faltas tem sido pequeno. No primeiro contato informo sobre a duração de  cada sessão, a frequência e o valor.  

Ao final do levantamento realizado pude observar que o perfil dos clientes que  buscaram tratamento na CS-IGT, na amostra pesquisada é: Mulheres, entre 26 e 60  anos, que apresentavam possibilidade para indicação de terapia em grupo, que  disponibilizaram até R$ 15,00 para o pagamento de cada sessão e aguardaram em  média 60 dias para iniciar a terapia.

Pensando, mais curiosamente sobre o perfil encontrado posso sugerir alguns  desdobramentos de aprofundamento na linha de pesquisa Clínica Social, visando  um aperfeiçoamento da proposta da CS-IGT: Identificar a demanda que estas  mulheres apresentam e a partir daí poder oferecer trabalhos de grupos voltados para  as questões preponderantes; Pesquisar a relação dessas demandas com o estilo de  vida da sociedade moderna; Avaliar a contribuição do processo terapêutico de grupo  para cada participante; coerência do investimento financeiro disponibilizado para a  terapia; Conhecer, de forma aprofundada, os perfis menos numerosos e buscar  detectar o que pode contribuir para esta incidência verificando novos caminhos;  Estudar a relação estabelecida, dentro da terapia de grupo, entre os diferentes perfis  encontrados na CS-IGT; bem como desenvolver estudos em cada modalidade de  atendimento.

Ainda no sentido de trazer desenvolvimento a CS-IGT, a partir das dificuldades  encontradas gostaria de contribuir com algumas sugestões para o trabalho na  mesma. Diante da dificuldade dos clientes de estipularem um valor para o  atendimento, sugiro a possibilidade de ir mais a fundo na investigação da relação  entre o reconhecimento do trabalho terapêutico e o valor atribuído a ele pelo cliente  que busca a CS-IGT. Como por exemplo, seria interessante pensar junto com o  cliente sobre qual o lugar destinado para a terapia dentro do orçamento familiar.  Qual seria a importância do investimento neste tipo de tratamento e como o cliente  seleciona seus investimentos. Visando esta possibilidade sugiro a criação de um  questionário socioeconômico que possa auxiliar no enquadre da realidade  econômica do cliente ao encaminhamento (Clínica Social ou Convênio) e para que  seja observada a coerência do investimento financeiro disponibilizado para a terapia.

Diante da falta de informações fundamentais no banco de dados da CS-IGT aponto  a necessidade de unificar o local de registros sobre o cliente e atualizá-lo  rigorosamente, incluindo todas as informações pertinentes ao seu percurso. E  também a criação de um terminal de acesso abrangente aos psicólogos, onde eles  possam inserir as atualizações em tempo real no banco de dados.  

Outra sugestão é que os psicólogos sejam orientados para que na ocorrência de  falta do cliente, entrarem em contato com o mesmo para saber o que contribuiu para  o não comparecimento e registrar na ficha do cliente o que foi conversado, assim  como o acordo realizado com o mesmo. Tendo o registro das razões que  determinam o grande índice de faltas poderemos avaliar melhor este dado  futuramente e buscar encontrar caminhos para evitar a situação presente em que os  psicólogos estão disponíveis para realizar as primeiras entrevistas, temos clientes  querendo agendar estas entrevistas e não conseguindo por falta de horário e em  meio a isso um número tão elevado de faltas nas primeiras entrevistas.

Estas informações não tornariam apenas os registros mais detalhados, mas também  viabilizariam a coleta de dados sobre o funcionamento da clínica social. De posse  destas informações seria fácil detectar e conhecer melhor o trabalho desenvolvido,  assim como as dificuldades encontradas. A partir destes dados poder-se-ia trabalhar  no sentido de desenvolver um projeto de aperfeiçoamento dos serviços oferecidos,  além de melhor capacitar os profissionais que buscam esta instituição para sua  formação profissional.

A vivência e o desenvolvimento desta pesquisa acrescentaram a minha prática um  tanto a mais de cuidado nos primeiros contatos, maior prudência, curiosidade e  respeito nas primeiras entrevistas. Ficou claro que o encaminhamento dado deve ser  bem apresentado e esclarecidas todas as dúvidas do cliente, principalmente quando  se trata de uma modalidade não muito conhecida e que não corresponde à busca  inicial de terapia, como a terapia de grupo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBUQUERQUE, Patrícia L. – Contextualização da terapia de grupo uma  pequena apresentação da história e do desenvolvimento de algumas  propostas de trabalhos com grupo. (p. 220 - 226) Revista IGT na Rede, V.8, Nº  15, 2011, Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs/ ISSN 1807-2526 Acessado em:  20/02/2013

Código de Ética Profissional do Psicólogo Disponível em:  

http://www.crprj.org.br/legislacao/documentos/codigo_etica.pdf Acessado em:  08/12/2012

ESTARQUE PINHEIRO, Márcia. A primeira entrevista em psicoterapia. (p. 136 - 157) Revista IGT na Rede, vol. 4, N 7, 2007 Disponível em:  

http://www.igt.psc.br/ojs/viewarticle.php?id=169&layout=html Acessado em:  30/11/2012

ESTARQUE PINHEIRO, Márcia; PINHEIRO, Marcelo. Grupo como possibilidade  de atendimento psicológico: Lidando com preconceitos e falta de  (in)formação.(p. 121-124) Anais do Congresso de Gestalt-terapia do Estado do Rio  de Janeiro; Vol. 2 – Instituto de Psicologia Gestalt em Figura Ltda., Rio de Janeiro,  2012

GROSS, Camile; TEODORO, Maycoln L. M. – A cobrança de honorários na  prática clínica (p. 315 - 328) – Psicologia Clínica Vol. 21 no. 2, Rio de Janeiro  (2009) Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 56652009000200005

Acessado em: 08/12/2012

MENDONÇA, MariseteMalaguth – Ajustamento Criativo (p. 20 - 22) In: Dicionário  de Gestalt-terapia: Gestaltês – D'Acri, Gladys. Lima, Patrícia. Orgler, Sheila. São  Paulo: Summus (2007).

OLIVEIRA, Ananias Filho – Qual é a especificidade da clínica em gestalt - terapia? (p. 279 - 293) - Revista IGT na Rede,V.8 Nº .15, 2011 Disponível em  http://www.igt.psc.br/ojs/ ISSN 1807-2526 Acessado em 20/02/2013.

PERES, Rodrigo Sanches; SANTOS, Manoel Antonio dos; COELHO, Heidi Miriam  Bertolucci. Perfil da clientela de um programa de pronto-atendimento  psicológico a estudantes universitários. (p. 47 - 54)Psicologia em Estudo, vol. 9  no 1, Maringá Jan/Apr. 2004. Disponível em  

http://www.scielo.br/pdf/pe/v9n1/v9n1a07.pdf Acessado em 30/11/2012.

POLSTER e POLSTER, Miriam e Erving. O novo ethos – O terapeuta como seu  próprio instrumento (p. 35–39). In: Gestalt terapia integrada; Tradução de Ricardo  Britto Rocha. Belo Horizonte: Interlivros, 1979

Resolução CFP N001/2009. Disponível em: http://site.cfp.org.br/wp content/uploads/2009/04/resolucao2009_01.pdf Acessado em: 08/12/2012

SANTO, Luiz Carlos Bandeira do E. Reflexões de uma Práxis Fenomenológica e  Transformadora em Psicoterapia de Base Gestáltica: atuação de um gestalt terapeuta em formação Monografia defendida e aprovada como parte integrante do  curso de especialização em psicologia clínica – Gestalt-Terapia (Indivíduo, Grupo e  Família) no IGT – Instituto de Gestalt-Terapia e Atendimento Familiar. Biblioteca do  IGT. Rio de Janeiro, 2012.

SILVEIRA, Teresinha Mello. A Gestalt no contexto da Psicoterapia: Teoria e  metodologia aplicadas a um caso clínico. (p. 4-7)Presença: Revista Vita de  Gestalt-Terapia, Ano 3 – Número 4, 1997.

SILVEIRA, Teresinha Mello.CONTATO (p.59-60) In: Dicionário de Gestalt-terapia:  Gestaltês - D'Acri, Gladys. Lima, Patrícia. ORGLER, Sheila. São Paulo: Summus,  2007.

SILVEIRA, T.; PEIXOTO, P.T.C – Estética do contato. Rio de Janeiro:ArquimedesEdições, 2012.

TELLEGEN, Therese Amelie. Gestalt e grupos:uma perspectiva sistêmica. (p. 43  - 53) São Paulo: Summus, 1984.  

VINOGRADOV, S.; YALOM, I.D. O que é a psicoterapia de grupo? (p.3-15). In:  Psicoterapia de Grupo: um manual prático. Tradução de Dayse Batista. Porto  Alegre: Artes Médicas, 1992.

YONTEF, Gary M. VI – GESTALT-TERAPIA:FENOMENOLOGIA CLÍNICA (p. 213- 232) In: Processo, Diálogo e Awareness.Ensaios em Gestalt-terapia. São Paulo:  Summus, 1998.  

ZINKER, Joseph. Processo criativo em Gestalt-terapia.(177 - 215) São Paulo:  Summus, 2007.

Endereço para correspondência

Ana Paula Cavalcante Pinto

E-mail: contato@anacavalcante.net

Recebido em 17/09/2013

Aprovado em: 24/10/2013

ANEXO - 1

MODELO DA FICHA DE DADOS DO CLIENTE

ANEXO - 2

MODELO DE RELATÓRIO DA PRIMEIRA ENTREVISTA

Relatório n _______

Nome do cliente completo:

Código do cliente:

Terapeuta:

Data do atendimento: Horário do atendimento: Supervisor:

Data da supervisão:

A Ação Planejada

B Elementos observados

Queixa inicial -

Vida Familiar -

Vida Afetiva -

Vida Social -

Grau de instrução -

Profissão -

Religião -

Medicamentos -

Outros tratamentos que fez ou faz -

Proposta terapêutica e como foi aceita -

Comentários sobre como funcionou o acordo financeiro -

C Mobilização interna do terapeuta

D Intervenções realizadas

E Avaliação do atendimento

ANEXO 3

CONTRATO DE ATENDIMENTO - CRIANÇAS E ADOLESCENTES Horário

O atendimento tem a duração de 50 minutos, sendo realizado em horário combinado  com antecedência, estando o terapeuta a disposição do cliente naquele período.  Como trabalhamos com hora marcada a pontualidade é fundamental, não sendo  possível estender o horário para além dos 50 minutos previstos, mesmo em caso de  atraso do cliente.

Em casos de atraso do terapeuta, na medida do possível, ocorrerá a compensação  para além do horário acordado ou em sessão subsequente (Combinação a ser feita  oportunamente).

Dia da semana: _____________ Horário: _________________

Honorários

()O valor da sessão é R$________(________________________________) e o  pagamento será feito sempre______________________________________.  ( ) O valor mensal acordado é de R$_______(__________________________) e o  pagamento será feito sempre ____________________________________. O pagamento será realizado diretamente ao(s) terapeuta(s) nas datas combinadas  no dia da primeira entrevista. Sessões em que o cliente desmarca ou não  comparece são cobradas normalmente independente de qualquer justificativa.  Qualquer alteração ou reajuste somente poderá acontecer com o conhecimento e a  autorização da direção do IGT.

Faltas

Não serão permitidas 2 (duas) faltas consecutivas ou 5 (cinco) intercaladas. Na  segunda falta consecutiva ou quinta intercalada, avisada ou não, o atendimento será  considerado interrompido e o cliente perderá a vaga.

Desmarcações ou mudanças de horário

Mudanças de horário só serão possíveis quando houver disponibilidade do terapeuta e da sala.

Profissionais

Os profissionais que realizam este atendimento têm convênio firmado com a Clínica  ou fazem parte dos Cursos de Aperfeiçoamento de psicólogos da mesma.

Psicoterapia

O atendimento psicoterapêutico terá como limite máximo a duração de seis meses,  sendo realizada uma avaliação por parte do(s) terapeuta(s) e do(s) cliente(s) após  este período, verificando-se, assim, a necessidade de recontratação.

Código do cliente: ______ Nome do Cliente:____________________________ Assinatura do responsável:__________________________Data:___/___/____ Terapeuta:_______________________________________________________

CONTRATO DE ATENDIMENTO INDIVIDUAL

Horário

O atendimento tem a duração de 50 minutos, sendo realizado em horário combinado  com antecedência, estando o terapeuta a disposição do cliente naquele período.  Como trabalhamos com hora marcada a pontualidade é fundamental, não sendo  possível estender o horário para além dos 50 minutos previstos, mesmo em caso de  atraso do cliente.

Em casos de atraso do terapeuta, na medida do possível, ocorrerá a compensação  para além do horário acordado ou em sessão subseqüente (Combinação a ser feita  oportunamente).

Dia da semana: _____________ Horário: _________________

Honorários

( ) O valor da sessão é R$________(_______________________________) e o  pagamento será feito sempre _____________________________________.  ( ) O valor mensal acordado é de R$_______(__________________________) e o  pagamento será feito sempre ___________________________________. O pagamento será realizado diretamente ao(s) terapeuta(s) nas datas combinadas  no dia da primeira entrevista. Sessões em que o cliente desmarca ou não  comparece são cobradas normalmente independente de qualquer justificativa.  Qualquer alteração ou reajuste somente poderá acontecer com o conhecimento e a  autorização da direção do IGT.

Faltas

Não serão permitidas 2 (duas) faltas consecutivas e nem que o cliente falte mais de  5 (cinco) vezes ao longo de todo o processo terapêutico. Na segunda falta  consecutiva ou após a 5ª (quinta) falta, avisada ou não, o atendimento será  considerado interrompido e o cliente perderá a vaga.

Desmarcações ou mudanças de horário

Mudanças de horário só serão possíveis quando houver disponibilidade do terapeuta  e da sala.

Profissionais

Os profissionais que realizam este atendimento têm convênio firmado com a Clínica  ou fazem parte do Curso de Aperfeiçoamento de psicólogos da mesma.

Psicoterapia

O atendimento psicoterapêutico terá como limite máximo a duração de seis meses,  sendo realizada uma avaliação por parte do psicólogo e do cliente após este  período, verificando-se, assim, a necessidade de recontratação.

Código do cliente: ______ Nome do Cliente:____________________________ Assinatura do cliente:_______________________________Data:___/___/____ Nome e assinatura do Terapeuta:_____________________________________

CONTRATO DE ATENDIMENTO DE GRUPO

Horário

O atendimento tem a duração de 90 minutos (1 hora e 30 minutos) sendo realizado  em horário combinado com antecedência, estando o(s) terapeuta(s) a disposição do  grupo naquele período. A pontualidade é fundamental, não sendo possível estender  o horário para além dos 90 minutos previstos (1 hora e 30 minutos), mesmo em caso  de atraso do cliente. Em casos de atraso do(s) terapeuta(s), na medida do possível,  ocorrerá à compensação para além do horário acordado ou em sessão subsequente  (Combinação a ser feita oportunamente). Qualquer mudança de horário só se faz  possível com a concordância de todos os membros do grupo e do(s) terapeuta(s).  

Honorários

( ) O valor da sessão é R$________(_________________________________) e o  pagamento será feito sempre ____________________________________.  ( ) O valor mensal acordado é de R$______(__________________________) e o  pagamento será feito sempre____________________________________. O pagamento será realizado diretamente ao(s) terapeuta(s) nas datas combinadas  no dia da primeira entrevista. Sessões em que o cliente desmarca ou não  comparece são cobradas normalmente independente de qualquer justificativa.  Qualquer alteração ou reajuste somente poderá acontecer com o conhecimento e a  autorização da direção do IGT.

Faltas

Não serão permitidas 2 (duas) faltas consecutivas e nem que o cliente falte mais de  5 (cinco) vezes ao longo de todo o processo terapêutico. Na segunda falta  consecutiva ou após a 5ª (quinta) falta, avisada ou não, o atendimento será  considerado interrompido e o cliente perderá a vaga.

Desmarcação

No atendimento em grupo não existe a possibilidade de desmarcação de sessão. A  impossibilidade de comparecimento será considerada falta.

Sigilo

Em nenhuma hipótese o que acontece num atendimento psicoterapêutico em grupo  deve ser relatado no exterior do espaço terapêutico.

Sessões individuais em terapia de grupo

A qualquer tempo por solicitação de cliente ou do(s) terapeuta(s) pode ser marcada  uma sessão individual.

Filmagem

Qualquer recurso deste tipo só pode ser utilizado com o consentimento de todos os  membros do grupo por escrito.

Entrada e Saída de clientes

A entrada de clientes se dá após comunicação e concordância dos demais membros  do grupo. Em caso de interrupção da psicoterapia o membro do grupo deve notificar  pessoalmente em uma sessão aos outros integrantes, colocando da forma mais  clara possível os motivos que o levaram a tomar tal decisão.

Duração

Os grupos têm a duração aproximada de 12 (doze) meses, sendo o seu término  determinado pelo encerramento do período do curso dos terapeutas no IGT.

Dia e horário de funcionamento do Grupo:______________________________ Código do cliente: ______ Nome do Cliente:____________________________ Assinatura: ______________________________________Data:___/___/____ Terapeutas: _____________________________________________________

CONTRATO DE PSICOTERAPIA DE CASAL

Horário

O atendimento tem a duração de 60 minutos (1 hora) sendo realizado em horário  combinado com antecedência, estando a equipe terapêutica a disposição do casal  naquele período. A pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o  horário para além dos 60 minutos previstos (1 hora), mesmo em caso de atraso do  casal. Em casos de atraso da equipe terapêutica, na medida do possível, ocorrerá à  compensação para além do horário acordado ou em sessão subsequente  (Combinação a ser feita oportunamente).  

Dia da semana: _____________ Horário: _________________

Honorários

( ) O valor da sessão é R$________(_________________________________) e o  pagamento será feito sempre ____________________________________.  ( ) O valor mensal acordado é de R$_______(_________________________) e o  pagamento será feito sempre ____________________________________. O pagamento será realizado diretamente ao(s) terapeuta(s) nas datas combinadas  no dia da primeira entrevista. Sessões em que o cliente desmarca ou não  comparece são cobradas normalmente independente de qualquer justificativa.

Qualquer alteração ou reajuste somente poderá acontecer com o conhecimento e a  autorização da direção do IGT.

Mudança de horário

Não existe a possibilidade de mudança de horário do atendimento.

Desmarcação e Faltas

A ocorrência de desmarcação de sessão poderá implicar na interrupção do  tratamento. A ocorrência de falta acarretará no cancelamento do atendimento,  levando o casal a perder a vaga.

Duração do Contrato

O atendimento do casal tem a duração de 8 (oito) sessões, na frequência quinzenal.  Este contrato poderá ser renovado ao final destas 8 (oito) sessões com a  concordância do casal e da equipe terapêutica.

Código do cliente: ______ Nome dos membros do casal cliente:____________ _______________________________________________________________ Assinatura:________________________________________Data:___/___/___ Equipe Terapêutica:_______________________________________________

Filmagem

Autorizo a filmagem dos atendimentos para fins de desenvolvimento científico.  Estas imagens só serão compartilhadas em ambientes restritos a profissionais da  área psicológica com fins de estudo e aperfeiçoamento.

Assinatura:________________________________________Data:___/___/___

Equipe  

Terapêutica:_____________________________________________________ Datas dos atendimentos:

1)___/__/___ 3)___/__/___ 5)___/___/__ 7)___/__/___ 2)___/__/___4)___/__/___6)___/__/___8)___/__/___

CONTRATO DE PSICOTERAPIA DE FAMÍLIA

Horário

O atendimento tem a duração de 60 minutos (1 hora) sendo realizado em horário  combinado com antecedência, estando a equipe terapêutica a disposição da família  naquele período. A pontualidade é fundamental, não sendo possível estender o  horário para além dos 60 minutos previstos (1 hora), mesmo em caso de atraso da  família.  

Dia da semana: _____________ Horário: _________________

Honorários

( ) O valor da sessão é R$_______(__________________________________) e o  pagamento será feito sempre ____________________________________.

( ) O valor mensal acordado é de R$_______(_________________________) e o  pagamento será feito sempre ____________________________________. O pagamento será realizado diretamente ao(s) terapeuta(s) nas datas combinadas  no dia da primeira entrevista. Sessões em que o cliente desmarca ou não  comparece são cobradas normalmente independente de qualquer justificativa.  Qualquer alteração ou reajuste somente poderá acontecer com o conhecimento e a  autorização da direção do IGT.

Mudança de horário

Não existe a possibilidade de mudança de horário do atendimento.

Desmarcação e Faltas

A ocorrência de desmarcação de sessão poderá implicar na interrupção do  tratamento. A ocorrência de falta acarretará no cancelamento do atendimento,  levando a família a perder a vaga.

Duração do Contrato

O atendimento familiar tem a duração de 8 (oito) sessões, na frequência quinzenal.  Este contrato poderá ser renovado ao final destas 8 (oito) sessões com a  concordância da família e da equipe terapêutica.

Código da família: ________

Nome dos membros da família cliente:

Assinaturas:_____________________________________

Data:___/______

Equipe Terapêutica:_______________________________________________

Filmagem

Autorizo a filmagem dos atendimentos para fins de desenvolvimento científico.  Estas imagens só serão compartilhadas em ambientes restritos a profissionais da  área psicológica com fins de estudo e aperfeiçoamento.

Assinaturas: Data:___/___/___

Equipe Terapêutica:_______________________________________________ Datas dos atendimentos:

1)___/__/___3)___/__/___5)___/___/___ 7)___/__/___ 2)___/__/___4)___/__/___6) ___/__/___8)___/__/___

ANEXO 4

MODELO DE RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE ATENDIMENTO

Nome do cliente completo:

Código do cliente:

Terapeuta:

Data do atendimento: Horário do atendimento:  

Supervisor:

Data da supervisão:

Redator do relatório:

Início do atendimento:

Final do atendimento:  

Queixa inicial:

Número de sessões:

Número de meses:

Temas desenvolvidos:  

Motivo da interrupção:  

Encaminhamento do ciente:

Avaliação do atendimento:

A que o terapeuta atribui o resultado atingido:

A O que foi planejado para este atendimento de forma geral?

B Quais foram os elementos observados neste último encontro. Surgiu algum  elemento novo?

C Quais intervenções foram realizadas?

D Avaliação do cliente do processo terapêutico

E Mobilização interna do terapeuta:

F Resumo e avaliação geral da terapia:

Revista IGT na Rede, v. 10, nº 19, 2013, p.371-415 DOI 10.5281/zenodo.15043006

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526


[1] A fim de facilitar a leitura desta monografia, a partir daqui, passaremos a citar o Instituto de Gestalt Terapia e Atendimento Familiar apenas como IGT. 

[2] A partir deste momento passaremos a nos referir à Clínica Social do IGT apenas como CS-IGT.

[3] O modelo do contrato de atendimento encontra-se em anexo na página 56.

[4] Os interessados em ampliar a leitura sobre este tema podem ler SILVA, Marcelo Pinheiro da, Equipe  reflexiva, quais as diferenças que criam diferenças? Monografia de Final de Curso de  Especialização em Terapia Familiar no Instituto De Terapia Familiar – ITF Disponível em:  http://www.igt.psc.br/ojs/viewarticle.php?id=51&layout=html Acessado em 17/11/2012 

[5] Todos os clientes atendidos no IGT assinam um contrato de atendimento no início do tratamento.Os  modelos de contratos estão em anexo.

[6] Conceito que é a base da Gestalt-terapia e não tem tradução equivalente para o português.  “Awareness é uma forma de experienciar. É o processo de estar em contato vigilante com o  evento mais importante do campo indivíduo/ambiente, com total apoio sensorimotor, emocional,  cognitivo e energético.” (YONTEF, 1998 p.215)

[7] A palavra “contato” tem sido utilizada para definir o intercâmbio entre o indivíduo e o ambiente que o  circunda dentro de uma visão de totalidade, visto que organismo e meio são um todo indivisível.  Contato, desse modo, refere-se aos ciclos de encontros e retiradas no campo  organismo/meio.(SILVEIRA, 2007, p. 59)