ARTIGO

“Que negócio é esse de operar?”- A abordagem gestáltica e o  acompanhamento psicológico a crianças em processo cirúrgico.

"What business is it to operate?"- The gestalt approach and psychological  care to children in the surgical process

Celita Almeida Rosário

Cristiane Ferreira Esch

RESUMO

O presente artigo aborda a importância do acompanhamento psicológico a  crianças em processo cirúrgico utilizando como fundamento conceitos da Gestalt terapia. Nesta abordagem, a compreensão do homem como uma totalidade rompe  com a dicotomia mente-corpo e traz a ideia de organismo unificado, sob a  influência tanto de aspectos psicológicos como fisiológicos. A experiência cirúrgica  e a hospitalização podem gerar um desconforto emocional, o que torna importante  a oferta de um espaço para expressão de sentimentos. Objetiva-se que as  crianças, ao entrarem em contato com a situação vivida possam realizar  ajustamentos criativos de modo a atravessarem o processo de internação e  cirurgia com maior suporte. Além disso, ao considerar a criança inserida em um  campo, é fundamental o acompanhamento também aos seus responsáveis. O  trabalho é realizado, sobretudo, através da experiência lúdica do brincar,  considerada como facilitadora do contato da criança consigo mesma, com a  situação e com outras crianças.  

Palavras-chaves: Processo Cirúrgico; Crianças; Gestalt-terapia.

ABSTRACT

This article discusses the importance of psychological support to children undergoing surgery using the foundation concepts of Gestalt therapy. In this  approach, the understanding of man as a whole breaks the mind-body dichotomy and brings the idea of unified organism under the influence of both psychological and physiological. Surgical experience and hospitalization can cause emotional discomfort, which makes it important to offer a space for expression of feelings.  The aim is for the children, to get in touch with the situation experienced can make creative adjustments in order to pass through the process of hospitalization and  surgery with greater support. Furthermore, when considering the child placed in a field, it is also essential to follow its heads. The work is done mainly through the playful experience of playing, considered as a facilitator of the child's contact with  itself, with the situation and with other children.

Keywords: Surgical Process; Children; Gestalt therapy;

Introdução  

A criança sob a ótica da Gestalt-terapia é vista como uma totalidade singular, que  cresce e se desenvolve através da relação ativa e ininterrupta com as forças do  campo no qual interage (AGUIAR, 2005). Dentro desta perspectiva, destaca-se a  visão integral e não fragmentada do homem e da realidade que o cerca.  

De acordo com Perls (1985), a interação do homem com o meio ocorre através do  processo de autorregulação organísmica, a partir do qual o indivíduo retorna ao  estado de equilíbrio (homeostase) quando alcança a satisfação de suas  necessidades. Pode-se considerar que o estado saudável de um indivíduo  depende do seu equilíbrio homeostático. Na busca desse estado saudável, utiliza se do ajustamento criativo, que de acordo com Kiyan (2006), refere-se aos  ajustamentos possíveis, ou seja, interações entre o indivíduo e o campo, em que o  indivíduo pode optar por uma decisão que lhe pareça mais adequada à demanda  organísmica que se torna figura naquele momento. Por sua vez, se o processo  falha em alguma escala, ou se o organismo se mantém num estado de  desequilíbrio por muito tempo, tornando-se incapaz de satisfazer suas  necessidades, está doente (PERLS, 1985).

De modo semelhante, Chiattone e Sebastiani (1997), consideram como “doença”  a desarmonia que, através de sua manifestação crítica, bloqueia o dinamismo e  desenvolvimento do homem como ser integral, refletindo na desarmonização da  pessoa. Segundo estes autores, a doença:

“... gera um estado de crise, um desequilíbrio, impondo ao paciente  

perdas e desorganizações que precisam ser recuperadas ou  

administradas, para que esse paciente possa retornar ao controle de  

sua vida e participar de sua existência pois, sentindo seu corpo  

impossibilitado de seguir seu ritmo psicológico, o paciente sente-se em  

conflito. De um lado, imobilizado pela doença e hospitalização, de outro  

impondo-se limitações reais e fantasmáticas, em busca da homeostase  

perdida” (p. 124).  

De volta à Gestalt-terapia, Gaspar (2004) acrescenta que o “doentio” ou o  “distúrbio”, ainda é, na verdade, uma maneira expressiva de ajustamento criativo  por parte do indivíduo, mesmo que disfuncional. Nesse sentido, ao invés de  privilegiar sintomatologias, pretende-se levar em conta o aspecto saudável que  se esconde nas entrelinhas do adoecer, visando uma compreensão mais criativa  (no sentido gestáltico) do homem.  

Saúde e doença, portanto, evidenciam o ser humano como ser total e em relação  num dado campo. Por essa razão, é preciso que se reflita sobre saúde como uma  postura humana ativa e dialética diante das constantes situações conflituosas  geradas pelos antagonismos entre o homem e o meio.

A experiência cirúrgica na infância

“A doença está ligada à dor, à separação, à impotência.  

No horizonte, a partida sem volta.

Isso fica muito pior no ambiente do hospital.

A assepsia médica pode ser necessária, mas faz muito mal à alma...

A criança é transformada em objeto: já não está no colo daqueles que a  

amam.

Descobre-se nas mãos de estranhos que a levam para salas onde pais  

não entram.

Medo”. (ALVES, 1999, p.17).

A cirurgia é uma especialidade da Medicina voltada para a cura de doenças,  onde o profissional atua diretamente no local afetado, unindo, cortando ou  retirando o que está prejudicado no corpo do paciente. Sabe-se que esta  especialidade médica, mesmo sofrendo ao longo do tempo diversas mudanças e  aperfeiçoamentos tecnológicos, ainda gera nos pacientes, intenso desconforto  emocional e insegurança. Isso porque, embora exista com a finalidade de  promover a cura ou melhorar a qualidade de vida, remete os pacientes a um  estado conflituoso e geralmente adquire caráter ameaçador, agressivo e invasivo  (SEBASTIANI e MAIA, 2005).

Do ponto de vista psicológico, entende-se que a intervenção cirúrgica quase  sempre é enfrentada como uma situação inesperada e desconhecida, até mesmo  quando esta ocorre em circunstâncias não emergenciais, onde o paciente sabe  previamente que necessitará realizar uma cirurgia. Mello Filho e Burd (2004)  apontam que a cirurgia sempre surge como uma urgência, a qual o paciente  responde reunindo todos os seus esforços possíveis para combater o sentimento  de “ataque iminente”.

Atualmente diversos autores, como Angerami-Camon (1995) e Trinca (2003),  corroboram com a afirmativa de que a situação de hospitalização pode provocar  um grande impacto no ser humano, e destacam que tal fato se agrava quando o  paciente em questão é uma criança.  

Para a criança, a experiência cirúrgica pode ser ainda mais traumática e com  efeitos psicológicos persistentes. Isso porque, segundo Broering (2008, p.21) “a  criança tem menor condição de compreender, a princípio, que um procedimento  cirúrgico irá beneficiá-la”. A necessidade da cirurgia pode ser percebida pela  criança como uma punição (FELDER-PUIG et al., 2003), além de sentir-se  intimidada pela separação da família, pelo estranhamento ao ambiente  hospitalar, pela dor dos procedimentos diagnósticos ou terapêuticos e pela  indução forçada de anestesia.  

A forma como cada indivíduo enfrenta a intervenção cirúrgica pode facilitar ou  não o processo de recuperação e a readaptação à vida normal. Segundo  Ruschel, Daut & Santos (2000) se não se considera os aspectos psicológicos do paciente durante o processo cirúrgico eleva-se a propensão de complicações  emocionais que prejudicam a convalescença, chegando por vezes, a intensificar  a morbidade no período pós-operatório.

No caso de pacientes infantis, Broering e Crepaldi (2008) e Yamada e Bevilacqua  (2005) sugerem que a preparação cirúrgica infantil deve abranger o pré operatório, o pós-operatório imediato e o pós-operatório, além de seguir as  necessidades da criança, a idade, suas experiências e o tratamento.  

Segundo Kain et al., (2007), programas que articulam diferentes instrumentos e  estratégias de intervenção, além de priorizar o brincar como mediador do  atendimento, são os que apresentam resultados mais satisfatórios.

Principais sentimentos em crianças no processo cirúrgico

De modo geral, pacientes em processo cirúrgico manifestam sentimentos de  perda, impotência, isolamento, medo, ansiedade e insegurança. Pode-se dizer  que uma gama enorme de sentimentos acompanham o indivíduo desde o  aparecimento da doença, e que a internação hospitalar e a necessidade de  realizar uma cirurgia podem intensificar o desconforto emocional (SEBASTIANI e  MAIA, 2005).  

Cabe esclarecer que se compreende como processo cirúrgico o momento que  tem início na decisão de fazer a cirurgia até os resultados obtidos a partir de sua  realização, ou seja, o pré-operatório, o transoperatório e o pós-operatório. Para  Sebastiani e Maia (2005, p. 54), “cada um desses momentos é representado por  movimentos emocionais, que estão intimamente ligados às experiências e  expectativas vivenciadas pelo paciente, mas, particularmente, são marcados pela  forma com que a pessoa elabora essas vivências”.

Para a criança, a hospitalização em si já é vista como algo ameaçador e  desencadeadora de reações adversas, que podem ser potencializadas caso haja  a necessidade de realização de algum tipo de procedimento médico invasivo,  como a cirurgia, por exemplo (Crepaldi, 1999). De acordo com Crepaldi e  Hackbarth (2002), as crianças temem a realidade concreta, como por exemplo,  os instrumentos e aparelhos cirúrgicos, e todos os procedimentos que podem  gerar sofrimento e dúvidas e contribuem para aumentar a ansiedade.

Na pesquisa sobre os sentimentos e comportamentos presentes em pacientes  pré-cirúrgicos, realizada em um hospital infantil com 35 crianças entre 5 e 7 anos  (CREPALDI e HACKBARTH, 2002), o medo foi destacado como o sentimento  mais frequente. Na mesma pesquisa, esse sentimento foi dividido em  subcategorias de acordo com as respostas das crianças participantes. Assim,  21,87% temiam a mutilação após a cirurgia, como por exemplo, perder algum  membro do corpo ou ter a barriga cortada e vir a morrer. O abandono aparece em 15,62% das respostas e referiam-se ao medo de ficar sozinho ou esquecido no  hospital. 12,5% das crianças responderam que temiam não poder mais brincar ou  voltar para casa, revelando o medo de sofrer prejuízos na vida infantil. Outros  tipos de medo, como o de morrer durante a cirurgia, não poder mais comer e o  medo de ficar no hospital aparecem em 6,25% das crianças. Por fim, 3,12%  relataram o medo relativo à incerteza sobre os procedimentos cirúrgicos e o  medo de ficar incapacitado e outros 1,25% dos pacientes diziam sentir medo dos  procedimentos cirúrgicos, tais como tomar injeção e a cirurgia propriamente dita.  

Ainda tratando do sentimento de medo, Finkel e Espíndola (2008) e Moro e  Módolo (2003) afirmam que os temores de pacientes infantis frente à cirurgia  relacionam-se ao medo da morte, da dor, da separação dos pais, das incertezas,  dos aparelhos cirúrgicos e dos sons produzidos por eles, entre outros.

A ansiedade também é apontada por diversos autores como um sentimento  predominante em pacientes cirúrgicos, principalmente no momento pré operatório. Para Romano (1998), as principais fontes de ansiedade em pacientes  cirúrgicos referem-se à separação de casa e da família; ao medo da morte; a ser  forçado a assumir o papel de doente; à antecipação de questões diretamente  relacionadas ao físico, tais como o ato cirúrgico, a dor e a perda do controle sobre si mesmo. Além disso, a ansiedade pode ser descarregada no corpo e se  expressar por meio de sintomas físicos capazes de interferir, por exemplo, no  sono e no apetite (FIGHERA & VIERO, 2005).

Em pacientes infantis a ansiedade pode ser observada, sobretudo, através de  mudanças no comportamento, tais como, enurese, dificuldade na alimentação,  apatia, instabilidade, distúrbio no sono. Moro e Módolo (2003) apontam a respeito  das crianças que “muitas delas parecem assustadas, tornam-se agitadas, com  respiração profunda, apresentam tremores, param de falar ou simplesmente,  choram” (p. 78). Além disso, alguns fatores podem sugerir graus elevados de  ansiedade no período pré-operatório, tais como, o temperamento prévio da  criança, níveis baixos de sociabilidade, experiência cirúrgica prévia,  hospitalização, visitas conturbadas aos consultórios pediátricos e níveis elevados  de ansiedade dos familiares (GUARATINI et al, 2006).

Neste momento, é importante ressaltar que o grau de ansiedade dos pais  influencia na ansiedade dos filhos. Li, Lopez e Lee (2007) apontam que a maioria  dos pais relata a dificuldade em ajudar seus filhos a passar pela situação  estressora que é a operação. Para esses autores, o envolvimento dos pais é  fundamental para a redução da ansiedade das crianças no processo cirúrgico.  Oaklander (1980) afirma que “se os pais são capazes de confrontar abertamente  os seus próprios sentimentos, a criança tem mais facilidade para ser aberta com  seus próprios sentimentos e confusões” (p. 275).

O sentimento de culpa também se mostra presente em pacientes infantis.  Quando não há um preparo ou quando não são explicadas à criança a real causa de sua doença e da necessidade de se realizar a cirurgia, ela tende a julgar que  seu estado é resultado de um mal comportamento. Nesse sentido, a doença e a  necessidade de cirurgia passam a ser compreendidas pela criança como uma  punição ou castigo. Crepaldi e Hackbarth (2002) citam a pesquisa realizada por  Kister e Patterson (1980) sobre a influência da desobediência como possível  explicação para a doença e para o contágio. Segundo estes autores, “as crianças  com melhor compreensão do que se passa com elas têm menor tendência a  utilizar a desobediência como razão para o contágio de doenças” (p. 110).

Ainda em relação ao período pré-operatório, Crepaldi e Hackbarth (2002)  afirmam, através dos resultados de sua pesquisa, que os sentimentos de fuga,  tristeza e desconfiança na equipe também tornam-se presentes. O primeiro deles  refere-se aos comportamentos que as crianças emitem para livrar-se da situação  que provoca medo e ansiedade, no caso, a hospitalização e a cirurgia. Elas  podem se esconder, por exemplo, ou procuram maneiras de fugir do hospital, não  colaboram com a equipe de saúde, entre outros. Já o sentimento de tristeza  surge na medida em que os pacientes infantis interpretam a possibilidade do  procedimento cirúrgico acarretar consequências desastrosas para a sua vida.  Neste caso, observou-se que as crianças percebiam a cirurgia como uma  experiência agressiva e o contexto que a antecedia permeado por tristeza e por  uma espera ansiosa, repleta de dúvidas, exames e procedimentos preparatórios.  Além disso, as crianças imaginavam que após a cirurgia não poderiam praticar  suas atividades rotineiras, como por exemplo, brincar na chuva, jogar bola, voltar  à escola etc. Outras crianças também apresentaram o sentimento de tristeza  devido à preocupação que a doença trouxe para os seus familiares. Por fim, o  sentimento de desconfiança surge diretamente relacionado à equipe de saúde, no que diz respeito aos procedimentos e ao tratamento. Crepaldi e Hackbarth  (2002) concluíram que 50% dos pacientes infantis não confiam no médico e que  outros 50% não confiam na equipe de enfermagem. De modo geral, os pacientes  não se sentiam acolhidos pela equipe de saúde, não havendo, portanto, uma boa  comunicação entre eles e seus familiares.  

Para Sebastiani e Maia (2005),

“a efetivação de um bom acompanhamento psicológico no pré

operatório tem influência direta nas reações do paciente no trans e pós

operatório, já que existem relações entre o estado emocional do  

paciente nessas três fases da cirurgia” (p. 54).

O pós-operatório pode ser dividido em imediato e tardio e psicologicamente, um  depende muito do outro. Os sentimentos nesse último período referem-se,  sobretudo, ao processo de recuperação, a capacidade de adaptação a uma nova  rotina e às possíveis limitações. Castro, Silva e Ribeiro (2004) apontam sobre os  efeitos do pré-operatório no comportamento de crianças antes e após a cirurgia,  que os medos decorrentes da ansiedade e fantasias desencadeadas pela cirurgia  tendem a persistir por períodos prolongados após a operação.

O trabalho baseado nos conceitos da abordagem gestáltica

O presente trabalho, por estar pautado e orientado pela perspectiva da Gestalt terapia corrobora com a afirmativa de que um bom programa de preparo  psicológico para a cirurgia, muito mais do que apenas informar e reduzir a  ansiedade pré-cirúrgica, deve buscar abarcar toda a complexidade desta  vivência. Deve, portanto, compreender a criança como um ser total, de maneira  holística. Junto com isso, deve proporcionar a possibilidade da criança entrar em  contato com a situação, experimentando os sentimentos presentes e auxiliando-a  na compreensão e significado deste processo.  

Além disso, o psicólogo buscará auxiliar e empoderar essas crianças e seus  familiares durante o processo operatório. É de suma importância que o  profissional de psicologia colabore para que os mesmos sintam-se ativos e  participantes nas escolhas e eventuais caminhos do tratamento, o que  provavelmente torná-los-á mais seguros para enfrentar os desafios e angústias  inevitáveis da experiência operatória (SOUZA, 2009).

O trabalho tem início com o acolhimento oferecido. O ato de acolher é  compreendido como cuidar, amparar, acompanhar e respeitar, sendo a partir do  acolhimento que nasce a confiança e, consequentemente, a entrega (CARNÉ,  2002). O psicólogo, além de demonstrar interesse em conhecer sua clientela,  através do acolhimento, buscará propiciar um espaço de troca de experiências e  suporte emocional, a fim de promover um sentimento de maior segurança no  território hospitalar. Quanto à forma do atendimento, Oaklander (1980) afirma  que, o trabalho em grupo pode ser considerado a situação ideal para crianças  que precisem praticar suas habilidades contactuais. Segundo a autora,

“o grupo é um lugar para a criança tomar consciência de como interage  

com outras crianças, para aprender a assumir responsabilidade pelo  

que faz, e para experimentar comportamentos novos. Além disso, toda  

criança precisa de contato com outras crianças, para saber que as  

outras têm sentimentos e problemas semelhantes” (p. 315).

No caso de crianças em processo operatório este contato é ainda mais  importante, na medida em que viabiliza a troca de conhecimento sobre esta  vivência entre as crianças, e consequentemente a descoberta de instrumentos de  enfrentamento da angústia e ansiedade presentes. Neste contexto, o grupo de  acompanhamento cirúrgico é estruturado como um grupo temático e não  terapêutico, já que tem como objetivo aproximar e/ou aprofundar – dependendo  das possibilidades de contato de cada participante – de determinado tema, neste  caso, a cirurgia. “Todas as colocações devem girar sempre em torno do mesmo e  único tema. A periferia poderá ser igualmente estudada, mas sempre em  referência ao tema central, que permanece sempre figura” (RIBEIRO, 1999, p.  171).

Por tratar-se de um grupo de crianças, é interessante que se estruture uma  proposta que possa ser vivenciada ao longo do encontro. Algo que seja muito  mais do que a simples explicação dos procedimentos e das rotinas. O  experimento, conceito da Gestalt-terapia, é utilizado no grupo como meio de  aprofundar o contato, pois segundo Polster e Polster (2001) é uma tentativa de  recuperação da conexão entre o falar sobre e a ação. No grupo, o momento do  experimento é mais do que discurso, é atenção focada naquilo que se faz quando  se faz. É a integração entre o falar, o agir e o pensar (SOUZA, 2009).  

Para Zinker (2007), “o experimento gestáltico é uma forma de pensar em voz alta,  uma concretização da imaginação da pessoa, uma aventura criativa” (p.145).  Segundo ele, os propósitos do experimento são: aumentar o alcance da  awareness, ampliar o entendimento de si mesmo, expandir a liberdade de agir no  ambiente com eficiência e aumentar o repertório de comportamentos numa  variedade de situações.

Para Perls (1985), a conscientização ou a awareness, fornece ao paciente a  compreensão de suas próprias capacidades e habilidades de seu equipamento  sensorial, motor e intelectual. É, portanto, um processo de contato na relação  estabelecida entre o campo organismo e meio, com qualidade acentuada de  atenção e sentido. Assim, o experimento gestáltico, como forma de favorecer a  awareness, levará a criança a muito mais do que simplesmente falar, mas a  vivenciar a experiência psicodramaticamente.  

Zinker (2007) afirma que em grupo o experimento é poderosamente eficaz  porque conta com o apoio da ampla criatividade de todos, e ainda, é apenas um  caminho para iniciar e ampliar o processo de contato.

“O experimento se dirige ao cerne da resistência, transformando a  

rigidez em um suporte elástico para a pessoa. Não precisa ser pesado,  

sério, nem ter uma comprovação rigorosa; (...) não precisam brotar de  

conceitos; podem começar simplesmente como brincadeiras e

desencadear profundas revelações cognitivas” (p.145).  

Neste sentido, o experimento gestáltico se mostra coerente com uma proposta de  intervenção para crianças em processo cirúrgico. Revela-se como um meio  interessante de possibilitar o contato de cada criança com suas vivências  anteriores, expectativas, ansiedades e angústias presentes no aqui-e-agora, e  ainda possibilitar a troca de experiências entre elas, no sentido de ampliar os  instrumentos de apoio de cada uma e do grupo como um todo. Como bem  esclareceu Zinker (2007) no trecho acima, o experimento gestáltico pode emergir  pelo brincar. Portanto, o psicólogo pode optar por introduzir o brincar como base  para toda a sua proposta de intervenção, ou apenas para algumas etapas.

Segundo Maturana e Verden-Zoller (2004, p.230), o brincar deve ser  compreendido como: “uma relação de total aceitação e confiança no encontro  corporal de uma pessoa com outra; com a atenção posta no encontro e não no  futuro; não no que virá, mas sim no simples fluxo da relação”. Além disso, os  autores acreditam que por ter caráter inocente, transcorre sem tensão e angústia,  como um ato que se vive no prazer sendo, portanto, o fundamento da saúde  psíquica.  

Com crianças, o experimento pode ser traduzido pelo brincar, pois é através dele  que elas procuram expressar seus sentimentos. Fernandes (1995) pontua que a  facilitação no trabalho com crianças ocorre no sentido de acolher a expressão  dos sentimentos que possam emergir neste contato. Além disso, ao brincar com  ela, é necessário trazer para o campo fatores que estão ligados a tais  sentimentos, mas que estão alienados, auxiliando-a a ampliar sua awareness e  ressignificá-los.

Segundo Souza (2009), as crianças são capazes de lidar com complexas  dificuldades psicológicas através do brincar. Elas procuram integrar experiências  de dor, medo e perda. Brincando a criança coloca-se num papel de poder, em  que ela pode dominar os vilões ou as situações que provocariam medo ou que a  fariam sentir-se vulnerável e insegura, como é, por exemplo, a situação cirúrgica.

Oaklander (1980) relata que nos jogos dramáticos criativos as crianças podem  aumentar a autoconsciência. Podem também desenvolver uma consciência total  de si próprias – do corpo, da imaginação, dos sentidos.

“Nos jogos dramáticos criativos, as crianças são chamadas a  

experenciar o mundo a sua volta, bem como suas próprias formas de  

ser. No sentido de interpretar o mundo a sua volta e transmitir idéias,  

sentimentos e expressões, elas mobilizam todos os recursos que podem  

reunir dentro de si: visão, audição, paladar, tato, olfato, expressão facial,  

movimento corporal, fantasia, imaginação, intelecto” (p. 161).

O brincar é uma linguagem de possibilidades, na qual a criança se sente  autorizada e segura para vivenciar suas fantasias. É, portanto, um  potencializador do contato. Contato, conceito fundamental da Gestalt-Terapia, é  definido por Perls, Hefferline e Goodman (1997) como a consciência “de” e o  comportamento “para” com as novidades assimiláveis, e a rejeição das novidades  não assimiláveis. Ou ainda, o meio para mudar a si mesmo e a experiência que  se tem do mundo (POLSTER e POLSTER, 2001).

Os instrumentos e materiais utilizados também são carregados desta forma de  comunicação. As brincadeiras de apresentação, os desenhos sobre o espaço  hospitalar, a contação de histórias infantis sobre a operação, a brincadeira de  operar bonecos, a utilização de materiais e instrumentos médicos, são exemplos  desses instrumentos lúdicos que potencializam o encontro durante os  atendimentos. Segundo Fernandes (1995), é na brincadeira, projetando-se nos personagens e nas estórias que inventa, ou nos desenhos ou movimentos, que a  criança melhor expressa e resolve seus conflitos.

Stevens (1988) apud Crepaldi e Hackbarth (2002) considera o desenho como um  instrumento que permite a expressão simbólica e facilita a comunicação da  criança. Através dele a criança pode representar o mundo no qual vive e o  contexto em que se encontra num dado momento ou algo que deseja investigar.  Podem expressar também sentimentos como medos, angústias e fantasias. Além  disso, é uma forma privilegiada de comunicação da criança, pois possibilita a  expressão de sutilezas do intelecto e da afetividade, que não podem ou não  conseguem ser expressados verbalmente.  

O contato com os materiais médicos transmite indiretamente às crianças  informações sobre os procedimentos e permite que elas formulem questões. Mais  do que isso, fornece um espaço no qual elas têm a possibilidade de entrar em  contato com dúvidas que ainda não estavam evidentes para elas mesmas. Ao  utilizar os instrumentos médicos, as crianças vão conhecendo e se familiarizando  com cada um deles, nomeando-os de uma maneira menos técnica e mais  compreensível, ou transformando-os em coisas diversas durante a brincadeira.  Segundo Aguiar (2005),

“a criança brinca com a realidade e, com isso, dá outra significação ao  

cotidiano. Ela cria outros sentidos para os objetos que possuem  

significados fixados pela cultura dominante, ultrapassando o sentido  

único atribuído às coisas, apontando-nos e lembrando que a verdade é  

sempre provisória” (p. 65).

O bisturi, portanto, pode ser simplesmente uma faquinha de cozinha, a massinha  pode vir a ser uma “pereba”, a injeção pode se tornar uma mamadeira, a luva  pode se tornar uma bola de encher e voltar a ser uma luva no momento em que a  criança desejar.

A “operação” de bonecos possibilita que as crianças envolvidas interajam,  conversem, troquem informações sobre suas experiências e sentimentos,  compartilhem dúvidas entre si e com a equipe, etc. Por essa razão, entende-se  como positivo que o grupo seja composto tanto por crianças que já realizaram a  cirurgia quanto àquelas que ainda irão realizar, a fim de possibilitar uma troca  mais intensa.  

A visita prévia ao local de internação é também importante enquanto etapa deste  processo, pois a criança tem a possibilidade de conhecer os diversos setores do  hospital e assim se familiarizar com o ambiente.  

O trabalho com a família também é privilegiado, pois na concepção da Gestalt terapia, a criança é uma totalidade inserida em outra totalidade, representada por  seu meio familiar, o qual por sua vez, encontra-se inserido em outras totalidades.

Os diferentes membros desse meio familiar estão em permanente interação,  afetando uns aos outros, e é por intermédio dessa interação que cada um  buscará a melhor forma possível de autorregulação (AGUIAR, 2005).

Nesse sentido, a situação cirúrgica no contexto familiar representa um  desequilíbrio e mobiliza todo este sistema. Assim, trabalha-se não somente com  a criança em situação cirúrgica, mas com todo o sistema que foi afetado por esta  situação e que consequentemente, tem procurado responder a ela das mais  diferentes formas.  

Portanto, para um bom trabalho de acompanhamento psicológico é necessário  que se estruture propostas para que se intervenha também junto às famílias, no  sentido de acolhê-las e possibilitar-lhes a escuta, ao longo do processo  operatório das crianças. O trabalho de preparação cirúrgica destinado aos  familiares de crianças hospitalizadas deve fornecer instrumentos e suporte, tanto  em termos práticos quanto emocionais, para que estes possam efetivamente  auxiliar a criança.  

De acordo com Souza (2009), o que se estabelece, geralmente, no meio familiar,  como resultado da dificuldade da família de tratar do assunto, é uma  comunicação indireta, repleta de ruídos, que em nada favorece o processo de  preparação da criança. Assim, ainda de acordo com Souza (2009), o grupo de  acompanhamento psicológico a crianças pode funcionar para os responsáveis  como uma espécie de modelo. Isso porque, ao verem a equipe conversando com  as crianças sobre temas tão delicados, e ao perceberem como elas precisam  falar sobre o que estão pensando, e como elas se tranquilizam tirando suas  dúvidas, os responsáveis se sentem mais encorajados. É preciso que se reforce  a necessidade de serem autênticos e descobrirem sua forma de dialogarem com  suas crianças a partir de seus instrumentos pessoais.

A dificuldade de falar sobre a hospitalização e a necessidade da cirurgia não  acontecem somente no meio familiar, mas também no hospital, com a equipe de  saúde. Souza (2009) chama a atenção para o fato ao afirmar que embora a  enfermaria seja um lugar muito barulhento pelo intenso fluxo de pessoas, pela  passagem de macas, pelos choros das crianças e apitos dos aparelhos médicos,  a comunicação entre a equipe, as crianças e as famílias é muito silenciosa.  Pouco se fala sobre a experiência cirúrgica neste espaço e a sensação de  acolhimento se torna praticamente inexistente. Portanto, o acompanhamento  psicológico durante o processo cirúrgico deve buscar transformar a relação da  criança e sua família com o espaço hospitalar e com a equipe de saúde,  fortalecendo a autonomia e a segurança da família nesta instituição.  

Considerações Finais

A hospitalização e o processo cirúrgico exigem uma grande capacidade de  negociação por parte do indivíduo face às várias mudanças que a partir de então  ocorrerão em seu cotidiano. Em outras palavras, será necessário que o indivíduo  faça ajustamentos criativos com seu meio. Dessa forma, é necessário que o  paciente seja atendido adequadamente em suas necessidades básicas, a fim de  evitar o agravamento de sensações de isolamento e angústia pré-existentes.  

Nesse sentido, o trabalho de acompanhamento psicológico a crianças em  processo cirúrgico deve ter como objetivo minimizar a angústia e ansiedade do  paciente, favorecer a expressão dos sentimentos e auxiliar na compreensão da  situação vivenciada, além de proporcionar um clima de confiança entre o  paciente e a equipe de saúde.  

É possível tratar da angústia da criança diante da operação de forma acolhedora,  receptiva e verdadeira, sem que haja a necessidade de mentir e enganá-la sobre  os riscos que envolvem a cirurgia. Ao permitir que as crianças expressem seus  medos e fantasias, elas se tornam mais autorizadas a questionarem sua própria  doença, os procedimentos, as rotinas e até as relações com outros membros da  equipe.  

O brincar, então, se estabelece nesse processo como linguagem mediadora  desta relação, conseguindo trazer informações de forma acessível e vivencial. É  um facilitador do contato da criança com outras, consigo mesma e com a própria  situação. Na medida em que as crianças contam suas histórias e as representam  durante o brincar, outras crianças e famílias recebem estas histórias e refletem  sobre as suas próprias. Nesse sentido, o brincar e a Gestalt-terapia conversam e  compõem um rico cenário teórico e prático para a intervenção com crianças em  processo cirúrgico (SOUZA, 2009).  

As estratégias que utilizam o brinquedo terapêutico são importantes na medida  em que permitem a criança interagir com o material e o ambiente hospitalar de  uma maneira não ameaçadora, o que possibilita à criança se divertir, diminuir a  

potencial carga estressora da experiência, aliviar a tensão e sentir-se mais no  controle da situação.  

O envolvimento da família no processo de acompanhamento cirúrgico é também  fundamental para a redução da ansiedade das crianças e para uma melhor  recuperação.  

De maneira geral, o trabalho de acompanhamento possibilita a transformação da  relação da criança e sua família com o espaço hospitalar, fortalecendo a  autonomia e a segurança da família na instituição, contribuindo de maneira  significativa para a humanização dos atendimentos (SOUZA, 2009). As crianças  e suas famílias apresentam-se mais colaborativas durante as consultas e mais  seguras durante o período de internação, da mesma forma que tendem a  estabelecer um vínculo de maior confiança com a equipe de saúde.

Por fim, pode-se afirmar que o trabalho de acompanhamento psicológico a  crianças em processo cirúrgico possibilita que as mesmas ampliem sua  capacidade de estabelecer contato com a situação cirúrgica, com seus medos,  suas fantasias e suas dúvidas. Dessa maneira, tornam-se mais aware de si, e  podem participar do processo, com mais consciência, segurança e suporte.  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUIAR, L. Gestalt-terapia com crianças: teoria e prática. São Paulo: Livro  Pleno, 2005.  

ALVES, R. A Operação de Lili. São Paulo: Paulus, 1999.

ANGERAMI-CAMON, V. A. Psicologia Hospitalar: teoria e prática. 2ª ed. São  Paulo: Editora Pioneira, 1995.

BROERING, C. V. Efeitos da preparação psicológica pré-cirúrgica em  crianças a serem submetidas a cirurgias eletivas. Dissertação (Mestrado de  Psicologia)- Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de  Santa Catarina, Santa Catarina, 2008.  

BROERING, C. V.; CREPALDI, M. A. Preparação psicológica para a cirurgia  em pediatria: importância, técnicas e limitações. Revista Paidéia, 18(39), p.  61-72, 2008.  

CARNÉ, S. Interfaces da clínica na prática psicomotora Aucouturier. In:  FERREIRA, C.; THOMPSON, R.; MOUSINHO, R. (Org). Psicomotricidade  clínica. São Paulo: Lovise, 2002.  

CASTRO, A. S.; SILVA, C. V.; & RIBEIRO, C. A. Tentando readquirir o  controle: a vivência do pré-escolar no pós-operatório de postectomia.  Revista Latino-Americana de Enfermagem, v.12, p.797-805, 2004.  

CHIATTONE, H. B. C. A criança e a hospitalização. In: ANGERAMI-CAMON, V.  A. (org.). Psicologia Hospitalar: teoria e prática. São Paulo: Editora Pioneira,  1988, p. 95-102.

CHIATTONE, H. B. C.; SEBASTIANI, R. W. A Ética em Psicologia Hospitalar.  In: ANGERAMI-CAMON, V. A. (org). A Ética na Saúde. São Paulo: Editora  Pioneira, 1997.  

CREPALDI, M. A. Hospitalização na Infância: Representações Sociais da  Família sobre Doenças e a Hospitalização de seus Filhos. Taubaté, SP:  Cabral Editora Universitária, 1999.

CREPALDI, M. A.; HACKBARTH, I. D. Aspectos psicológicos de crianças  hospitalizadas em situação pré-cirúrgica. Temas em Psicologia da SBP, v.10  (2), p.99-112, 2002.  

FELDER-PUIG, R. et al. Using a children’s book to prepare children and  parents for elective ENT surgery: results of a randomized clinical trial .  International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology, v.67, p.35-41, 2003.

FERNANDES, M. B. Gestalt e crianças: crescimento. Revista de Gestalt,  Número 4, 1995.

FIGHERA, J.; VIERO, E. V. Vivências do paciente com relação ao  procedimento cirúrgico: fantasias e sentimentos mais presentes. Revista  Brasileira de Psicologia Hospitalar, v.8 (2), p.51-63, 2005.  

FINKEL, L. A; ESPINDOLA, V. B. P. Cirurgia cardíaca pediátrica: o papel do  psicólogo na equipe de saúde. Psicol. Am. Lat ., México, n. 13, jul. 2008 .  Disponível em:  

<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1870350X2008000 200004 &lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 12 novembro de 2010.

GASPAR, F. M. P. A polaridade saudável no processo do adoecer. Disponível  em: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=512. Acesso em  10 de novembro de 2010.  

KAIN, Z. N. et al. Family-centerered Preparation for surgery improves  perioperative outcomes in children. Anesthesiology, v.106, p.65-74, 2007.  

KYAN, A. M. E a gestalt emerge: vida e obra de Frederick Perls. São Paulo:  Altana, 2006.

LI, H. C. W.; LOPEZ, V.; LEE, T. L. I. Psychoeducational preparation of  children for surgery: the importance of parental involvement. Patient  Education and Counseling, v. 65: p.34-41, 2007.

MATURANA, H. e VERDEN-ZOLLER, G. Amar e Brincar: fundamentos  esquecidos do humano. São Paulo: Pallas Athena, 2004.  

MELLO FILHO & M. BURD. Doença e família. São Paulo: Casa do Psicólogo,  2004.

MORO, E. T.; MÓDOLO, N. S. P. Ansiedade, a Criança e os Pais. Revista  Brasileira de Anestesiologia, n.54, v.5, p.728-738, 2003.

OAKLANDER, V. Descobrindo crianças. São Paulo: Summus editorial, 1980.

PERLS, F. A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia. Rio de  Janeiro. Editora Zahar, 1985.  

PERLS, F.; HEFFERLINE, R.; GOODMAN, P. Gestalt-terapia. São Paulo:  Summus editorial, 1997.  

POLSTER, E.; POLSTER, M. Gestalt-terapia integrada. São Paulo: Summus  editorial, 2001.  

RIBEIRO, J. P. Gestalt-terapia de curta duração. São Paulo: Summus editorial,  1999.  

ROMANO, B. W. Aspectos Psicológicos e sua Importância na Cirurgia  Cardíaca das Coronárias. In: N.A.G. Stolf & A.D. Jatene. (Orgs.). Tratamento  Cirúrgico da Insuficiência coronária. São Paulo: Atheneu, 1998.  

RUSCHEL, P. P.; DAUDT, P. S.; SANTOS, M. Grupoterapia na redução de  complicações pré-operatórias em cirurgia cardíaca. Revista da SBPH, n. 3,  v.2, p.57-60, 2000.

SEBASTIANI, R. W.; MAIA, E. M. C. Contribuições da psicologia da saúde hospitalar na atenção ao paciente cirúrgico. Acta Cirúrgica Brasileira, v.20,  p.50-55, 2005.  

SOUZA, B. L. Brincando de operar: grupo de acolhimento de crianças em  processo cirúrgico. In: Congressos e Encontros Nacionais da Gestalt-Terapia  Brasileira, IX Congresso e XII Encontro Nacional de Gestalt Terapia_Setembro/2009. Disponível em:  

http://www.igt.psc.br/ojs2/index.php/cengtb/article/view/191/410. Acesso em 12  de novembro de 2010.  

TRINCA, A. M. T. A intervenção terapêutica breve e a pré-cirurgia infantil: o  procedimento de desenhos-estórias como instrumento de intermediação  terapêutica. São Paulo: Vetor, 2003.  

YAMADA, M. O.; BEVILACQUA, M. C. O trabalho do psicólogo no programa  de implante coclear do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais.  Estudos de Psicologia. Campinas, v.22, p.255-262, 2005.  

ZINKER, J. Processo Criativo em Gestalt-terapia. São Paulo: Summus editorial,  2007.

Endereço para correspondência:

Celita Almeida Rosário

E-mail: celita.almeida@yahoo.com.br

Cristiane Ferreira Esch

E-mail: esch.cristiane@gmail.com

Recebido em: 28/12/2013

Aprovado em: 15/12/2014

NOTAS

Celita Almeida Rosário – Psicóloga sanitarista e mestranda em Saúde Pública  pela ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca- ENSP/ Fiocruz).

Cristiane Ferreira Esch – Psicóloga, Mestre em Psicologia Social pelo  PPGPS/UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ) (2012);  Gestalt-terapeuta; Supervisora de estágio especializado em Gestalt-Terapia, no  Serviço de Psicologia Aplicada do IP/UERJ; Preceptora do curso de  especialização em psicologia clínico-institucional da UERJ – modalidade  residência – no serviço de cirurgia cardíaca do Hospital Universitário Pedro  Ernesto; Supervisora de estágio em Psicologia Hospitalar; Colaboradora do curso  de formação em Gestalt-Terapia do Instituto Gestalt São Paulo; Colaboradora do  Laboratório Gestáltico UERJ – Configurações e Práticas Contemporâneas e,  Professora da Escola Preparatória.

Revista IGT na Rede, v. 11, nº 21, 2014, p.345-361 DOI 10.5281/zenodo.15048448

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526