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ARTIGO

A clínica da síndrome do pânico

Marcelo Pinheiro

RESUMO

Neste artigo busco transmitir um pouco do que aprendi, em cerca de quinze  anos de prática clínica, com pessoas que vivenciavam a síndrome do pânico.

Palavras-chave: Gestalt-terapia; Síndrome do Pânico; Psicoterapia.

INTRODUÇÃO

Durante meu caminho como Psicoterapeuta tenho tido muito contato com o  quadro clínico denominado Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico. Eu  estava na faculdade quando teve início a era deste quadro. Lembro que em  um dos estágios que eu fazia, na psiquiatria do Hospital Universitário Pedro  Ernesto, encontrávamos uma série de pessoas que viviam esta síndrome e na  área acadêmica da faculdade vários professores ainda não tinham idéia de a  que se referia tal conceito. Isso se deu aproximadamente em 1988. Já  naquela época, por uma série de motivos, me interessei muito pelo quadro.  

Há aproximadamente onze anos venho ministrando, em parceria com minha  esposa, a Psicóloga Márcia Estarque Pinheiro o curso "Estresse, Depressão e  Síndrome do pânico: que são? De onde vêm? Como tratar?" i[i]. Em função do  curso, nós normalmente temos uma grande procura de pessoas que estão  vivendo estes transtornos.

De início a síndrome do pânico inspira uma questão a quem vem  acompanhando a história deste quadro: O que ocasionou o "surgimento" de tal  quadro, com tamanha incidência e constância no tempo? Afinal já fazem mais  de quinze anos que está onda de síndrome do pânico teve início.

Algumas pessoas defendem a hipótese de que este quadro foi praticamente  criado e patrocinado pela indústria farmacêutica. Eu não concordo com este  ponto de vista. Dentro do que eu acompanhei, o aumento de incidência do  quadro ocorreu antes que a mídia se apropriasse dele. Lembro que no início  muitas pessoas chegavam ao consultório com os sintomas claros desta  síndrome, porém sem saber dar nome ao que estavam vivendo. Isso me faz  duvidar da hipótese de que as pessoas criariam os sintomas por simples  sugestão.

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No final dos anos 80, início dos anos 90, alguém que vivesse tal quadro tinha  que realmente enfrentar uma Via Crucis até encontrar um nome para o que  estava vivendo. Eram muito comuns relatos de pessoas que, vivendo a crise,  iam parar nas emergências de alguns hospitais e escutavam dos médicos a  frase: "você não tem nada!”. O que para estas pessoas era desesperador,  posto que os profissionais que elas imaginavam poder ajudá-las em relação a  sensações tão intensas, simplesmente não enxergavam o que elas estavam  vivendo. Tenho inclusive o relato de uma pessoa que chegou a ser submetida  a um cateterismo em função de uma crise de pânico mal diagnosticada.

Por outro lado, as características deste quadro são muito nitidamente  marcadas, tornando impraticável a crença de que já existisse tamanha  incidência de pessoas apresentando este tipo de sintomas sem que fossem  enquadradas em uma síndrome.

Acredito muito na hipótese de que o aumento de incidência deste distúrbio se  deu em função de características do momento sócio-econômico-cultural em  que vivemos. Cabe aqui ressaltar que ao longo dos tempos existe,  historicamente, uma oscilação na freqüência de ocorrência dos diversos  quadros clínicos de origem emocional. Este é um fenômeno bastante coerente.  É natural imaginar que, quando existam modificações no contexto vivencial do  ser humano, também ocorram modificações nas dificuldades emocionais  encontradas.

Estamos numa era de muito estresse e muita insegurança isto é, muito  desgaste e muito medo. O medo tem sido um sentimento extremamente  presente, especialmente para as pessoas que vivem nas grandes cidades.  Neste contexto é natural que a dificuldade de lidar com o medo apareça como  uma das expressões das fragilidades individuais.

Falando de uma forma Gestáltica: se o medo tem estado muito presente como  fundo para as experiências humanas atuais é natural que ele tenda a se fazer  figura. Especialmente se associado a isso, as pessoas já estiverem vivendo  um nível de desgaste excessivo, como tem sido quase que um padrão em  nosso momento atual.

São muitos os fatores, em nosso momento histórico, que tornam pouco  previsível e pouco seguro o instante seguinte. Um dos fatores é a maior  agilidade dos meios de comunicação. Atualmente acompanhamos, quase que  em tempo real, os acontecimentos de todo o globo terrestre, especialmente os  acontecimentos trágicos. Recebemos constantes indícios da fragilidade de  nossa segurança física e emocional. Estes indícios apontam para a  imprevisibilidade e insegurança em relação futuro próximo. Essa é a cara da  síndrome do pânico: a sensação apavorante de que algo muito ruim pode vir a  acontecer no instante seguinte.  

É impossível escrever sobre este tema sem lembrar de um dos exemplos mais  marcantes do que estou descrevendo. A experiência do atentado de 11 de  setembro de 2001 em Nova York, nos Estados Unidos. Naquele dia, em  praticamente todo o globo terrestre, as pessoas acompanharam os  acontecimentos em tempo real, vivendo uma grande sensação de incerteza em

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relação ao futuro. O que viria depois daquilo? Quais seriam as  conseqüências? Uma insegurança enorme em relação ao futuro imediato.

Alguns autores explicam a crise de pânico como uma falha no sistema de  alarme do indivíduo, que dispara sem motivo. Discordo deste ponto de vista  simplesmente porque a partir do momento em que a pessoa abre o quadro de  pânico, isto é, tem a primeira crise, ela passa a ter motivo para ter medo sim!  Existe uma ameaça real! Na medida em que uma pessoa que tenha o mínimo  de inteligência vivencie uma primeira crise de pânico, ela automaticamente  aprende que existe esta possibilidade e que é uma possibilidade muito ruim e  paralisadora. Então, ela tem um motivo muito forte para ter medo. A ameaça  existe apesar de não ser visível para os que estão ao redor. E pior, a ameaça  está dentro da própria pessoa. Ela não tem esconderijos, não tem como fugir.  Quem tem uma fobia específica, quando evita o estímulo fóbico, se sente  aliviado. Por exemplo, quando alguém tem medo de elevador e consegue  evitar o uso do elevador pode fugir do medo. No caso do quadro de pânico os  estímulos fóbicos são as próprias sensações físicas. O disparador é interno.  É uma espécie de medo de ter medo. Não se tem como fugir das próprias  sensações físicas.  

Quanto às alterações fisiológicas que se fazem presentes no indivíduo que está  vivendo este tipo de quadro, são alterações compatíveis com o estado  emocional típico desta síndrome. Seria realmente difícil imaginar que não  acontecessem alterações bioquímicas, já que a dinâmica dos estados  emocional envolve alterações desta ordem. Curiosamente, de tempos em  tempos, encontramos a insinuação de que a presença de alterações  bioquímicas em pessoas que estão vivendo a síndrome indicaria que ela teria  causa puramente orgânica. Obviamente esta afirmação não se sustenta.

O mecanismo da crise do Pânico

A crise de pânico se dá a partir do entrelaçamento de pensamentos e  sentimentos. À medida que a pessoa tem a primeira crise e aprende que pode  ter uma vivencia tão sofrida, ela começa a ter medo de ter as crises. Ela passa  a ter medo de ter medo. Com isso surge uma espécie de reação em cadeia.  Uma espécie de espiral viciosa na qual a pessoa passa a identificar  praticamente qualquer sensação interna como indício do início de uma crise. A  capacidade de pensar termina sendo usada, pelo indivíduo para tirar sua  própria segurança, ao invés de possibilitar a busca de suporte. A pessoa por  estar com medo, vai criando um filme de terror na própria cabeça, imaginando  os possíveis desdobramentos do que está sentindo. As fantasias mais comuns  são de morte ou loucura eminentes. A insegurança em relação ao instante  seguinte é assustadora e quanto mais aterrorizantes são as cenas imaginadas,  maiores as alterações fisiológicas resultantes. Quanto maiores as alterações  fisiológicas, mais nítida é a confirmação da presença da crise, maior o pavor,  maiores os motivos para fantasias sobre o que pode acontecer no instante  seguinte, e assim sucessivamente.  

O medo que normalmente tem a função de sinalizar o perigo, passa a ser  vivenciado como o próprio perigo. Paradoxalmente à vontade de se afastar das  próprias sensações físicas, torna a pessoa hiper-vigilante em relação às suas  sensações internas. Qualquer alteração se torna uma ameaça.

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Nosso cérebro não funciona no negativo. Não existe um símbolo que  especifica um não algo. Por exemplo, se eu pedir para o leitor para não pensar  numa piscina azul, automaticamente o leitor pensará na piscina azul. Para  tentar fugir do medo a pessoa tem que representar o medo, isto é sentir o  medo. Este é um aspecto fundamental da reação em cadeia que é a crise de  pânico em si.  

Prolapso da válvula mitral

No universo das pessoas que vivem o quadro de Síndrome do Pânico existe  uma incidência muito grande de pessoas que têm uma alteração cardíaca  denominada prolapso da válvula mitral. Essa alteração em si não traz riscos de  vida para o indivíduo, porém grande parte das pessoas que têm o prolapso  descreve sensações ocasionais de alteração do ritmo cardíaco. Acredito que  essas sensações terminam funcionando como disparadoras para crises de  pânico. Isso justificaria uma maior incidência de quadros de pânico no universo  das pessoas que apresentam prolapso de válvula mitral.

Síndrome do pânico tem cura?

Já recebi no consultório várias pessoas que me afirmaram ter sido informadas  de que a Síndrome do Pânico não tem cura. Essa crença no meu ponto de  vista é absurda. Normalmente os profissionais que fazem essa afirmação são  aqueles que acreditam na medicação como única forma de tratamento. E à  medida que ministram as medicações e não encontram resultado, terminam  acreditando que síndrome do pânico não tem cura. A medicação nesses  quadros funciona como um paliativo. Não atua nos fatores geradores do  quadro. O que vai modificar os fatores geradores de um quadro de pânico é o  aprendizado, é o autoconhecimento.

Síndrome do Pânico tem cura e normalmente a pessoa tem muitos ganhos  neste processo de cura. É claro que, da mesma forma que quando alguém  põe a mão em um ferro quente se queima, e se põe de novo se queima de  novo. Quando alguém que uma vez fez por onde abrir um quadro de pânico,  volta a usar a mesma receita, pode ter uma recaída. E, normalmente, se  viveram bem o primeiro episódio, isto é puderam aprender com o quadro,  tendem a sair de um segundo episódio com muito mais facilidade.  

O atendimento Psicoterapêutico a pessoas que vivem a Síndrome do  Pânico

Depois desta pequena contextualização vou entrar nas características do  atendimento a pessoas que vivem o Transtorno do Pânico.

Quando um caminhante encontra uma trilha com paisagens que parecem  conhecidas, ele tende a se sentir mais à vontade do que quando encontra  paisagens exóticas, estranhas. E, de fato, numa trilha onde o tipo de  vegetação, a textura do piso, o tipo de umidade são conhecidos o viajante tem  mais condição de prever que tipo de cuidados ele deve ou não tomar. Porém,  ele nunca deve esquecer que cada trilha é única. Numa trilha que parece  conhecida é muito importante tomar cuidado para que o deslumbramento

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originário desta sensação de intimidade não bloqueie seus sentidos, pois isso  certamente traria conseqüências negativas.

A palavra "síndrome" significa "reunião de sinais e sintomas que ocorrem em  conjunto e que caracterizam uma doença ou uma perturbação”.ii[ii]. Na medida  em que encontramos sintomas parecidos, certamente a tendência será  encontrarmos paisagens também parecidas na jornada a dois que é uma  relação terapêutica. Nesse momento é importante aproveitar o que há de  positivo nisto, porque realmente existem aspectos positivos neste fato. Porém,  é fundamental jamais esquecer que cada pessoa é única e, que cada encontro  entre duas pessoas também é único e deve ser cultuado como tal. Esquecer  isso é correr o risco de não enxergar a pessoa que está à nossa frente.  Acredito do fundo d'alma que para o desenvolvimento do ser humano, o melhor  caminho passa pelo encontro intenso e real com o outro ser humano. Se  perdermos essa possibilidade, ficamos apenas com uma técnica vazia e sem  consistência.

Espero que as palavras que vêm a seguir não sejam lidas como uma receita de  bolo, e sim como a discrição de alguns aspectos que costumam se fazer  presentes, num determinado tipo de trilha que tenho transitado como terapeuta  nestes últimos treze anos.

Em primeiro lugar o trabalho com este tipo de transtorno é extremamente  gratificante em função do nível de concretude dos ganhos obtidos no processo  terapêutico. A pessoa chega ao consultório apenas sobrevivendo, suportando  a vida e, com ajuda terapêutica, resgata a possibilidade de voltar a viver a vida,  de ter prazer ao viver. Geralmente, quando inicia a terapia, ela se encontra  num estado de tensão permanente. Normalmente, em um espaço de tempo  muito pequeno (de um a seis meses em média), resgata dramaticamente sua  qualidade de vida. Após superar o período em que as crises têm uma grande  incidência, a maioria das pessoas se mantém em terapia mais algum tempo.  Agora não mais pelo sofrimento, mas sim por terem aprendido a importância de  se conhecer melhor e de cuidar dos próprios limites. Esta segunda etapa do  processo terapêutico é muito importante para consolidar os ganhos obtidos na  etapa inicial.

No início do processo de crescimento de uma planta podemos assistir rápidas  mudanças. Em poucas horas diferenças significativas podem ser observadas.  Na medida em que a planta vai crescendo, vai ficando mais difícil identificar  rapidamente as mudanças. Elas ainda acontecem, mas agora de maneira não  tão drástica. Em contrapartida as transformações que parecem mais lentas na  planta adulta são mais estruturadas, mais consistentes. A planta nova, o broto,  quebra com um simples peteleco. Já as transformações estruturais da planta  adulta são bem mais resistentes. Em alguns casos não cedem nem a  machadada. O mesmo acontece num processo terapêutico. De início  assistimos grandes transformações em pouco tempo, porém são  transformações ainda frágeis. Aos poucos as transformações vão passando a  ser menos marcantes, porém mais consistentes.  

A Gestalt-Terapia nos fornece recursos extremamente úteis para lidar com o  transtorno do pânico, especialmente na medida em que nos instrumentaliza  para trabalhar com a ampliação do conhecimento que a pessoa tem de seu

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próprio corpo. As pessoas que abrem um quadro como este normalmente são  pessoas que tendem a passar por cima de seus próprios limites. São pessoas  que costumam se voltar para fora, para os outros ou para metas como carreira  profissional etc., negligenciando algumas de suas necessidades individuais,  seus limites. Normalmente estas pessoas já vêm apresentando uma série de  outros sintomas como gastrite, alergias entre outras e não escutaram estes  sintomas de modo a pararem para se cuidar a partir deles.

Eu costumo dizer que um quadro de pânico bem vivido pode ser uma  experiência importantíssima na existência de algumas pessoas, pois é um  quadro que faz com que elas tenham que parar para reavaliar a atitude que  estão tendo diante da vida. Termina sendo necessário abrir um quadro como  este para que essas pessoas possam se escutar. É como se o corpo estivesse  berrando para pedir ajuda. A partir dessa parada e dessa reavaliação, tendem  a surgir importantes mudanças de postura. Essas mudanças de atitude diante  da vida certamente vão ser muito importantes, tanto porque geraram uma  grande transformação na sua qualidade de vida, como também para evitar  outras conseqüências bem piores. Estas são prováveis para pessoas que  sistematicamente não respeitam, nem identificam seus próprios limites, como  por exemplo: enfartes, derrames, pressão alta entre outros.

Existem dois estilos de personalidade que tipicamente costumam apresentar o  transtorno do pânico. O primeiro estilo é composto por pessoas que eu  normalmente brinco, classificando como tendo complexo de super-homem.  São pessoas que não têm limites. Sempre tentam dar conta de tudo.  Normalmente são a referência familiar. Sempre que surge um problema elas  são as pessoas a serem acionadas. Essas pessoas não sabem dizer não,  tendem a se voltar demasiadamente para outro e com isso perdem a referência  dos próprios limites. É como se elas diminuíssem muito a capacidade de  escutar suas próprias necessidades em prol de ampliar a possibilidade de  perceber as demandas externas. O “eu tenho”, substituiu quase que  totalmente o “eu quero”. Não existe espaço para o prazer pessoal.

O segundo estilo de personalidade é complementar ao primeiro. São aquelas  pessoas que tendem a desenvolver vínculos de dependência. Buscam suporte  no outro, se sentem incapazes de andar com as próprias pernas. Essas  pessoas também perdem a noção de seus próprios limites, porém neste caso  de forma praticamente intencional. Preferem abrir mão da direção de suas  próprias vidas. A responsabilidade das escolhas é vivida como algo pesado  demais. Em função disso elas preferem abrir mão de escolher, optando por  convidar ao outro para que assuma as responsabilidades de suas decisões.

Estes dois tipos de personalidade formam os dois extremos de um mesmo  eixo. Enquanto o primeiro tende a não escutar suas próprias necessidades, o  segundo tende a só escutar as próprias necessidades. O primeiro tende à  onipotência e o segundo tende a impotência; o primeiro tende a ser cuidador, o  segundo tende a ser cuidado, etc.

Enquanto no primeiro caso o indivíduo tende a viver a crise de pânico de forma  solitária, escondendo das pessoas ao redor o próprio sofrimento, no segundo  caso a pessoa sempre busca no outro apoio para lidar com suas dificuldades.

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Sempre tem uma ou mais pessoas que sabem do quadro e que funcionam  como uma espécie de bengala para ela.

O estilo super-homem tende a sair muito mais rapidamente do quadro de  pânico do que o estilo dependente. Primeiro pela tendência que tem de se  responsabilizar por seus problemas, segundo porque o quadro de pânico não  se encaixa com seu estilo de personalidade.  

Já as pessoas que se especializaram em vínculos de dependência não se  sentem tão chocadas com a sensação de perda de potência, e, além disso, o  quadro se encaixa como uma luva na forma como ela se vincula com outro. Dá  mais justificativas para a manutenção dos vínculos de dependência. Com isso  termina sendo muito mais demorada a saída das crises.  

Normalmente no tratamento de pessoas que vivem este quadro faço duas  prescrições:

A primeira prescrição é que as pessoas busquem estar fazendo alguma  atividade física, no mínimo três vezes por semana. Preferencialmente uma  atividade que seja prazerosa e que intensifique bastante o ritmo cardio respiratório. Por que isso? Pois a atividade física faz com que o organismo  produza uma série de substâncias que são antidepressivas e trazem um efeito  muito positivo nestes casos. A importância de serem exercícios que alteram,  significativamente, o ritmo cardio-respiratório está no fato de que uma pessoa  de vida sedentária, que abre este tipo de quadro, passa a só experimentar e  perceber estas alterações em seu corpo quando está vivendo a crise. Na  medida em que elas voltam a ter este tipo de experiência em uma situação em  que essas alterações são naturais e esperadas, elas têm a chance de resgatar  a intimidade com essas experiências, resgatar a intimidade com o próprio  corpo. Aconselho que a pessoa procure um médico para fazer os exames  necessários antes de começar a atividade física, e que esta seja iniciada de  forma lenta e gradual.  

Com muita freqüência o medo de viver a crise durante a atividade física  dificulta o início da mesma, porém superada esta barreira inicial os ganhos são  marcantes. Além disso, os efeitos colaterais são o aumento da auto-estima,  sensação de mais energia, mais segurança e todos os outros ganhos que uma  vida mais saudável traz para o organismo.

A segunda prescrição que faço é a busca de controlar o descontrole. Isto é,  que a pessoa busque registrar a ocorrência das crises e suas alterações de  humor. Com este objetivo forneço um formulário em forma de gráfico para que  a pessoa preencha (Figura 1). Por que faço essa prescrição? Em primeiro  lugar, porque na medida em que as pessoas observam certos padrões na  ocorrência das crises, conseguem informações bem importantes. Por exemplo,  se tendem a ter crises quando estão mal alimentadas, ou em que dias da  semana essas crises costumam acontecer, que características têm em comum  esses dias, entre outras. Algumas pessoas tendem a viver a crise nos finais de  semana, outras durante a semana. Esse tipo de informação dá margem a  muitas descobertas.

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(Figura 1)

 

Outro motivo para utilizar os gráficos é que a saída de um quadro como esse  tende a ser irregular. Eu costumo comparar com uma criança que está  aprendendo a andar. A criança não levanta e sai andando. Ela consegue dar  alguns passinhos e aos poucos a quantidade de passinhos vai aumentando e o  engatinhar vai diminuindo, até que a criança passe a se locomover apenas de  pé.  

Na saída do quadro de pânico, o que nós vamos observar é que, aos poucos,  as crises vão se espaçando, até que desapareçam. Com isso a possibilidade  de acompanhar este processo de forma concreta como em um gráfico, ajuda à  pessoa a identificar seus progressos. A percepção dos progressos dá  segurança para a continuidade do trabalho que está sendo realizado. Como a

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vivência da crise é muito marcante, se a pessoa não registra o espaçamento  das mesmas, muitas vezes ela não se dá conta deste processo. Além disso,  quando a pessoa já está a algum tempo sem ter crises e vive um episódio de  crise passa a ocorrer também uma sensação de frustração: "Eu pensei que  tinha melhorado, mas não adiantou nada, ainda estou no mesmo lugar!" Este  tipo de sentimento não ajuda em nada na caminhada que é a busca da  superação deste quadro. Podendo até gerar a interrupção de um caminho  produtivo.

Normalmente quando eu inicio um processo terapêutico, já previno a pessoa,  avisando-a que ela vai vivenciar o afastamento das crises, mas que existe a  possibilidade de que a superação das mesmas seja irregular. Cito a metáfora  da criança aprendendo a andar, desenho um gráfico ilustrativo que representa  a forma como provavelmente vai ser o afastamento das crises (figura 2).  Mesmo assim quando, depois de um período longo sem ter crises, a pessoa  vive uma recaída, não é raro ela ter a sensação de frustração. Nestes  momentos é extremamente importante relembrar o que já tinha explicado  anteriormente, e mostrar através dos gráficos que a pessoa produziu, como a  freqüência de crises nesse momento está muito menor do que em tempos  anteriores. Como ela está atualmente num estágio muito melhor do que o  anterior.

(Figura 2)

Quando a pessoa está vivendo uma crise como esta, ela sente como se não  tivesse aonde se segurar, vive a sensação de que aquele sofrimento é eterno.  Neste momento a possibilidade de enxergar, de forma bem concreta, o  afastamento das crises permite que ela se dê conta de sua evolução.

Durante o processo terapêutico busco focalizar especialmente dois aspectos,  que inicialmente parecem isolados, mais que com o tempo, tendem a se  entrelaçar:

O primeiro é como a pessoa constrói a crise em si. Como se dá o processo? A  espécie de reação em cadeia que é a própria crise. O segundo é como a  pessoa construiu a fragilidade necessária para que ocorresse a primeira crise.

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Tomar consciência de como a crise em si funciona pode facilitar muito a que a  pessoa possa ter escolha a cerca de seus movimentos internos. Aprender o  funcionamento da crise de uma forma organísmica, isso é compreender de  uma forma que vai além da razão, de uma forma experiencial, na qual a  compreensão passa pela percepção da experiência física torna possível ao  indivíduo se apropriar dos movimentos internos que realiza quando constrói a  crise. Permite que ele possa ter escolha no decorrer da reação em cadeia que  é a crise.

Com o objetivo de facilitar essa compreensão organísmica, que pode ser  traduzida como uma ampliação da awareness, busco estar bem atento para as  oportunidades de facilitar com que o indivíduo observe suas sensações físicas.  Isto pode ocorrer tanto a partir da conscientização de expressões não verbais  realizadas pelo cliente, como também por trabalhos especificamente voltados  para a consciência corporal. Neste tipo de trabalho simplesmente peço para o  indivíduo voltar sua atenção para suas sensações físicas, especialmente para  sua respiração, seus batimentos cardíacos e as tensões musculares presentes  no corpo como um todo e de forma especial às tensões presentes na  musculatura da face.

A respiração sempre é um excelente termômetro, quando se quer identificar o  estado emocional do ser humano. Nossa respiração normalmente varia de  acordo com contexto emocional em que nos encontramos. E isso também  ocorre em termos de batimentos cardíacos e de tensão muscular. A expressão  do rosto que é formada a partir das tensões da musculatura da face também é  uma excelente fonte de informação quando a pessoa está buscando ampliar  sua percepção a cerca de suas reações emocionais.

Quando estou fazendo este tipo de trabalho normalmente, a medida em que a  pessoa consegue contemplar suas sensações internas, sem tentar controlá-las,  naturalmente sem que ela precise buscar, vai ocorrendo um reequilíbrio. Se a  pessoa deixa, o organismo vai tendendo ao equilíbrio. Ele só não vai para o  equilíbrio quando a pessoa não deixa, quando a pessoa usa a capacidade de  pensar para tirar seu próprio tapete.

A experiência de dar atenção às próprias sensações físicas e a partir daí  encontrar um equilíbrio, uma sensação de tranqüilidade, é uma experiência  muito importante, pois como já vimos a pessoa que vive o quadro de pânico  tenta fugir de suas sensações físicas, tenta não sentir. Ter a oportunidade de  experienciar o próprio corpo e reaprender que se a pessoa deixa, o corpo volta  ao equilíbrio, é importantíssimo na superação do quadro de pânico, pois  instrumentaliza o individuo de forma a que ele amplie suas possibilidades de  conseguir interromper a reação em cadeia.

A volta da intimidade com o próprio corpo torna possível ao indivíduo a busca  de segurança em sua identidade corporal. A pessoa passa a poder buscar  suporte na concentração e este é um movimento oposto ao que ela fazia antes.

Também este tipo de trabalho em muitos momentos esbarra com um obstáculo  inicial. Algumas pessoas têm medo de que prestar atenção nas sensações  físicas deflagre a crise. Da mesma forma que no caso da atividade física, esta

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também é uma dificuldade inicial. Passada esta barreira os ganhos também  são muito significativos.

E quando o cliente traz crise para o consultório?

Este muitas vezes é um divisor de águas no processo terapêutico. É um  momento de ganhos incalculáveis na busca do aprendizado de como a pessoa  constrói a crise e na conseqüente superação do quadro. Se o terapeuta se  sente seguro e consegue acompanhar o cliente neste momento, facilitando  com que este possa observar suas reações físicas ao invés de fugir delas, ou  de tentar prever o instante seguinte, o cliente tem a chance de passar pela  situação de crise em um local apropriado, no sentido de propiciar condições  para que ele aprenda sobre sua vivência, conheça mais sobre o processo da  crise e com muita freqüência experimente um desfecho diferente no caminho  deste processo. Essa experiência vivenciada tem em si, potencial para gerar  grandes avanços no processo terapêutico. Mas, para isso é realmente muito  importante que o terapeuta saiba onde está pisando, entenda o que a pessoa  está vivendo para poder acompanhá-la.

O segundo ponto fundamental no processo terapêutico é a busca de "o que a  presença do quadro em si tem para ensinar a esta pessoa?". Este  aprendizado é de grande importância especialmente para o futuro deste ser  humano.  

O quadro de pânico não vem do nada. Ele surge como indício de algum tipo de  desequilíbrio. Algo na forma como essa pessoa lida com sua realidade, algo  na postura que essa pessoa tem diante de seu mundo não está trazendo o  retorno necessário. Escutar este sintoma tão lancinante e aprender com ele, é  o que de mais importante se tem a fazer num processo terapêutico.

O processo terapêutico passa por uma cuidadosa busca de compreensão da  coerência da fragilidade evidenciada pelo quadro de pânico, com as  características da postura que esta pessoa tem diante da vida.  

À Luz do olhar curioso que busca compreender como essa pessoa faz para se  fragilizar, naturalmente vão surgindo uma série de indícios, tanto na atitude que  a pessoa tem no contato com o terapeuta, como também na história que ela  conta do mundo lá fora. Aos poucos o indivíduo vai ampliando a compreensão  que ele tem sobre a forma como tem cuidado de maneira insuficiente de seu  suporte. Essa compreensão, que como já disse é uma compreensão  organísmica, isto é uma compreensão que vai além das conexões lógicas, aos  poucos vai gerando uma mudança de atitude, uma mudança na postura que  este indivíduo tem diante do mundo. A pessoa vai conhecendo melhor seus  limites, e reaprendendo a cuidar deles. No decorrer do processo, o terapeuta  assiste quase que ao renascimento daquela pessoa, agora em novas bases  mais sólidas.

O uso da medicação

Eu já vivi fases diferentes em relação ao uso da medicação. No início, até  cerca de oito anos atrás, sempre que alguém me procurava vivendo este  quadro, eu tinha como norma solicitar que, em paralelo ao processo

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terapêutico, a pessoa buscasse fazer uso das medicações prescritas  preferencialmente por algum psiquiatra de minha confiança. Com o tempo fui  observando que, com freqüência, as crises começavam a desaparecer antes  do período em que se esperava que a medicação começasse a ter um efeito  importante. Também fui observando que algumas pessoas que buscar sair do  quadro sem fazer uso de medicação tinham um excelente resultado, inclusive  tendo ganhos mais significativos. Como não estavam utilizando medicação,  conseguiam perceber nitidamente a forma como suas mudanças de atitude  geravam modificações em seu quadro clínico, sem a duvida a cerca dos fatores  geradores dessas modificações. “Eu estou melhor por ter mudado minha  atitude diante da vida ou é só efeito da medicação?”. A impossibilidade de  distinguir a origem da melhora diminui a nitidez da compreensão do processo e  conseqüentemente empobrece o aprendizado decorrente do mesmo.  

Atualmente quando alguém me procura vivendo um quadro de pânico, e ainda  não está usando nenhuma medicação, opto por incentivá-la a buscar superar a  crise sem o uso da mesma. Normalmente proponho que aguardemos o início  do processo terapêutico e o início da atividade física para que mais tarde, após  algumas semanas, possamos avaliar a necessidade ou não, do uso da  medicação. Tenho obtido resultados muito interessantes com essa postura.  Em grande parte dos casos a medicação não é utilizada. Num curto espaço de  tempo a pessoa começa a perceber seus ganhos e termina optando por não  fazer uso de medicação.

A experiência tem demonstrado que as pessoas que terminam optando por  fazer uso de medicação, após o início da terapia, geralmente são pessoas que  têm em sua atitude diante da vida uma tendência a buscar encontrar suporte  no outro, buscar sempre apoio externo. São pessoas que têm uma crença  muito arraigada de que não são capazes de se sustentar com as próprias  pernas. Essas pessoas terminam só se sentindo seguras para tocar nesta  característica na medida em que já não estejam mais vivendo as crises, sendo  que para algumas essa postura não traz incômodo suficiente para gerar um  movimento de transformação a cerca deste aspecto.

Normalmente pessoas que apresentam essa tendência a não se  responsabilizar pelo próprio suporte, tendem a ter muito mais dificuldade para  superar o quadro de pânico do que aquelas que eu citei anteriormente como  tendo complexo de super-homem. O individuo que tem a tendência de querer  dar conta de tudo é a referência da família, a pessoa a quem todos recorrem  quando algo não vai bem. Pessoas que tem essa característica tendem a se  responsabilizar pelos sintomas e com isso investem energia de forma  determinada na busca da superação do quadro. Com isso freqüentemente  superam as crises com muita rapidez.

Dificuldades tipicamente encontradas:

A primeira delas é que com muita freqüência as prescrições não são seguidas.  O terapeuta solicita que a pessoa inicie uma atividade física, e por mais que ela  esteja sofrendo com o quadro, ela não inicia a atividade. O terapeuta pede  para a pessoa preencher os gráficos e a ela não preenche. Muitas vezes as  pessoas que não seguem as prescrições são justamente aquelas que estão  buscando um suporte externo. Mais uma vez fica presente a crença de que a

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segurança só pode vir de fora e na medida em que o indivíduo acredita nisso  não faz sentido tomar atitudes na busca de resgatar seu equilíbrio. Elas  acreditam que o equilíbrio deve vir de fora para dentro.

Às vezes aquelas pessoas que têm a atitude de super-homem também não  seguem as prescrições. Normalmente alegam que é por falta de tempo já que  têm que resolver os problemas de todos ao redor. O que obviamente retrata  sua atitude diante da vida (sempre se voltam para o exterior e tendem a não  cuidar do próprio suporte). Este tipo de movimento deve ser investigado com  curiosidade e atenção, pois se configura em mais uma oportunidade para que o  indivíduo amplie sua percepção a cerca da postura que tem diante da vida.

Uma outra dificuldade surge quando psiquiatra e o psicoterapeuta não falam a  mesma língua. Por várias vezes vivi situações como a seguinte: o cliente  procurar um psiquiatra por indicação de outra pessoa e o psiquiatra, nesse  caso com uma parca noção ética, afirmar para o cliente que neste tipo de  quadro a abordagem psicoterapêutica mais indicada é a comportamental.  Obviamente isto termina servindo apenas para fragilizar o vínculo terapêutico.

Não tenho nada contra a abordagem comportamental. Mas tenho muita coisa  contra uma colocação como essa, que só faz minar o trabalho que está sendo  realizado pelo psicoterapeuta. Isso para mim demonstra uma total falta de  ética e um marcante desconhecimento em relação ao que é um processo  terapêutico e aos resultados obtidos através do enfoque da Gestalt-Terapia.  Além disso, nunca tive notícia de algum tipo de pesquisa consistente que  pudesse comparar os resultados destes dois tipos de processos terapêuticos.  Especialmente quando levamos em conta que eles se baseiam em posturas  filosóficas diferentes e que com isto têm objetivos diferentes. Como comparar  processos que têm objetivos diferentes?  

Não tenho como objetivo neste trabalho fazer uma comparação entre  abordagens psicoterapêuticas diferentes, até porque normalmente este tipo de  comparação é feita a partir de um dos referenciais filosóficos, o que termina  gerando uma distorção na leitura da outra postura. Por isso não vou fazer aqui  este tipo de comparação. Vou apenas afirmar que os objetivos de um processo  terapêutico, bem encaminhado, dentro da abordagem Gestáltica, com pessoas  que vivem o quadro de pânico e estão motivadas a sair dele, normalmente têm  excelentes resultados.  

Os objetivos de um processo terapêutico dentro da abordagem gestáltica são:  aprender com o sintoma, e como decorrência disto, resgatar a qualidade de  vida do cliente, de forma aprimorada e coerente com o momento existencial  desta pessoa.  

Cabe aqui ressaltar novamente que o que é vivido visceralmente como  equilíbrio por uma pessoa, não é necessariamente o que é visto como ideal  para uma outra. Quero dizer com isto que dentro de uma visão Gestáltica, a  tarefa do terapeuta é acompanhar o cliente numa busca que é pessoal. O  objetivo é encontrar um equilíbrio coerente com a relação que essa pessoa tem  com seu mundo, o que não será necessariamente coerente com os valores do  terapeuta. Por exemplo, quem pode afirmar que deixar de ser dependente é a  melhor coisa para uma determinada pessoa num momento especifico de sua

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vida? Esteticamente para mim uma dependência exagerada não é a melhor  forma de relação, mas eu não devo impor os meus padrões estéticos a um  outro ser. Até porque a finalidade da psicoterapia não é padronizar  humanidade, isto inclusive seria um desfavor ao mundo humano que nos cerca.

Considerações finais

A síndrome do pânico e uma experiência muito intensa e muito sofrida. Passar  por um quadro como este é passar por uma verdadeira crise. A palavra crise  tem a mesma origem da palavra crisálida e isto não é por acaso. A fase da  crisálida é o período de transformação, momento de mudança no qual a lagarta  se transforma em borboleta. Os períodos de crise são períodos de  transformação em potencial. Se existe uma estrutura, para que seja possível  chegar a uma outra estrutura é preciso um período de desestruturação, um  período de crise. Por exemplo, se uma sala está arrumada de uma  determinada maneira, para que eu consiga chegar uma nova armação é  necessário um período de transição aonde eu já não tenho mais a arrumação  anterior e ainda não cheguei à nova configuração, um período de crise.

Acompanhar alguém em um processo de virada, num legítimo ponto de  mutação é extremamente gratificante. É uma honra, especialmente quando  esta pessoa chega ao consultório com uma qualidade de vida muito ruim e  algum tempo depois consegue resgatar seu prazer de viver. Acompanhar  pessoas na superação deste quadro clínico tem sido uma experiência muito  rica e extremamente confirmadora em relação à minha prática clínica. Espero  que este artigo possa ser útil tanto para outros terapeutas como também para  pessoas que estejam vivendo este quadro.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Este artigo surgiu de meus encontros e desencontros tanto com pessoas como  com livros no decorrer de minha vida. Irei listar abaixo apenas alguns destes  textos.

Ginger e Ginger, Serge e Anne - Gestalt: Uma terapia do contato; tradução  Sonia de Souza Rangel - São Paulo: Summus, 1995.

 Hycner, Richard – Relação e cura em Gestalt-terapia / Richard Hycner e Lynne  Jacob; |. – tradução de Elisa Plass e Márcia Portella |. – São Paulo : Summus,  1997.

Hycner, Richard – De Pessoa a pessoa: psicoterapia dialógica / Richard Hycner  e Lynne Jacob; |. – tradução de Elisa Plass Z. Gomes, Enila Chagas, Márcia  Portella |. – São Paulo : Summus, 1995.

Keller, Gugu - Síndrome do Pânico – Editora Globo, 1995.

Perls, Frederick Salomon; Hefferline, Ralph; Goodman, Paul - Gestalt-terapia - tradução Fernando Rosa Ribeiro - São Paulo: Summus, 1997.

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Perls, Frederick Salomon, 1893-1970; Gestalt-terapia explicada [por] Frederick  S. Perls [compilação e edição da obra original de John O. Stevens; tradução de  George Schlesinger 2ª ed. São Paulo, Summus, 1977.  

Perls, Fritz – A Abordagem Gestáltica e Testemunha Ocular da Terapia (Tradução de José Sanz) – Segunda Edição, Ano 1981 – Zahar Editores

Perls, Frederick S; e outros - Isto é gestalt – Coletânea de artigos escritos por  Perls e outros; Compilação e edição da obra original de Jonh Stevens;  Tradução de George Schlesinger e Maria Julia Kovacs; revisão científica: Paulo  Eliezer Ferri de Barros; São Paulo: Summus, 1977.

Polster e Polster, Miriam e Erving - Gestalt terapia integrada; Tradução de  Ricardo Britto Rocha. - Belo Horizonte: Interlivros, 1979  

Ribeiro, Jorge Ponciano - Gestalt-terapia: o processo grupal : uma abordagem  fenomenológica da teoria do campo e holística / Jorge Ponciano Ribeiro - São  Paulo : Summus, 1994.

Ribeiro, Walter F. R. – Existência essência / Walter F.R. Ribeiro – São Paulo:  Summus, 1998

Rodrigues, Hugo Elídio. Introdução à Gestalt-terapia – Conversando sobre os  fundamentos da abordagem Gestáltica - Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.

Silva, Marco Aurélio Dias da - Quem ama não adoece - O papel das Emoções  na prevenção e cura das doenças; Capítulo VIII – Ansiedade e angústia. A  Síndrome de Pânico; Páginas 125-139; Editora Best Seller; 8ª Edição, 1994.

Tellegen, Therese Amelie - Gestalt e grupos : uma perspectiva sistêmica /  Thérèse A. Tellegen - São Paulo : Summus, 1984. Novas buscas em  psicoterapia; v.22

Yontef, Gary M.- Processo, Dialógico e Awareness – Ensaios em Gestalt terapia (Tradução de Eli Stern) – São Paulo: Summus, 1998.

Zinker, Joseph C. – A Busca da elegância em psicoterapia: Uma abordagem  gestáltica com casais, famílias e sistemas íntimos. / Joseph C. Zinker;  [tradução de Sonia /augusto]. – São Paulo: Summus, 2001 – (Novas Buscas  em psicoterapia).

  

i[i] Nós começamos a dar este curso, pois percebíamos que muitos dos nossos clientes que  viviam o transtorno do pânico passavam por grandes dificuldades em função de não terem  informações básicas sobre o que estavam vivendo. No decorrer dos anos este curso tem sido  procurado basicamente por pessoas que querem entender melhor o que estão vivendo,  familiares ou amigos de pessoas que vivem algum dos quadros e por profissionais da área de  saúde (em especial psicólogos).

ii[ii] Definição obtida no dicionário: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

Revista IGT na Rede, v. 1, nº 1, 2004, p.1-17 DOI 10.5281/zenodo.14850686 

Disponível em http://www.igt.psc.br/ojs ISSN: 1807-2526