Tema-Livre
08: Contemporaneidade e universo feminino: Revisitando
nossas raízes.
Julia Gama Tourinho
Resumo
Este trabalho
tem por objetivo refletir sobre a contemporaneidade e o universo feminino, buscando
referências na história da maternidade e da sexualidade. Em linhas
gerais visa questionar qual a inserção da mulher na cena social
na atualidade.
Maternidade e sexualidade. História e corpo. A concepção
de mãe, os valores sociais e a sexualidade feminina na atual sociedade
em transformação.
Proposta
A proposta
desse trabalho é refletir sobre a contemporaneidade e o universo feminino,
buscando referências na história da maternidade e da sexualidade
feminina.
Julgo pertinente contar a trajetória que me levou a escolha desse tema
como uma forma de conectá-los ao sentido desse trabalho.
Tenho uma paixão: O feminino e as diferenças de gênero.
As questões do feminino sempre me atraíram muito, em especial
os debates sobre o que seria papel de mulher e o que seria papel de homem.
A forma que encontrei para lidar com as minhas inquietações foi
re-significar tais questões do feminino. Através da minha monografia
da graduação, realizei um estudo sobre o ideal materno e as normas
sociais, ou seja a influencia destes constructos normatizadores de homens (médicos
e pensadores do inicio do século XIX) sobre a condição
feminina.
Essa construção teórica tinha como objetivo refletir sobre o papel social da mãe, discutindo o conjunto de atitudes, comportamentos e sentimentos que são esperados que a mulher incorpore a partir do momento em que ela se descubra grávida.
Assim foi, fiz minha monografia e me formei. Nesses mais de dois anos, desde a minha formatura, continuei pensando a maternidade. Durante a minha especialização o contato com gestalt-terapia despertou em mim o desejo de pensar o corpo feminino e a sexualidade. Como parte integrante do universo feminino a sexualidade imprime no corpo a história das mulheres. A sexualidade feminina no âmbito das relações amorosas foi mito durante muito tempo e até os tempos atuais é fonte de mistérios.
Decidi que minha monografia da especialização seria uma investigação teórica da sexualidade feminina na gestação e parto. Em consonância com as exigências da modalidade tema livre, esse trabalho visa ser a unificação de dois trabalhos teóricos com o objetivo de pensar a sexualidade, a gravidez e o ideal materno na atualidade. Temas para mim tão apaixonante e de grande relevância, mas que ainda não possui produção teórica em Gestalt-terapia.
Considero que pensar a condição feminina na atualidade através de um olhar para historia é estarmos conscientes de que somos a nossa história no agora. Revisitar a história e uma forma de revivê-la. Uma forma de refletir sobre o contexto social vivido, repensar nossos valores (adquiridos): quero essa forma de ser mulher? Preciso engolir essa forma de ser no mundo ou posso descobrir a minha forma?
Esse trabalho busca abordar o eterno impasse entre conexão e separação, do contexto social e/ou familiar. Uma profilaxia contra os mecanismos neuróticos que tem, em sua maioria, origem na culpa e no medo, frente a maternidade e a sexualidade. A neurose é sempre de origem social. (BUARQUE, 2007)
“Todos os distúrbios neuróticos surgem da incapacidade do indivíduo encontrar e manter o equilíbrio adequado entre ele e o resto do mundo [...]” (Perls in BUARQUE, 2007; p. 158)
Pensar universo feminino e sexualidade em Gestalt-terapia - uma abordagem que valoriza uma visão global do ser humano - não poderia deixar de se dar relevância ao contexto para a construção da subjetividade.
“O feto é profundamente carne da mãe; ainda assim, está formado seu corpo e se preparando para a separação. Esse desenvolvimento físico é paralelo, no decorrer da vida, ao desenvolvimento psicológico. Estamos sempre buscando o ponto de equilíbrio entre nossa separação e conexão com os outros.” (HYCNER, 1997; p. 32)
O nosso contexto social primário, ou seja nossa família, é um grande influenciador para nossa forma de agir no mundo. O conjunto de valores aprendidos e as imposições sociais – quanto a ser mãe e a sexualidade da mulher – contribuem para construção do self.
“Nosso self é temporal, nasceu conosco, como uma entidade, como um ‘proprium’, que vai registrando, dia a dia, nossa caminhada do hoje de cada dia. Nosso jeito de pensar, de sentir, de fazer, de falar, nossa síntese contativo-existencial, é nosso self visível, uma estrutura processual que se atualiza cotidianamente, como um retrato eternamente retocado.” (RIBEIRO, 2007; p. 44)
Nosso self é um eterno processo de ser no mundo que se dá pelas nossas interações com o meio, através das fronteiras de contato.
A relevância desse trabalho está em ao revisitar a história da maternidade e sexualidade podemos descobrir se nossas crenças são mesmo nossas ou são imposições sociais. Creio que, colocar luz sobre possíveis formas de ser, que a pessoa nunca se deu conta, auxiliará as mulheres a tornarem-se o que são.
Bibliografia
BUARQUE, Sergio. Neurose In: Gladys D’Acri; Patrícia Lima; Sheila Orgler. Dicionário de Gestalt-Terapia: “Gestaltês”. São Paulo: Summus, 2007.
HYCNER, R. Relação e cura em Gestalt-terapia.Richard Hycner e Lynne Jacobs.São Paulo: Summus,1997.
ORGLER, Sheila. Teoria Paradoxal da mudançaIn: Gladys D’Acri; Patrícia Lima; Sheila Orgler. Dicionário de Gestalt-Terapia: “Gestaltês”. São Paulo: Summus, 2007.
RIBEIRO,
Jorge Ponciano. Ciclo do contatoIn: Gladys D’Acri; Patrícia Lima;
Sheila Orgler. Dicionário de Gestalt-Terapia: “Gestaltês”.
São Paulo: Summus, 2007.